SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O dólar está em queda nesta segunda-feira (20), com investidores monitorando a escalada do conflito no Oriente Médio.
Nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã mantém mercados sob pressão, mas acenos a uma possível trégua amenizam aversão ao risco. Nesta sessão, o petróleo Brent ronda a estabilidade, cotado a US$ 88 o barril.
Às 12h49, a moeda norte-americana caía 0,38%, cotada a R$ 5,090. Já a Bolsa tinha variação positiva de 0,11%, a 173.910 pontos.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda que atingiu alvos militares americanos em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios de Washington contra cidades iranianas.
Esse é o nono dia consecutivo de ataques. Ofensivas de ambos os países enterraram o cessar-fogo firmado no mês passado, após acusações mútuas relacionadas ao controle iraniano sobre o Estreito de Hormuz.
A nova fase da guerra deslocou de vez o foco para a via marítima, responsável pelo transporte de um quinto de todo o petróleo produzido no mundo. O fechamento do Estreito pelo Irã e ataques a navios petroleiros reacenderam pressões sobre o preço da commodity, que foi à mínima de US$ 70 o barril após o cessar-fogo e voltou ao patamar de US$ 90 no final de semana.
Nesta sessão, o petróleo Brent, referência internacional, oscilava em estabilidade, cotado a US$ 88. Sinalizações de um possível acordo arrefecem as tensões no mercado e o colocam em compasso de cautela.
Tanto EUA quanto Irã sinalizaram que estariam dispostos a retomar as negociações para chegar a uma trégua definitiva.
Um funcionário de alto escalão do Irã afirmou à agência Reuters que mediadores do conflito apresentaram à Teerã uma proposta para conter a escalada do conflito com os EUA. O plano prevê um cessar-fogo de dez dias para que as partes tentem retomar o acordo provisório fechado no mês passado.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou a jornalistas nesta segunda-feira que o país recebeu propostas para reduzir as tensões, mas não forneceu detalhes. O presidente Masoud Pezeshkian disse que o país está em uma “guerra em larga escala” com os EUA.
Segundo a agência AFP, o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, deve viajar nesta segunda para a capital do Paquistão, país que atua como mediador no conflito.
O governo de Donald Trump também sinalizou uma disposição cautelosa para iniciar novas negociações. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse a jornalistas na noite de domingo (19) que “se essa porta se abrir, ficaremos felizes em vê-la aberta”. No entanto, acrescentou que o “comportamento do Irã precisa mudar para que o nosso também mude”.
Por outro lado, num aumento de tensão, os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram que estão impondo um bloqueio naval à Arábia Saudita, uma medida que abre uma nova frente de guerra contra os EUA e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.
“A tensão entre EUA e Irã segue sem solução definitiva, mas sinais recentes de abertura ao diálogo ajudam a conter uma reação mais forte dos ativos de risco globalmente”, diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No Brasil, afirma Shahini, “o desempenho reflete menos o cenário externo e mais a incerteza que segue pairando sobre o ciclo de corte de juros”.
O Boletim Focus desta segunda mostrou que economistas reduziram a previsão da inflação neste ano pela terceira semana consecutiva, mas em um ritmo menor do que nos levantamentos anteriores.
Os analistas ouvidos pelo BC (Banco Central) esperam que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) termine 2026 a 5,15%, apenas 0,01 ponto percentual a menos do que na semana passada. No último levantamento, a queda havia sido de 0,14 ponto percentual.
Mesmo com a diminuição, a previsão da inflação ainda segue acima do limite da meta, que é de 3% com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
Para a taxa Selic, a previsão para dezembro segue em 14% ao ano -apenas 0,25 ponto percentual abaixo do atual patamar, de 14,25% ao ano.
“O mercado segue esperando um corte da Selic para 14% já na próxima reunião, mas a curva de juros não reflete o mesmo otimismo para o horizonte mais longo, sinal de que ainda há dúvidas sobre até onde o ciclo de afrouxamento pode avançar. Essa indefinição tende a manter o câmbio e a Bolsa mais sensíveis a qualquer ruído, doméstico ou externo”, diz Shahini.
Nesta sessão, os juros futuros oscilam com leves altas. A taxa do DIs (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,115%, em alta de 0,01 ponto. Na ponta longa da curva a termo, o contrato com vencimento em janeiro de 2035 estava em 14,62%, com elevação de 0,03 pontos.
No mesmo horário, o rendimento do treasury de dez anos -título de renda fixa dos EUA, referência global para decisões de investimento- subia 0,02 ponto, a 4,564%.










