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Conheça os autores que estarão na 28ª Bienal do Livro de SP

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
agosto 29, 2026
in LIFESTYLE
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Divulgação/Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Bienal

Nos últimos anos, a literatura brasileira contemporânea tem encontrado na internet um espaço cada vez mais amplo para criar história s, formar comunidades e aproximar autores de seus leitores. Antes mesmo de chegarem às prateleiras das grandes livrarias, muitos livros começam em plataformas digitais, conquistam milhares de leitores e dão origem a universos que ultrapassam as páginas.

É nesse cenário que a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reúne, entre os dias 4 e 13 de setembro, no Distrito Anhembi, autores, editoras, leitores e inúmeros gêneros literários. O evento nasceu com o objetivo de promover o encontro entre o público e os principais nomes do mercado editorial.

Divulgação/Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Bienal

Entre as autoras que estarão no evento estão nomes que ganharam espaço inicialmente por meio da publicação independente e das plataformas digitais. Patrícia Criado, Line Cunha, Victória Moon, Ariani Castelo, Helena Lopes e  Ives Ferro chegam à Bienal com trajetórias marcadas por fantasia, romantasia e literatura sáfica. 

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Uma delas, inclusive, revelou em primeira mão  ao iG , o título de seu próximo livro.

Patrícia Criado

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a história de Patrícia Criado começou de um jeito peculiar para uma autora de fantasia. Formada em Odontologia pela Universidade de Marília (Unimar), ela nasceu em Cáceres, no Mato Grosso, e atualmente mora em São Sebastião, no litoral paulista.

Patrícia Criado
Reprodução/Instagram

Patrícia Criado

Em 2021, durante a pandemia, Patrícia começou a publicar uma fanfic no Wattpad por puro hobby. Até então, como contou ao iG, sua experiência com textos se resumia basicamente às redações que havia produzido para o Enem, mas isso rapidamente mudou.

A autora conta que percebeu que tinha facilidade para escrever ao mesmo tempo em que descobriu que havia leitores interessados nas histórias que criava. Desde então, a escrita deixou de ser apenas uma atividade paralela e passou a ocupar o centro de sua vida profissional.

Um dos momentos que ajudaram Patrícia a perceber o tamanho que seu trabalho havia alcançado aconteceu justamente em uma Bienal. Ela se aproximou da influenciadora Kabook como fã e, ao se apresentar, descobriu que a criadora de conteúdo já conhecia Interion, obra que foi recomendada por seus próprios leitores.

Patrícia Criado livros
Reprodução/divulgação/izyncor

Patrícia Criado livros

Como é de se imaginar, a experiência teve um peso simbólico para a autora. Até aquele momento, ela acompanhava o crescimento de seu trabalho principalmente pelos números de leituras e comentários. Encontrar alguém que admirava e descobrir que seu nome já circulava entre leitores fez com que passasse a se reconhecer de outra maneira.

Acho que foi ali que comecei, de fato, a me reconhecer como escritora. Até então, eu ainda dizia que era dentista, porque era isso que estava escrito no meu diploma. Depois daquele momento, passei a dizer que minha profissão era escrever Patrícia Criado, autora de Interion.

Patrícia é autora de As Crônicas de Júpiter, série que começou com Interion e teve continuidade com Insaad. O terceiro livro da trilogia, Vínturis, está em desenvolvimento.

Sem revelar spoilers, ela contou ao iG que o terceiro volume tem um significado especial justamente por representar a despedida dos personagens que a acompanham há anos. 

“Meu coração aperta ao pensar que essa será a última vez que vou ouvir as vozes dos personagens na minha cabeça e acompanhá-los de pertinho. Sei que parece esquizofrenia, alguma entidade ou qualquer coisa igualmente preocupante, mas eu juro que é só a arte funcionando na sua forma mais crua”, confessa.

Segundo Patrícia, a história retoma elementos plantados desde o primeiro parágrafo de Interion e representa o encerramento da jornada que ela imaginou desde o começo. “Estou amando escrever esse encerramento e acredito que os leitores vão sentir isso em cada capítulo”, acrescenta.

A construção desse universo também é um dos grandes desafios de seu processo criativo. Interion ultrapassa mil páginas e reúne um worldbuilding extenso, com diferentes nações, fronteiras, culturas e personagens.

