TikTok
O TikTok já rotulou mais de 1,3 bilhão de vídeos como conteúdo gerado por inteligência artificial, além de ter aumentado em 340% a fiscalização sobre mídias sintéticas. A medida da plataforma acompanha um cenário em que 52% dos vídeos publicados contam com algum elemento de IA, segundo levantamento da companhia de tecnologia americana Dynamoi. A tecnologia, que já domina a rotina de produção audiovisual, mudou a forma como artistas e marcas falam com o público no aplicativo.
Segundo levantamento da consultoria Dynamoi, 52% dos vídeos publicados no TikTok contam com algum elemento de IA
Segundo Cleiton Paris, cofundador da Paris Group, venture studio especializado em inteligência artificial, os 52% incluem qualquer uso da tecnologia, desde um filtro automático até um vídeo feito do início ao fim feito por IA. O levantamento da Dynamoi, portanto, não separa os diferentes usos do sistema inteligente. Na avaliação do especialista, os vídeos totalmente sintéticos não engajam por si só e deixaram de ser novidade, sustentando que “Quando esse formato vira volume sem critério, a pessoa não se engaja”.
Vídeo feito por IA mal feita perde engajamento. É conteúdo vazio. Não vende. Não dá motivo para continuar seguindo o canal e assistindo o que vem depois. Quem enche o perfil disso acaba se prejudicando. Cleiton Paris, cofundador da Paris Group

Sede do TikTok na Califórnia
O comércio on-line é, sem sombra de dúvidas, o terreno onde a inteligência artificial mais avançou. No TikTok Shop, loja integrada ao aplicativo, algumas marcas e o próprio algoritmo abrem espaço para vídeos com influenciadores e produtos de IA, conforme apuração do site americano Business Insider.
O sistema automatizado de publicidade do TikTok, conhecido como GMV Max, está impulsionando a exibição de vídeos de produtos gerados por inteligência artificial nos feeds dos usuários. Esse mecanismo automatizado prioriza a eficiência e o volume de produção de baixo custo, o que altera o ecossistema do TikTok Shop. Business Insider

Segundo levantamento da consultoria Dynamoi, 52% dos vídeos publicados no TikTok contam com algum elemento de IA
De acordo com o veículo de jornalismo digital da Califórnia, nos Estados Unidos, um criador que usa IA teria movimentado dezenas de milhares de dólares em vendas por afiliação, atingindo principalmente os perfis de venda direta e usando de roteiros repetitivos sobre promoções relâmpago.

Segundo levantamento da consultoria Dynamoi, 52% dos vídeos publicados no TikTok contam com algum elemento de IA
Para a Paris Group, o caminho que gera valor é misto, com uma pessoa na câmera e a inteligência artificial na edição, formato que eleva a qualidade e abre espaço para quem se especializa. Quando se analisa o aspecto mercadológico das marcas, segundo Cleiton, o retorno maior ainda vem de vídeos simples com o dono ou representantes da empresa, reforçando que “Gera mais atenção, mais confiança. A audiência volta”.
A tendência que gera valor é mista: pessoa na câmera, edição com IA. A qualidade sobe e gera trabalho bom. Cleiton Paris, cofundador da Paris Group

TikTok
Questionada sobre os erro mais comuns no uso da inteligência artificial, a venture studio especializada na tecnologia indicou que o equívoco frequente da maioria é produzir vídeos só para preencher o feed da rede, reiterando que não se leva em conta a relação com o público ou o produto a ser vendido.
O erro mais comum é gerar vídeo só para ocupar espaço. Sem contexto da marca. Sem público. Sem relação com o produto que está à venda. Nós estamos sempre vendendo alguma coisa. Muita gente que gera o conteúdo não sabe o que está sendo vendido.

TikTok
As preocupações com o uso indiscriminado da inteligência artificial crescem a cada dia. Na esfera regulatória, a União Europeia já avança em leis que exigem aviso quando um anúncio usa personagens sintéticos. Segundo as normas da rede social, o TikTok permite IA generativa desde que o conteúdo seja identificado e não distorça o produto. Por fim, a plataforma também proíbe a imitação de pessoas reais e o desrespeito a direitos autorais.
Confira a íntegra da entrevista com Cleiton Paris, cofundador da Paris Group
Redação do iG: O que exatamente conta como “elemento de inteligência artificial” no levantamento da Dynamoi? Um filtro de edição automático entra na mesma conta que um vídeo inteiramente gerado pela tecnologia?
O 52% considera tudo. Filtro, edição automática, vídeo feito 100% por IA. A pesquisa junta esses formatos e não divulga o recorte: quanto é filtro, quanto é clipe inteiro gerado. Por isso o número assusta. Mistura quem só passou um filtro com quem fabricou o vídeo do começo ao fim. Vídeo 100% por IA já tem bastante. Não está errado fazer. Só que já não é novidade. Está sendo banalizado. O ponto de verdade é outro. Quando esse formato vira volume sem critério, a pessoa não se engaja. É conteúdo vazio. Não vende. Não dá motivo para continuar seguindo o canal e assistindo o que vem depois. Quem enche o perfil disso acaba se prejudicando. Cleiton Paris, da Paris Group
Redação do iG: Existe um risco de saturação? O público tende a valorizar mais o conteúdo genuinamente humano, ou a diferença entre um e outro está deixando de importar para quem assiste?
Vídeo feito por IA mal feita perde engajamento. Isso não fecha o mercado. Abre espaço para quem se especializa. A tendência que gera valor é mista: pessoa na câmera, edição com IA. A qualidade sobe e gera trabalho bom. O problema é o volume. Conteúdo aumentou muito. Conteúdo ruim também. O espaço pela atenção ficou mais competitivo. Destacar um vídeo bom ficou mais caro. A exigência de qualidade para o profissional ficou maior. Cleiton Paris, da Paris Group
Redação do iG: Na perspectiva mercadológica das marcas, qual a aplicação concreta em IAs que mais dá retorno atualmente?
Na marca, o que ainda dá mais retorno é vídeo simples. Natural. Com as pessoas da empresa: o dono, quem representa a marca. Isso gera mais atenção, mais confiança. A audiência volta. Quem assiste precisa sair com alguma coisa. Conhecimento ou entretenimento. É isso que engaja. Polêmica também engaja. A IA entra na edição. A cara continua sendo de gente real. Sem valor para a audiência, o vídeo não vende e não constrói marca. Cleiton Paris, da Paris Group
Redação do iG: Onde estão os erros mais comuns de quem adota IA sem critério, seja em questão de imagem ou de confiança do consumidor?
O erro mais comum é gerar vídeo só para ocupar espaço. Sem contexto da marca. Sem público. Sem relação com o produto que está à venda. Nós estamos sempre vendendo alguma coisa. Muita gente que gera o conteúdo não sabe o que está sendo vendido nem para quem. O resultado é volume. Não é valor.








