“Tudo isso foi uma grande farsa orquestrada para tirar Jair Bolsonaro da vida pública”, declarou, na sexta-feira, o candidato do Partido Liberal, de extrema direita, em entrevista à Rede Globo, ao ser questionado se, caso vença as eleições, respeitará a democracia.
O ex-chefe de Estado Jair Bolsonaro (2019-2022) foi condenado, em setembro, a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por liderar uma tentativa de golpe contra o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, que o derrotou nas eleições de 2022.
Segundo o filho, o líder da extrema direita brasileira foi “julgado pelos seus inimigos” e, por isso, todos sabiam que ele seria condenado antes mesmo do fim do julgamento.
Agora candidato, Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-presidente foi condenado por crimes como destruição de patrimônio público, embora, em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de apoiadores de Jair Bolsonaro atacaram as sedes dos Três Poderes, seu pai estivesse nos Estados Unidos, “a milhares de quilômetros de Brasília”.
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que os manifestantes que participaram dos ataques foram condenados por formação de quadrilha, mesmo sem se conhecerem e sem que qualquer arma tivesse sido apreendida com eles.
“Claramente, tudo não passou de uma farsa orquestrada por juízes declaradamente inimigos de [Jair] Bolsonaro. Os juízes que o condenaram foram nomeados para o Supremo Tribunal Federal por Lula. Não foi um julgamento justo”, declarou o senador.
Flávio Bolsonaro acrescentou que, com o STF agindo politicamente, considera-se o único entre os atuais candidatos à Presidência capaz de restaurar a segurança jurídica no Brasil e de obrigar os ministros do Supremo a defender a Constituição.
“A perseguição continua até hoje. Até os jornalistas estão sendo alvo, e o sigilo de suas fontes não está sendo respeitado”, afirmou o candidato, citando uma recente decisão do Supremo que buscava identificar a fonte de uma reportagem sobre supostos abusos cometidos por um juiz.
Flávio Bolsonaro declarou ainda que, para reparar tudo o que aconteceu, vai promover uma anistia em benefício de Jair Bolsonaro e dos condenados por tentativa de golpe de Estado.
O senador, apontado pelas pesquisas como o principal rival de Lula nas eleições presidenciais e que, em algumas sondagens, aparece tecnicamente empatado com o líder progressista em um eventual segundo turno, negou ter feito qualquer ataque ao sistema eleitoral brasileiro ou às urnas eletrônicas.
Bolsonaro afirmou ainda que nunca questionou as urnas eletrônicas brasileiras e admitiu que estava errado ao afirmar que elas eram fabricadas por uma empresa venezuelana.
“Nunca questionei o processo eleitoral. Respeitarei o processo e as regras. Estou concorrendo dentro dessas regras e aceitarei o resultado”, disse o candidato.
Questionado sobre se aceitaria o resultado em caso de derrota, o senador afastou essa possibilidade e afirmou que venceria a eleição sem a necessidade de um segundo turno.