Mais do que criar mundos fantásticos, Patrícia que gosta de explorar a psicologia de seus personagens. “Eu gosto de abrir as feridas dos personagens e mostrar as marcas de como aquele tipo de trauma foi criado, assim como todas as formas como podem ser cicatrizados”, explica.

Entre os temas presentes em suas histórias estão pertencimento, preconceito, poder, família, culpa, luto, vícios e distúrbios psicológicos. Ao comentar sobre as dificuldades do começo da carreira e o que não abriria mão, a escritora destaca sua proximidade com os leitoress e sua criatividade.

“Algo de que eu não abriria mão é da proximidade com os leitores e da liberdade criativa sobre as minhas histórias. Gosto de ouvir teorias, acompanhar as reações e entender o que eles estão sentindo durante a leitura. E, ao mesmo tempo, quero continuar tendo coragem de escrever a história que acredito que precisa ser escrita, mesmo quando ela não segue exatamente o caminho que o leitor espera”, pontua.

Patrícia Criado estará na Bienal nos dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13 de setembro. 

Line Cunha 

Se a Bienal será um ponto de encontro entre autores e leitores, a participação de Line Cunha também chega acompanhada de uma novidade mais do que especial!

Em entrevista exclusiva ao iG, a autora revelou o título de seu próximo livro: Quase Colisão.

Line Cunha
Reprodução/Divulgação

Line Cunha

A obra será ambientada no chamado querido Frutaverso, universo literário criado por Line e que já reúne títulos como Segundo Clichê, Terceiro Croqui e Operação Convés.

A autora, de 27 anos, é paulista e formada em Jornalismo, mas atualmente trabalha em tempo integral como escritora. Sua relação com a escrita começou ainda na adolescência. Começou a escrever aos 12 anos, publicou várias fanfics aos 13 e produziu o primeiro original aos 16.

Segundo Clichê, primeiro livro do Frutaverso, foi também seu primeiro romance sáfico. Escrito entre os 21 e 23 anos, o livro chegou a cerca de 1,5 milhão de leituras no Wattpad antes de ser publicado de forma independente na Amazon, no final de 2023. Depois vieram Terceiro Croqui, em 2024, e Operação Convés, em 2025. As leitoras da série são conhecidas como “Frutinhas”.

A comunidade criada em torno das histórias acabou crescendo para além dos livros. Conforme explica Line, lançamentos, edits, fanarts e o envolvimento das leitoras fizeram com que ela percebesse que havia criado algo maior do que uma sequência de histórias impactantes.

Durante a conversa, Line revelou que a nova história, Quase Colisão, acompanha Madison, uma chef de cozinha, e Valencia, uma piloto de Fórmula 1 porto-riquenha. A relação começa depois de uma noite caótica entre as duas, e a autora faz questão de explicar que não é “naquele sentido”. “Quase Colisão representa a continuidade do estilo que Operação Convés estabeleceu e que veio para ficar de vez”, diz.

O novo livro também terá o retorno de personagens conhecidas pelas leitoras de Operação Convés, incluindo os irmãos Marín, além da apresentação de novos personagens, como a avó de Madison. Jasmine, prima de Madison e jornalista responsável pelo Foca Fofocando, também terá participação importante na trama.

Para Line, Quase Colisão mantém a identidade do Frutaverso, mas representa uma fase mais leve em comparação com os dois primeiros livros, que abordaram processos relacionados à cura de traumas.

Frutaverso nunca foi sobre curar traumas, e sim mostrar que há frutas, cores e vida depois Line Cunha, criadora do Frutaverso.

Ao comentar sobre os desafios de ser uma autora independente, ela destacou que foi difícil aprender a delegar. “Foi um pouco difícil admitir que talvez eu não dê mais conta e precise de ajuda, mas estou aprendendo a soltar um pouquinho das cordas”, revela.

Line Cunha
Reprodução/Divulgação

Line Cunha

Revendo o começo de tudo e a criação do Frutaverso, Line diz que isso aconteceu de forma natural ao incluir frutas nos livros, como melancia, abacaxi, pêssego, e no próximo, que será a uva.

“Minhas leitoras compraram tanto a ideia que hoje em dia até me pedem para escrever um livro com alguma fruta, sempre me contam que lembraram do Frutaverso quando encontram algum objeto de fruta, e por aí vai. Parece uma coisa muito boba, mas se tornou a nossa identidade”, declara.

