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Dólar fecha em queda e Bolsa avança, com BC e dados de inflação em foco

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
junho 25, 2026
in ECONOMIA
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SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O dólar fechou em queda de 0,37% nesta quinta-feira (25), cotado a R$ 5,180, com investidores repercutindo declarações do presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, sobre a decisão de juros da semana passada.

A moeda variou entre R$ 5,166 na mínima e R$ 5,218 na máxima, em desvalorização que acompanhou o movimento no exterior. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caiu 0,17%, a 101,436 pontos, diante de certo alívio nas apostas de alta de juros nos Estados Unidos após novos dados de inflação.

Os números do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), no Brasil, também balizaram as negociações, embalando a alta da Bolsa. O Ibovespa fechou com ganhos de 0,87%, a 171.990 pontos.

A taxa Selic foi cortada em 0,25 ponto percentual na quarta-feira passada (17), a 14,25% ao ano. Ao justificar o corte, o Copom (Comitê de Política Monetária) afirmou que, se mantivesse os juros em patamar necessário para levar a inflação à meta ao término de 2027, eles acabariam derrubando o índice para um patamar abaixo do alvo no primeiro trimestre de 2028.

Essa afirmação levou o mercado a entender que o horizonte para o cumprimento da meta estava sendo alongado, colocando em dúvida a capacidade do comitê de ancorar as expectativas de inflação e de ajustar a política monetária aos dados econômicos. No jargão, a leitura foi que o Copom foi “dovish”, ou leniente com a inflação.

Galípolo, em entrevista coletiva nesta manhã, reconheceu que o comitê pode ter errado ao tentar “explicar demais” o corte. Ainda assim, disse ele, “você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”.

Ele reforçou que a instituição não está dando sinalizações sobre o futuro dos juros e salientou que não há nenhum tipo de mudança na política monetária. “Estamos recolhendo dados nos próximos 40 dias para que o Copom possa tomar a decisão à luz dos novos fatos”, afirmou.

Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti ainda afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso.

A intenção da autarquia ao chamar atenção para o primeiro trimestre de 2028, segundo ele, se deu sob avaliação de que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação no horizonte relevante, mas é completamente insensível ao que o BC faz na política monetária.

Picchetti pontuou que um choque de juros para conduzir a inflação à meta de 3% não “abriria o Estreito de Hormuz” nem mudaria o El Niño.

Os investidores interpretaram as falas dos dirigentes como um reforço à ideia de busca da meta de inflação no horizonte relevante -hoje no quarto trimestre de 2027. Os juros futuros, em resposta, reduziram as perdas nos vértices de curto e médio prazo, enquanto os de longo prazo viraram para alta.

No fim da tarde, taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,24%, em baixa de 0,07 ponto percentual. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,3%, alta de 0,09 ponto.

Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, afirma que as falas dos dirigentes funcionaram “mais para esclarecimento do que para formação de preço”.

“Galípolo reconheceu o ruído gerado pelo comunicado, assumiu responsabilidade e sinalizou a intenção de tornar os próximos comunicados mais concisos, reservando essas explicações para a ata, mas ressaltou que, a princípio, não tem mudança na condição da política monetária”, afirma ele.

Daqui para frente, afirma Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, o desafio do Copom está em alinhar discurso e ação, evitando que a comunicação seja interpretada como tolerância maior com a inflação.

“Se Galípolo conseguir reforçar uma postura técnica, cautelosa e comprometida com a convergência da inflação à meta, parte dos prêmios de risco pode continuar sendo devolvida. Por outro lado, qualquer percepção de flexibilização excessiva pode reacender a pressão sobre juros.”

Mais cedo pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a inflação medida pelo IPCA-15, uma prévia do dado oficial, desacelerou a 0,41% em junho, após marcar 0,62% em maio.

Os números vieram abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,44%, conforme a agência Bloomberg. Ainda assim, é o maior resultado para junho em quatro anos, desde 2022 (0,69%).

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 acelerou a 4,8% até junho, após marcar 4,64% até maio.

O resultado, segundo André Valério, economista sênior do Inter, sugere que o processo inflacionário caminha para normalização após o choque energético causado pela guerra no Oriente Médio, que encareceu os preços de combustíveis e alimentos em todo o mundo.

“O resultado sugere que o impacto da guerra não foi suficiente para reiniciar o processo inflacionário. Mantemos nossa expectativa de novo corte na Selic na reunião de agosto e continuidade da cautela na condução da política monetária com as decisões sendo tomadas reunião a reunião”, afirma.

No exterior, dados de inflação dos Estados Unidos foram destaque. O índice PCE, o preferido do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) para balizar as decisões de juros, avançou 4,1% nos 12 meses até maio, no maior aumento desde abril de 2023.

O dado fez o mercado recalibrar as expectativas sobre a política monetária americana. A expectativa agora é que o Fed não aumente os juros na próxima reunião, mas na de setembro.

O Fed tem como meta uma variação de 2% do PCE ao longo de 12 meses, meta que não é atingida há mais de cinco anos e que o chair do Fed, Kevin Warsh, em sua primeira reunião neste mês, afirmou que será cumprida.

Operadores e analistas interpretaram essa declaração e outras sobre a necessidade de reduzir a inflação como um fator que aumenta as chances de aumentos da taxa de juros no curto prazo.

Juros mais altos nos Estados Unidos são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quanto maior a taxa, pior para ativos emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

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