Letícia Laranja é protagonista de superprodução da Record
Interpretar uma protagonista costuma ser um desafio grandioso, mas estrear nesse posto está em outro nível, principalmente quando o papel é justamente o de uma das personagens mais controversas da narrativa bíblica. É esse o cenário que Letícia Laranja, intérprete de Gomer em Amor em Ruínas, da Record, inspirada no livro de Oseias, viveu.
Leia mais: “Ser artista no Brasil é um ato de coragem”, diz Leticia Laranja
Gomer está longe de ser a típica heroína. Na verdade, a situação é outra. Intensa, impulsiva e marcada por escolhas duvidosas, ela desperta julgamentos ao longo da história. No entanto, para Letícia, o maior desafio foi deixar qualquer condenação de lado para entender a personagem.
“O mais importante foi compreender a Gomer antes de qualquer julgamento. Quando a gente se permite mergulhar de verdade em uma personagem, acaba inevitavelmente encontrando partes de nós mesmos no caminho. Foi isso que aconteceu comigo. Muitos dos conflitos dela também existiam em mim, e compreender isso foi essencial para construir essa mulher da forma mais verdadeira possível”, afirma a atriz em entrevista ao iG.
Essa identificação pessoal fez com que Letícia conseguisse ver Gomer muito além das atitudes que podem causar estranhamento no público. De acordo com ela, a personagem representa dilemas que atravessam gerações.
“O que mais me fascinou foi justamente a humanidade dela. A Gomer desperta muitos julgamentos, mas, quando a gente compreende os conflitos que ela carrega, percebe que eles são profundamente humanos. Acho que é isso que faz com que tantas pessoas possam se reconhecer nela”, destaca.
Além disso, a atriz acredita que esse também será um dos principais pontos de conexão entre a história e o público. Para ela, Amor em Ruínas vai além da narrativa bíblica ao provocar uma reflexão sobre empatia e a forma como as pessoas são julgadas.
Letícia Laranja protagonista de Amor e Ruína
“Espero que as pessoas consigam enxergar a Gomer para além dos julgamentos. Acho que elas vão se reconhecer em muitos dos conflitos que ela vive, porque são conflitos profundamente humanos. É essa identificação que cria a conexão e faz com que a história continue ecoando muito depois que ela acaba”, pontua.
Para conseguir construir Gomer, Letícia conta que preferiu mergulhar mais fundo na própria personagem em vez de buscar referências externas. Assim, segundo ela, o processo acabou se tornando também uma jornada de autoconhecimento.
O meu processo passou muito por mergulhar profundamente na Gomer e compreender quem ela era. Quanto mais eu conhecia essa mulher, mais percebia que muitos dos conflitos dela também existiam em mim. Acho que essa é uma das maiores magias da atuação: compreender o outro a partir da nossa própria bagagem Letícia Laranja, protagonista da Record.
Portanto, mesmo ambientada em um contexto histórico distante, a atriz entende que a trama continua bastante atual justamente por tratar de sentimentos universais.
“O que mais me chamou atenção foi perceber que os conflitos da Gomer continuam muito humanos. Acho que é justamente isso que faz com que o público consiga se reconhecer nela, independentemente da época em que a história acontece”, explica.
Primeiro protagonismo e trabalho coletivo
Ainda que assumir pela primeira vez o posto de protagonista de uma produção desse tamanho tenha suas responsabilidades e importância, Letícia evita associar a posição ao peso de carregar uma obra inteira.
“Eu não acredito que ser protagonista seja carregar uma produção nas costas. Para mim, protagonismo é entender que esse é um trabalho em equipe. Construir uma relação de confiança com toda a equipe e compreender que esse trabalho é coletivo faz com que tudo aconteça de uma forma muito mais saudável e verdadeira“, declara.

Letícia Laranja protagonista de Amor e Ruína
A parceria com Murilo Cezar, intérprete de Oseias, também foi construída a partir desse olhar para a verdade da personagem. “A relação entre Gomer e Oseias é muito intensa e atravessa diferentes fases da história, com amor, conflitos e muitas provações. Durante todo o processo, o meu foco foi compreender profundamente quem era a Gomer e construir essa trajetória da forma mais verdadeira possível”, conta.
Já ao refletir sobre a trajetória de Gomer, marcada por recomeços, Letícia Laranja faz um paralelo com a própria profissão e a rotina de quem vive da atuação nos dias de hoje.
“Acho que a nossa profissão ensina muito sobre seguir em frente. Passar por testes, ouvir ‘nãos’ e bater na trave faz parte do nosso ofício. Quando surge uma oportunidade como essa, o mais importante é aproveitar ao máximo, me divertir e pegar esse fôlego para seguir o meu caminho”, diz.
Por fim, ela expôs o próprio desejo em relação ao impacto que a história pode causar em quem assistir à produção.
“Gostaria que as pessoas se reconhecessem na Gomer e percebessem que os conflitos dela são profundamente humanos. Se a história conseguir despertar essa identificação e fazer com que o público olhe para o outro com um pouco mais de compreensão, acredito que ela continuará ecoando muito depois que acabar“, conclui.