Ainda sobre a comunicadade de leitoras, Line refletiu sobre ter construído algo que ultrapassava as histórias e personagens. 

“Acho que o último grande momento em que eu pensei que “minha nossa, construí algo grande” foi quando precisei fazer um clube de apoiadoras só para postar conteúdos inéditos relacionados ao Frutaverso. Foi ali que percebi que estávamos expandindo em todas as direções, e não só seguindo em frente e deixando os livros anteriores de lado. O Frutaverso deixou de ser só uma série de livros e se tornou um universo compartilhado, cheio de ramificações dentro das obras e fora delas”, relata.

Além da revelação exclusiva, Line estará na Bienal e os livros físicos do Frutaverso serão comercializados no estande H85 da Editora Vênus. A autora terá sessão de autógrafos no dia 6 de setembro, às 17h.

Victória Moon 

A literatura sáfica tem conquistado cada vez mais espaço, e Victória Moon é a prova disso. Nascida em Magé, no Rio de Janeiro, a jovem construiu sua própria trajetória.

O interesse pela escrita surgiu ainda na infância, influenciado pelo incentivo dos pais à leitura. Por volta dos sete anos, ela escreveu à mão um conto infantil em folhas de ofício. Mais tarde, passou pelas fanfics até publicar seu primeiro livro, em 2020. Entre suas obras mais famosas estão Caso Perdido, Monte Belalis e Georgia Rose.

Victória Moon
Reprodução/Divulgação

Victória Moon

Uma característica que atravessa sua produção é a presença de mulheres mais maduras. Victória conta que sentia falta de encontrar, na literatura sáfica, personagens que estivessem em fases mais avançadas da vida, já que muitas histórias do gênero eram protagonizadas por adolescentes ou mulheres no início da vida adulta.

Por isso, passou a inserir personagens mais velhas em suas histórias, incluindo mulheres com mais de 35 anos.

A representatividade também aparece em Monte Belalis, obra em que a autora aproxima romance, identidade e religião de matriz africana. Para Victória, a importância de contar essas histórias está justamente na possibilidade de identificação.

Ela espera que uma leitora possa encontrar nos livros elementos de sua própria vida e pensar que aquela história também poderia ser sua.

Eu gosto de escrever o que eu gostaria de ler. Não digo que eu só leio coisas onde eu me sinta representada, mas quero muito que Monte Belalis, por exemplo, possa alcançar meninas lésbicas e/ou de religião de matriz africana que possam ler aquilo e pensar ‘caramba, igualzinha a mim!’ Victória Moon, autora de Monte Belalis.

Segundo Victória, esse era um romance que desejava escrever há bastante tempo, mas que exigia uma maturidade literária e um público que ela ainda não tinha nos primeiros lançamentos. “Esse foi um livro que eu sempre quis escrever; um romance denso, cheio de dramas e altos e baixos”, destaca.

A publicação acabou abrindo novas possibilidades para sua carreira. Depois de anos trabalhando de forma independente, a autora também conquistou uma publicação tradicional pela editora Qualis. O próximo objetivo, segundo ela, é ampliar ainda mais o alcance de sua literatura, chegando às livrarias de diferentes partes do país e, futuramente, a leitores de outros países.

“Definitivamente, fazer o meu nome correr ainda mais por aí […] De ver vários títulos meus em diversas livrarias do país, de ter meus livros traduzidos para outros países, saber que a minha literatura rodou o globo para além da Amazon Brasil. É o que eu mais almejo!”, acrescenta.

Victória estará na Bienal nos dias 4, 5 e 6 de setembro.

Ariani Castelo

A fantasia também aparece na trajetória de Ariani Castelo, autora de O Abismo de Celina e Coração de Cristal Partido.

Ariani conta que sempre foi apaixonada pelo gênero. Ainda criança, gostava de se fantasiar de Xena, personagem de Xena: A Princesa Guerreira. Aos 14 anos, descobriu plataformas que permitiam publicar histórias na internet e escreveu uma narrativa sobre uma garota imortal.

A experiência fez com que começasse a enxergar a escrita como uma possibilidade profissional.

Ariani Castelo
Reprodução/Instagram

Ariani Castelo

Depois de períodos de afastamento da literatura, inclusive durante a faculdade de Letras, Ariani voltou a concentrar sua atenção na ficção. A trajetória também a levou a publicar O Abismo de Celina de forma independente.

