ROGÉRIO PAGNAN E ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu nesta quinta-feira (13) apuração preliminar do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) que apontou divergências em versão do motorista supostamente seguido por viatura da Polícia Militar na última terça-feira (11).
Integrantes da cúpula da Segurança Pública afirmaram à reportagem que a apuração iniciada na manhã de quarta-feira (12) não havia encontrado até esta quinta-feira (13) indícios de que Haddad ou membros de sua equipe tenham sido constrangidos por policiais militares. A avaliação, porém, ainda é preliminar.
A investigação tenta esclarecer se divergências identificadas nos relatos são resultado de uma confusão sobre horários e locais ou se a dinâmica relatada não ocorreu da forma descrita.
Segundo eles, que falaram sob condição de anonimato, imagens de câmeras no entorno da casa do petista mostram uma viatura em circulação, em velocidade compatível com um patrulhamento normal da região. As gravações, ainda de acordo com eles, não mostram redução de velocidade nem a utilização de holofotes na direção de Haddad ou dos ocupantes dos veículos estacionados no local.
A apuração encontrou, na versão desses integrantes do governo Tarcísio, divergências entre a versão do motorista de Haddad e as imagens obtidas nos locais apontados por ele como pontos em que teria ocorrido uma perseguição e a abordagem policial.
Equipes responsáveis pela checagem foram aos endereços indicados pelo motorista de Haddad e analisaram imagens de câmeras de segurança. Segundo esses membros da cúpula da Segurança Pública, não foram identificados por enquanto nos registros a presença dele nos horários informados nem uma abordagem feita por PMs.
Em um dos relatos, o motorista afirmou ter parado no estacionamento de um hotel. As imagens verificadas, porém, mostrariam o veículo passando pelo estabelecimento sem parar.
Questionado sobre a divergência, ele teria indicado posteriormente outro local como possível ponto da abordagem. A análise de câmeras nesse segundo endereço também não encontrou, segundo essas pessoas, registros compatíveis com a versão apresentada.
Em agenda no município de Sertãozinho, no interior de São Paulo, Haddad afirmou a jornalistas que todas as informações foram prestadas, incluindo o hotel por onde teriam passado. “Indicamos a câmera precisamente. Pegaram imagem de uma outra câmera. O hotel fica numa numa esquina. Então ele tem ele tem duas frentes”, disse.
“Também tem Smart Sampa, também tem uma câmera da prefeitura ali, então não deve ser difícil apurar o que aconteceu”, afirmou Haddad.
O candidato também voltou a dizer que a polícia colocou uma luz dentro de seu carro e contestou a versão de que isso teria ocorrido devido a um roubo ocorrido na região após receber boletim de ocorrência de episódio com o horário das 23h.
“O que eu estou pedindo é uma boa explicação para isso, porque eu não acho correto no ambiente político que nós vivemos uma abordagem que não se explica.”
A Secretaria da Segurança Pública pretende confrontar os registros disponíveis antes de apresentar uma conclusão sobre o episódio. Uma nota sobre o caso deve ser divulgada ainda nesta quinta (13) com um posicionamento oficial.
Segundo a versão de Haddad, ele percebeu a presença de uma viatura quando voltava de uma aula magna na Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), no Largo São Francisco. Ele disse que, ao chegar em casa, na zona sul da capital paulista, uma luz teria sido direcionada para dentro de seu veículo.
O petista disse que ter estranhado a situação. O episódio mais preocupante, segundo Haddad, ocorreu depois, com o motorista dele, cujo nome não foi divulgado. “Meu motorista foi acompanhado de uma forma estranha, um pouco ostensiva, assim, emparelhar o carro, colar no para-choque traseiro, acompanhar, estacionar”, afirmou.
De acordo com o relato apresentado pelo petista, o motorista decidiu parar no estacionamento de um hotel na Vila Mariana para tentar entender o motivo do acompanhamento.
O motorista teria, então, perguntado aos PMs se havia algum problema e teria recebido uma resposta agressiva. Após permanecer algum tempo no local, a viatura teria ido embora, e o motorista seguiu para casa.
“O motorista estava muito abalado ainda hoje pela manhã”, afirmou Haddad. “Ele estava abalado até agora, porque tinham três fuzis dentro da viatura, as pessoas olhando para ele. Ele é um trabalhador.”









