Os irmãos Menendez, que se encontram cumprindo pena pelo homicídio dos pais, em 1989, terão uma audiência de aptidão para liberdade condicional antecipada, provisoriamente marcada para março de 2027, foi anunciado esta segunda-feira (7).
“Há quase 40 anos que o Erik e o Lyle têm-se empenhado em assumir a responsabilidade pelas suas ações, em enfrentar e superar os abusos e traumas inimagináveis que sofreram, em crescer como pessoas e em dedicar-se a servir os outros. […] Erik e Lyle foram outrora condenados a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Estaremos sempre profundamente gratos pelo fato de terem sido reavaliados e de a nossa família poder agora imaginar um futuro em que eles voltem a fazer parte do nosso cotidiano”, assinalou a família dos norte-americanos, em uma declaração à KABC, parte da ABC News.
A missiva apontou ainda que, durante as mais de três décadas na prisão, os irmãos criaram um programa de cuidados paliativos e lançaram um projeto de embelezamento no Estabelecimento Prisional Richard J. Donovan, que tem como objetivo substituir os pátios austeros por ambientes semelhantes a parques, com base no modelo norueguês.
Erik e Lyle Menendez foram condenados em 1996 a prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional, pelo homicídio dos pais, José e Kitty Menendez, na casa da família, em Beverly Hills. No entanto, familiares pediram durante anos para que as sentenças fossem revistas e para que os irmãos fossem libertados. Em maio de 2025, Erik e Lyle ficaram aptos para liberdade condicional, depois de as sentenças terem sido revistas para penas de 50 anos a prisão perpétua.
Ainda assim, os irmãos viram os seus pedidos de liberdade condicional serem recusados, em agosto daquele ano, por infrações cometidas na prisão, incluindo posse ilegal de celulares. Além disso, Erik Menendez teria, supostamente, estado ligado a um gangue prisional.
Nessa linha, a Comissão de Liberdade Condicional da Califórnia considerou que Erik e Lyle não eram candidatos adequados, devido à sua conduta na prisão, apesar de a família alegar que eram reclusos exemplares.
Vale destacar que os irmãos podiam solicitar uma nova audiência junto da Comissão de Liberdade Condicional da Califórnia em agosto de 2028.
Lyle Menendez, então com 21 anos, e Erik Menendez, na época com 18 anos, admitiram que balearam fatalmente o pai, um executivo da indústria de entretenimento, e a mãe, supostamente por temerem que estivessem prestes a matá-los para impedirem que se descobrisse que José Menendez tinha abusado sexualmente do filho mais novo durante anos.
Os irmãos Menendez foram julgados duas vezes pelos homicídios dos pais, tendo o primeiro julgamento terminado com um júri empatado. Os procuradores da época alegaram que não havia provas de abuso sexual e muitos detalhes do seu histórico de abuso sexual não foram permitidos no segundo julgamento. O gabinete do procurador do Ministério Público também defendeu que os irmãos pretendiam apoderar-se do patrimônio multimilionário dos pais.
O restante da família implorou pela libertação dos irmãos, dizendo que mereciam ser livres depois de mais de três décadas atrás das grades. Vários familiares defenderam que, no mundo de hoje, que está mais consciente dos impactos dos abusos sexuais, os irmãos não teriam sido condenados por homicídio em primeiro grau e sentenciados a prisão perpétua. Caso disso é Joan Andersen VanderMolen, irmã de Kitty Menendez e tia de Erik e Lyle, que apoiou publicamente a libertação dos sobrinhos.
Porém, nem todos concordam. Na época da revisão da sentença, os advogados de Milton Anderson, irmão de Kitty Menendez, apresentaram uma ação pedindo ao tribunal para que mantivesse a pena original.
“Dispararam sobre a mãe, Kitty, recarregando [a arma] para garantir a sua morte”, disseram os advogados de Anderson, em comunicado. “As provas permanecem esmagadoramente claras: o veredicto do júri foi justo e a punição ajusta-se ao crime hediondo”, alegaram.