O livro, que inicialmente foi pensado pela autora como uma maneira de conquistar leitores e abrir caminho para projetos futuros, acabou superando suas próprias expectativas. Segundo Ariani, a obra chegou ao Top 100 dos mais vendidos da Amazon e, poucos dias depois, ela recebeu uma proposta da Rocco. Dois anos mais tarde, o livro já havia alcançado milhares de exemplares vendidos.

Para mim, O abismo de Celina era um meio para alguma coisa, e não a coisa em si. Então, ver esse livro ficar no top 100 dos mais vendidos da Amazon e, poucos dias depois, receber uma proposta da Editora Rocco, foi a junção de uma série de coisas inesperadas, mas que me deixaram insanamente feliz e bastante incrédula Ariani Castelo, autora de O Abismo de Celina.

Enquanto O Abismo de Celina trabalha com uma fantasia mais intuitiva, um núcleo menor de personagens e a narração concentrada em Celina, o segundo livro apresenta um sistema mágico mais elaborado, uma corte com hierarquia própria e diferentes personagens relevantes para a trama.

Ariani também passou a narrar parte da história pelo ponto de vista masculino de Luka. O romance é construído em meio a vingança, ambição, intrigas de corte e um sistema mágico baseado em cristais.

“Também gosto de dizer que esses livros propõem, em certo ponto, perspectivas diferentes. Se O Abismo de Celina é uma história sobre encontrar beleza mesmo em cenários sombrios, Coração de Cristal Partido nos convida a olhar além da superfície”, explica.

Para a autora , a fantasia funciona como uma forma de colocar seus personagens em situações capazes de levá-los às suas melhores ou piores versões. “Eu sou muito atraída por mundos que desafiam meus personagens e intensificam seus conflitos”, afirma.

Entre as perguntas que guiaram a construção da história estão justamente os limites entre lealdade, amor e as marcas deixadas pelas experiências anteriores.

“No fim, o que me levou a essa mistura que coloca ambos em um cenário tão instável foram algumas perguntas: será que duas pessoas quebradas poderiam construir algo inteiro? Dois traidores poderiam ser leais um ao outro?”, questiona.

Ariani estará na Bienal nos dias 5, 6, 7, 12 e 13 de setembro, de acordo com as informações fornecidas ao iG.

Helena Lopes

Natural de São Luís do Anauá, em Roraima, Helena Lopes, de 28 anos, também construiu sua trajetória a partir da publicação independente. 

Autora de A Crisálida Dourada, Ignis Lacrimosa e da saga Rainhas do Olimpo, ela começou escrevendo poemas, passou pelas fanfics e, posteriormente, criou seus próprios universos.

Helena Lopes
Reprodução/Divulgação

Helena Lopes

A chegada de Ignis Lacrimosa à Rocco representa uma nova etapa de sua carreira. Em entrevista ao iG, Helena definiu a oportunidade como a realização de um sonho que começou quando publicou seu primeiro livro na Amazon.

Eu sempre tive muito orgulho de ser uma autora independente e de poder compartilhar espaço com outras escritoras, histórias fantásticas e poder encontrar leitores de forma tão direta, e quando essa oportunidade me foi apresentada, foi a realização de tudo aquilo que sempre sonhei desde o instante em que publiquei meu primeiro livro na amazon Helena Lopes, autora de Ignis Lacrimosa.

Ao mesmo tempo, ela não abandona a relação com a poesia. A autora explica que ainda escreve poemas e tenta levar para os livros atuais parte da poeta que foi no início da trajetória.

A fantasia, segundo Helena, oferece uma liberdade criativa que considera especialmente interessante: a possibilidade de criar algo que não precisa reproduzir o mundo conhecido.

Em A Crisálida Dourada, a protagonista Kalina desafia uma estrutura de poder que determina quem pode ter acesso à própria força. Para a autora, personagens como ela representam esperança e a possibilidade de romper estruturas. “Uma chama lutando para não se extinguir em tempestade”, destaca.

A chegada à editora tradicional também tem um significado especial para os leitores que acompanharam Helena desde o começo. Segundo ela, a publicação amplia a acessibilidade de suas obras, permitindo que o público encontre os livros nas livrarias sem depender exclusivamente da compra pela internet.

