ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA E BRUNO RIBEIRO
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – Candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) defendeu nesta quarta-feira (19) a investigação sobre as suspeitas em torno de Lulinha, filho do presidente Lula (PT), e de Marco Aurélio Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência.
“Sou a favor de passar a régua em quem quer que seja. Porque tem uma lei. Ela tem que ser respeitada. A pessoa errou? Eu não quero saber o partido, a religião, o time de futebol. Paga”, disse Haddad em sabatina promovida por CBN, O Globo e Valor Econômico.
Já Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Haddad, defendeu o ex-chefe de gabinete, conhecido como Marcola.
“Posso garantir que [Marcola] é uma pessoa extremamente idônea e hipersimples, humilde. Seria realmente, assim, meio que impossível nas condições que ele vive e que tem a vida dele, ter qualquer tipo de condição financeira diferente”, afirmou ao sair de evento na sede do TRE-SP (Tribunal Regionl Eleitoral de São Paulo).
Tanto o filho do presidente como o ex-chefe de gabinete negal ter cometido qualquer ato ilícito.
Na sabatina, Haddad foi questionado sobre o estigma associado ao PT de falta de ética e envolvimento em escândalos de corrupção. Também foi indagado sobre notícias de lobby em ministérios envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, seu ex-chefe de gabinete de Lula.
Neste domingo (16), a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, revelou que uma lobista amiga de Lulinha presenteou Marcola com joias de diamantes, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal no âmbito de investigações sobre suspeitas de fraudes do INSS.
Haddad se valeu do roteiro que costuma repetir ao ser provocado sobre questões como essa. Disse ser “difícil conseguir blindar [toda agremiação] da ação deletéria de pessoas interessadas em obter vantagens do serviço público”, mas defendeu a investigação. “A minha prática é essa: eu não quero saber quem é. Fez errado, paga.”
O ex-ministro também mirou o bolsonarismo e disse que nunca viu Lula interferir em apurações para favorecer pessoas próximas -em 2020, Sergio Moro, então ministro da Justiça, pediu demissão do governo de Jair Bolsonaro por suposta interferência política na corporação.
“Vale para todo mundo. O presidente Lula não vai mexer um dedo…”, reforçou o candidato. “Tem que apurar se a pessoa fez ou não fez mesmo. Uma coisa é você ter um amigo que… Outra é você ter dado um passo a mais e favorecido quem quer que seja.”
Questionado na sequência sobre a prisão do vereador do PT Senival Moura (SP), Haddad fez um paralelo com o adversário Tarcísio de Freitas (Republicanos), aludindo ao ex-prefeito de Embu das Artes (SP) Ney Santos (Republicanos), suspeito de elo com o PCC.
“Tem lá uma foto do Tarcísio com ele. Você vai falar do Tarcísio por causa de um prefeito do Republicanos?”
“O que eu acho? A polícia tem que cumprir o seu papel. Está livre para cumprir? Então, está todo mundo na mesma página. A Polícia Federal está sofrendo algum constrangimento para não cumprir a lei? Não. Então cumpra a lei. Ninguém está impedindo de cumprir a lei. Agora ouve o cara, pega as provas. Faz tudo bonitinho. E acabou.”










