O governo da Espanha começou a transferir nesta quinta-feira (20) migrantes que estavam dormindo ao ar livre em Ceuta para estruturas temporárias de acolhimento. A primeira etapa da operação disponibiliza cerca de 1.800 vagas e pretende oferecer abrigo a pessoas instaladas principalmente na praia do Trampolín e na região de Loma Colmenar.
A mudança para os novos espaços é voluntária e ocorre em uma ação coordenada entre o Ministério da Inclusão, Segurança Social e Migrações, as forças de segurança e o governo local.
Nesta fase, foram preparados locais em Loma Margarita e na área conhecida como El Embolsamiento. A capacidade deverá aumentar gradualmente à medida que outros espaços previstos pelo governo forem adaptados.
A iniciativa busca retirar os migrantes das condições precárias em que permaneciam desde a crise registrada no fim de julho. Parte deles vinha passando as noites em praias, ruas e áreas improvisadas, diante da sobrecarga das estruturas de acolhimento disponíveis na cidade.
Ceuta recebeu cerca de 72 mil pessoas em dois dias
A pressão sobre Ceuta aumentou após a entrada de aproximadamente 72 mil migrantes nos dias 30 e 31 de julho, em uma das maiores ondas migratórias já registradas no enclave espanhol. A maior parte retornou posteriormente ao Marrocos, mas milhares continuaram no território.
O deslocamento ocorreu principalmente pela fronteira com o Marrocos e também pelo mar. Pelo menos 82 corpos foram recuperados nas águas da região após as travessias.
A crise também foi acompanhada pela circulação de informações falsas nas redes sociais, incluindo mensagens que indicavam que os migrantes teriam acolhimento garantido na Espanha. Mais de uma centena de contas no Instagram com conteúdos relacionados ao tráfico de migrantes foram retiradas do ar após a mobilização de autoridades europeias, plataformas digitais e organizações de verificação.
Com cerca de 80 mil habitantes, Ceuta está localizada no norte da África, cercada pelo território marroquino. Ao lado de Melilla, a cidade autônoma espanhola forma uma das únicas fronteiras terrestres entre o continente africano e a União Europeia.











