O Ministério do Interior de Marrocos atribuiu a entrada em massa de migrantes em Ceuta à desinformação espalhada pelas redes sociais, à atuação de grupos ligados ao tráfico de pessoas e à interpretação equivocada de normas legais e administrativas.
Segundo o governo marroquino, conteúdos enganosos levaram parte da população a acreditar que seria possível alcançar o território europeu com facilidade e sem consequências jurídicas.
Em comunicado citado pelo jornal Hespress, a pasta afirmou que as forças de segurança adotaram, desde o início, medidas de prevenção, ampliação da vigilância e reforço operacional. De acordo com o ministério, a estratégia permitiu controlar a situação, proteger vidas, preservar a ordem pública e reforçar a segurança nas fronteiras.
Os dados divulgados por Marrocos indicam que cerca de 40 mil pessoas tentaram entrar irregularmente em Ceuta. Outras 1.135 buscaram chegar a Melilla. Todos os migrantes que conseguiram alcançar Melilla foram repatriados, segundo o comunicado.
O ministério também relacionou o aumento das tentativas de travessia a uma decisão recente da Justiça espanhola. No início de julho, o Supremo Tribunal da Espanha determinou que pessoas que chegam ao país irregularmente pelo mar não podem ser devolvidas de forma imediata às autoridades de outro Estado.
A devolução direta continua permitida quando a entrada ocorre por meio da superação de barreiras físicas instaladas na fronteira, como cercas. Para o governo marroquino, a divulgação distorcida dessa decisão alimentou a percepção de que a entrada pelo mar impediria o retorno imediato.
Marrocos registrou um caso de morte acidental, provocado por uma queda em uma área rochosa próxima de Ceuta, e dez mortes por afogamento. Segundo o ministério, a curta distância em alguns pontos da travessia, inferior a 70 metros, e a baixa profundidade da água contribuíram para que muitos subestimassem os riscos.
As autoridades marroquinas e espanholas também abriram os postos de fronteira para permitir o retorno dos migrantes. A medida, segundo o comunicado, ajudou a reduzir a pressão sobre Ceuta e a restabelecer gradualmente a normalidade na região.
O Ministério Público de Marrocos abriu investigações para esclarecer as circunstâncias da crise, identificar responsabilidades e avaliar eventuais consequências legais.
O governo marroquino defendeu ainda que a gestão dos fluxos migratórios deve ser baseada na responsabilidade compartilhada, na cooperação internacional e na divisão de encargos entre os países envolvidos.
A pasta afirmou que Marrocos continuará atuando como parceiro da Espanha e de outras nações no combate à imigração irregular e ao tráfico de pessoas, com medidas voltadas à proteção das fronteiras, da ordem pública e da segurança da população.
Desde quinta-feira, milhares de migrantes partiram do território marroquino em direção a Ceuta. As autoridades locais espanholas estimaram a entrada de aproximadamente 60 mil pessoas, enquanto o governo de Madri contabilizou cerca de 50 mil.
A maior parte teria retornado voluntariamente ao Marrocos. As forças de segurança espanholas estimaram que aproximadamente 73,5 mil pessoas deixaram Ceuta desde o início da crise, embora o total possa incluir migrantes que já estavam na cidade antes da entrada em massa.
Pelo menos 72 pessoas morreram desde quinta-feira ao tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o balanço mais recente das autoridades espanholas.
Com cerca de 83 mil habitantes, Ceuta está localizada no Norte da África, na costa do Estreito de Gibraltar. Ao lado de Melilla, o território espanhol constitui uma das duas únicas fronteiras terrestres entre a África e a União Europeia.











