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Ela casava, matava e seguia em frente: 11 maridos mortos em 20 anos

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
agosto 18, 2026
in MUNDO
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Ela casava, matava e seguia em frente: 11 maridos mortos em 20 anos

Uma iraniana acusada de transformar sucessivos relacionamentos em uma sequência de assassinatos foi condenada a dez penas de qisas, punição prevista pela legislação do Irã que, em casos de homicídio, pode resultar em execução. Kolthoum Akbari foi responsabilizada judicialmente pela morte de 11 homens ao longo de aproximadamente duas décadas.

A diferença entre o número de mortes e o de condenações à pena máxima ocorre porque dez famílias das vítimas exigiram o qisas. Os parentes de outro homem aceitaram abrir mão dessa punição mediante o pagamento de diya, compensação financeira também prevista na legislação iraniana. Akbari recebeu ainda dez anos de prisão por uma tentativa de homicídio.

O caso veio à tona somente em 2023, depois de anos de mortes que não haviam sido relacionadas entre si. A investigação começou a avançar quando suspeitas surgiram em torno de um dos últimos homens com quem Akbari se relacionou, um idoso de 82 anos. Ela foi presa em setembro daquele ano.

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Mortes eram tratadas como casos isolados

Segundo as investigações, Akbari se relacionava principalmente com homens mais velhos e, em diferentes ocasiões, estabelecia com eles casamentos temporários, modalidade conhecida no Irã como sigheh. Os relacionamentos podiam envolver o pagamento de dotes e outros valores.

As vítimas viviam em diferentes cidades da província de Mazandaran, no norte do país. Essa dispersão contribuiu para que as mortes fossem tratadas durante anos como episódios sem relação entre si. Muitos dos homens também eram idosos e apresentavam problemas de saúde, o que dificultou o surgimento de suspeitas imediatas.

De acordo com o processo, Akbari usava medicamentos e outras substâncias para deixar as vítimas debilitadas antes dos assassinatos. Em alguns casos, os homens eram sufocados.

Durante as investigações, a própria iraniana deu versões diferentes sobre o número de vítimas. Em uma declaração reproduzida pela imprensa, afirmou: “Não sei quantos matei. Não me lembro exatamente. Eu os dopava e depois usava uma toalha.”

O processo judicial, porém, registra 11 homicídios, uma tentativa de homicídio e outras duas mortes consideradas suspeitas, mas que não foram comprovadas como crimes cometidos por ela.

Homem que sobreviveu ajudou a revelar o caso

Uma das peças importantes da investigação foi o relato de um homem que sobreviveu após se relacionar com Akbari.

Segundo o advogado dele, o idoso percebeu que uma bebida preparada pela mulher tinha gosto estranho. Pouco depois, começou a passar mal e desconfiou do comportamento dela. O homem conseguiu reagir quando Akbari tentou sufocá-lo e posteriormente foi levado ao hospital. O episódio só voltou a ser investigado com maior profundidade depois que os demais crimes vieram à tona.

Após a prisão de Akbari, investigadores revisaram mortes anteriores e encontraram semelhanças entre os casos. Reconstruções dos crimes também foram realizadas durante o processo.

Dinheiro aparece como possível motivação

Parte das investigações apontou para uma possível motivação financeira. Os relacionamentos envolviam dotes, dinheiro e outros bens, e autoridades investigaram se a mulher escolhia homens com patrimônio antes de iniciar as relações.

A defesa, porém, contestou essa interpretação. Um dos advogados de Akbari afirmou à imprensa iraniana que não havia comprovação de que imóveis tivessem sido transferidos para o nome dela e alegou que a cliente apresentava problemas psiquiátricos. A perícia médico-legal, segundo o mesmo relato, não reconheceu a tese de insanidade apresentada pela defesa.

O caso reuniu mais de 60 familiares e outros envolvidos entre os denunciantes e representantes das vítimas, segundo um dos advogados que acompanha o processo.

Condenação prevê dez penas de qisas

A Justiça da província de Mazandaran condenou Akbari a dez penas independentes de qisas pelos homicídios e a dez anos de prisão pela tentativa de matar outro homem. A decisão foi confirmada publicamente pelo porta-voz do Judiciário iraniano.

No sistema iraniano, familiares de vítimas de homicídio podem exigir a aplicação do qisas ou, em determinadas situações, perdoar o condenado e aceitar uma compensação financeira.

Casal acreditava que o filho de 31 anos estava dormindo durante viagem pela rodovia A21, no norte da Itália. Ao parar o carro e tentar acordá-lo, os pais perceberam que ele não respondia. A causa da morte ainda será esclarecida

Notícias ao Minuto | 11:25 – 17/08/2026

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