Ao comentar sobre a saga Rainhas do Olimpo, a autora diz que o livro de Eros e Psique fechará esse ciclo tão amado. “Me traz um sentimento bem agridoce, pois amo esse universo […] estou bem animada para que as leitoras leiam!”, conclui.

Helena estará na Bienal nos dias 4, 5 e 6 de setembro.

Ives Ferro 

A trajetória de Ives Ferro, autor de Notturna e A Melodia das Lágrimas de Sal, também representa uma mudança de posição dentro do universo literário: depois de passar anos falando sobre as histórias de outros autores, ele decidiu colocar as próprias narrativas nas mãos dos leitores.

Ives Ferro
Reprodução/Divulgação

Ives Ferro

Porém, o interesse pela escrita começou muito antes da publicação de seus livros. Durante a adolescência, Ives manteve uma página no Wattpad na qual publicava fanfics de novelas como Avenida Brasil e Rebelde, além de contos e histórias em formato de roteiro.

Quando decidiu cursar Jornalismo, a intenção era unir duas áreas que já faziam parte de seus interesses: dramaturgia e comunicação. A literatura continuou presente durante esse período e, em 2022, ele iniciou uma mentoria de escrita para aprender a estruturar o projeto de livro que desejava tirar do papel.

O primeiro resultado desse processo foi A Melodia das Lágrimas de Sal, publicado em 2025. “Gostei de todo o processo de construir uma história, desenvolver personagens e transformar uma ideia em um livro”, conta.

Agora, o livro ganha uma nova oportunidade. Relançado pela Editora Flyve, A Melodia das Lágrimas de Sal passou por uma revisão que, segundo Ives, permitiu que ele revisitasse o manuscrito com o olhar que desenvolveu depois da primeira publicação.

O autor explica que o contato com os leitores também foi importante para esse processo. A primeira edição, lançada em e-book, vendeu mais de 5 mil exemplares em aproximadamente três meses, segundo dados compartilhados por Ives ao iG. O retorno recebido nesse período ajudou a identificar aspectos da história que gostaria de modificar.

Ives Ferro
Reprodução/Divulgação

Ives Ferro

Quando a gente publica um livro, começa a receber muitos feedbacks e é quase inevitável surgir aquela vontade de voltar e mexer em determinadas coisas. Você pensa: ‘Nossa, hoje eu faria isso diferente’ ou ‘essa parte poderia funcionar melhor’. E eu tive essa oportunidade com A Melodia das Lágrimas de Sal Ives Ferro, autor de A Melodia das Lágrimas de Sal.

A nova versão terá uma estrutura narrativa diferente e, de acordo com o autor, será mais dinâmica, romântica e enxuta. “Estou muito grato por ter tido a oportunidade de revisitar uma história tão importante para mim e entregar aos leitores uma versão que representa melhor o autor que eu sou hoje”.

Antes disso, Ives também passou por outra transformação com Notturna. O livro, que hoje é apresentado como uma romantasia dark protagonizada por uma caçadora e um vampiro, não nasceu dessa forma.

A ideia original surgiu para um concurso do TikTok voltado a novos autores e foi inscrita na categoria de fantasia. Depois que o projeto não foi selecionado, Ives decidiu não abandonar a história e reescreveu o manuscrito.

Foi durante essa reconstrução que Notturna ganhou a atmosfera mais sombria que apresenta atualmente, incorporando elementos associados ao dark romance.

Para o autor, a possibilidade de trabalhar com elementos sombrios está justamente na liberdade de explorar personagens contraditórios. Em vez de separar facilmente heróis e vilões, ele se interessa por figuras moralmente questionáveis e pelos desejos e impulsos que normalmente são reprimidos.

Ives afirma que gosta de criar universos com regras próprias porque essa liberdade permite construir situações que, mesmo completamente inventadas, podem levar o leitor a questionar a própria realidade.

Na Bienal do Livro de São Paulo, o autor terá uma presença especial. No dia 6 de setembro, às 10h, ele participará de uma atividade no estande Virtual, K51, ao lado de Helena Lopes e outros autores . Já no dia 12 de setembro, às 16h, fará uma sessão de autógrafos de A Melodia das Lágrimas de Sal no estande A80.

Para conhecer: Thalissa Betineli

Mesmo não estando na Bienal de São Paulo deste ano, Thalissa Betineli também faz parte desse movimento de autoras nacionais que construíram comunidades de leitores em torno de diferentes gêneros.

