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Surto de hantavírus não tem potencial pandêmico e risco global é baixo, diz OMS

Redação by Redação
maio 6, 2026
in MUNDO
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Surto de hantavírus não tem potencial pandêmico e risco global é baixo, diz OMS

Diretor-geral da organização diz que não há necessidade de convocar comitê de emergência. Vírus é transmitido por roedores e raramente se espalha entre humanos; três passageiros de cruzeiro morreram

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde) Tedros Adhanom Ghebreyesus disse, nesta quarta-feira (6), que não vê semelhanças entre o atual surto de hantavírus e o início da pandemia de Covid. Segundo ele, o risco global permanece baixo.

A declaração ocorre em meio ao surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius, que está ancorado em Cabo Verde, na África, desde domingo (3). Três pessoas a bordo morreram e oito passageiros são considerados casos suspeitos de infecção, segundo a OMS.

Ao ser questionado sobre uma possível semelhança do surto atual com os primeiros momentos da crise sanitária causada pelo coronavírus, Ghebreyesus descartou a possibilidade. “Não, acredito que não”, disse à agência AFP.

Desde o último fim de semana, a OMS passou a coordenar ações com autoridades de diferentes países para monitorar possíveis contatos e evitar a disseminação do vírus. A entidade avalia que não há, neste momento, necessidade de convocar um comitê de emergência, mecanismo acionado em cenários mais críticos.

Especialistas da organização afirmam que o comportamento do hantavírus é significativamente diferente do observado em doenças respiratórias de alta transmissibilidade, como a Covid e a gripe.

Transmitido principalmente por roedores infectados, por meio de urina, fezes ou saliva, o hantavírus raramente se espalha entre humanos. A exceção é a chamada cepa Andes, identificada em parte dos casos ligados ao navio, que pode ser transmitida em situações muito específicas.

Ainda assim, segundo a OMS, esse tipo de transmissão exige contato físico extremamente próximo, como o compartilhamento de cabines, beliches ou a prestação de cuidados diretos a pacientes.

“É muito, muito diferente da Covid e da gripe”, disse Maria Van Kerkhove, diretora de Gestão de Epidemias e Pandemias da OMS, à Reuters.

A OMS também informou que, até o momento, não há evidências de mutações no vírus que aumentem sua capacidade de transmissão. Esse é um dos principais fatores considerados em análises de risco para eventos com potencial pandêmico.

A hipótese da OMS é que os primeiros infectados, um casal holandês, contraíram o vírus fora do navio, possivelmente durante atividades de observação de aves na Argentina. A cepa envolvida seria o Andes, que circula na América do Sul.

A partir daí, teria ocorrido transmissão entre humanos a bordo, entre pessoas em contato próximo que compartilhavam cabines.

Segundo uma autoridade sanitária de Ushuaia, na Argentina, de onde o navio partiu em 1º de abril, é “improvável” que o surto de hantavírus no cruzeiro MV Hondius tenha se originado por lá.

O QUE É O HANTAVÍRUS?

É um vírus do gênero Orthohantavirus, agente causador da hantavirose, doença que pode provocar insuficiência respiratória grave e fatal. Existem mais de 40 tipos do vírus no mundo. Nas Américas, a manifestação mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que afeta o coração e os pulmões. Cerca de 40% dos casos resultam em morte, segundo os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

COMO O VÍRUS É TRANSMITIDO?

O principal meio de transmissão é o contato com roedores silvestres, conhecidos como ratos do mato. O vírus é eliminado pela urina, fezes e saliva desses animais. A infecção ocorre principalmente quando uma pessoa inala aerossóis contaminados, como ao varrer locais onde esses roedores viveram. Ratos urbanos comuns, como ratazanas e camundongos, estão mais associados à leptospirose do que ao hantavírus.

O HANTAVÍRUS OCORRE NO BRASIL?

Sim. Entre 1993 e 2024, foram registrados 2.377 casos no país, com 540 mortes, segundo o Ministério da Saúde. A maioria ocorre na zona rural, que concentra cerca de 70% dos casos. Em 2025, foram notificados 28 casos. Nos primeiros quatro meses de 2026, já são seis registros. O vírus é mais frequente em países da América do Sul, e o Brasil é um dos mais afetados na região.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS INICIAIS DA DOENÇA?

A fase inicial dura de três a cinco dias e se assemelha a uma gripe ou virose comum. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e manifestações gastrointestinais como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal. Por essa semelhança com outras doenças, o diagnóstico precoce é difícil.

QUANDO A DOENÇA FICA GRAVE?

A fase cardiopulmonar pode se instalar entre 4 e 24 horas após o surgimento de tosse e dificuldade respiratória. Nessa etapa, o quadro inclui respiração acelerada, pressão baixa, acúmulo de líquido nos pulmões e taquicardia. Na América do Sul, podem ocorrer ainda manchas vermelhas na pele, sangue na urina e rubor facial. Casos graves exigem internação em UTI e suporte ventilatório. Não existe tratamento específico.

COMO PREVENIR A INFECÇÃO?

Não há vacina eficaz disponível nas Américas. A prevenção passa por evitar o contato com roedores e suas excretas. As recomendações da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) incluem vedar a entrada de roedores nos ambientes, guardar alimentos adequadamente, manter o terreno limpo e usar ratoeiras convencionais. Lavar bem frutas, bebidas em lata e as mãos também é indicado em locais onde pode haver contaminação.

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