Autora de Dominus, De Novo, Amor e 60 Dias com Ele, e tantos outros títulos, Thalissa conta que escreve desde pequena e decidiu se dedicar exclusivamente à literatura em 2016.

Thalissa Betineli
Reprodução/Divulgação

Thalissa Betineli

Sua produção passa por diferentes vertentes do romance, incluindo comédia romântica, dark romance e romantasia.

A mudança de perspectiva sobre a própria profissão também alterou sua maneira de escrever. Se a Thalissa adolescente enxergava a literatura principalmente como passatempo, a autora de hoje encara cada projeto como uma carreira que exige estudo, planejamento e conhecimento do mercado.

Ela conta que atualmente se cobra mais durante o processo criativo e que cada palavra é pensada com maior cuidado.

No começo, quando não era uma carreira, eu podia testar mais, ter mais liberdade na criação e escrever sem técnica ou compromisso. Hoje, cada palavra é calculada, estudo muito mais antes de começar um capítulo e, quando crio uma história, me cobro e exijo um perfeccionismo em cada parte do livro Thalissa Betineli, autora de Dominus.

Foi justamente o desejo de voltar à fantasia que a levou a criar Dominus. Depois de anos trabalhando principalmente com romance contemporâneo, Thalissa decidiu revisitar ideias antigas que envolviam vampiros, piratas, fadas e dragões.

A partir de um rascunho envolvendo um dragão, ela desenvolveu o universo de Corrompidos. “Minha primeira história foi com vampiros criados ainda no Império Romano e que viviam nos dias de hoje. Acho que eu precisava voltar para a fantasia”, diz.

Em Dominus, Kairo e Sayuri vivem uma relação atravessada por guerra, poder e diferenças entre humanos e divindades. A autora afirma que seu interesse estava em explorar até onde os personagens seriam capazes de ir movidos pelos sentimentos.

O amor, nesse universo, não aparece apenas como salvação. Ele também pode ser destrutivo e levar os personagens a decisões extremas. Outro elemento de Kairo chama atenção: o personagem é cego. Thalissa explica que quis trabalhar a cegueira sem tratá-la como uma limitação que diminuísse seu poder.

Em um mundo governado por divindades capazes de manipular elementos e até a alma, os sentidos humanos não funcionam da mesma maneira. “Busquei mostrar que ser cego nunca foi uma limitação, e sim ter forças de outra maneira. Também de forma poética, a falta de olhos do Kairo se relaciona ao provérbio de pintar os olhos do dragão. Ele é o dragão da história, enquanto Sayuri era aquilo que ele nunca foi capaz de ser: humano”, explica.

Depois da recepção positiva de Dominus, a história de Corrompidos continuará em novos livros. Thalissa adiantou ao iG que o segundo volume aprofundará a importância da alma humana e apresentará novos personagens, além de explorar mais a trajetória de Haru Rei, a Divindade do Sol.

“Vamos conhecer mais a fundo Haru Rei, a Divindade do Sol, seus gostos peculiares e sua criação. Já o casal, Ica e Haru, teremos uma dinâmica muito mais intensa do que a de Kairo e Sayuri, e vamos acompanhar desde o começo essa relação que nasceu do ódio”, revela.

A autora também confirmou que Dominus ganhará uma versão física pela Editora Fruto Proibido.

Bienal do Livro de São Paulo

A Bienal será realizada no Distrito Anhembi, na Avenida Olavo Fontoura, 1209, em Santana, São Paulo, entre 4 e 13 de setembro. A sexta-feira, 4 de setembro, terá visitação das 9h às 22h.

No sábado, 5, e no domingo, 6, o horário será das 10h às 22h. Entre 7 e 11 de setembro, o funcionamento será das 9h às 22h. No sábado, 12, novamente das 10h às 22h, e no último dia , domingo, 13, das 10h às 21h. O acesso ao evento é permitido até uma hora antes do encerramento.

Bienal
Divulgação/Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Bienal

Os ingressos diurnos de segunda a quinta-feira custam R$ 40 a inteira e R$ 20 a meia-entrada. Às sextas, sábados e domingos, os valores são de R$ 42 e R$ 21, respectivamente. Também existe ingresso noturno de segunda a quinta-feira, com entrada a partir das 17h, por R$ 30 a inteira e R$ 15 a meia. A organização oferece cashback associado às modalidades de ingresso, conforme as regras divulgadas no site oficial.

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