LEONARDO VOLPATO
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – Bernard d’Ormale, 85, viúvo de Brigitte Bardot (1945-2025), afirma que ficou fora do testamento da atriz francesa e que precisou deixar La Madrague, propriedade em Saint-Tropez onde viveu com ela por mais de três décadas.
Em entrevista, ele descreveu a mudança para um apartamento de 29 metros quadrados destinado a idosos como uma experiência dolorosa. Bardot morreu em 28 de dezembro de 2025, aos 91 anos.
Segundo d’Ormale, o patrimônio da atriz foi destinado ao filho único dela, Nicolas-Jacques Charrier, e à Fundação Brigitte Bardot, criada para a proteção dos animais. Ele afirma que sugeriu não ser incluído no testamento para evitar acusações de que estaria interessado no dinheiro da companheira.
O viúvo diz, porém, que não imaginava que a decisão resultaria em sua saída da residência. Ele também relata que continua indo ao imóvel alimentar os gatos que vivem no local.
A situação envolve ainda a condição legal da união. D’Ormale afirma que o casamento religioso com Bardot, celebrado na Noruega, não foi registrado civilmente na França, o que, segundo ele, impediu seu reconhecimento como cônjuge para fins de herança.
O companheiro também diz que deveria ter assumido uma função mais ativa na execução do testamento para proteger o legado da atriz.
O viúvo voltou a criticar o leilão de objetos pessoais da estrela, realizado em Paris em 21 de setembro. Organizada pela casa Millon, a venda reuniu 285 lotes com itens provenientes das residências de Bardot e arrecadou cerca de R$ 5,5 milhões.
Entre os objetos estavam roupas, chapéus, óculos, móveis, instrumentos musicais e coleiras de cachorro. D’Ormale diz considerar a iniciativa desrespeitosa à memória da atriz e afirma que os pertences deveriam ter sido preservados.
A Fundação Brigitte Bardot, por sua vez, contestou a versão do viúvo sobre a venda. Em declaração à agência France-Presse (AFP), um porta-voz afirmou que o leilão foi aprovado em junho pelo conselho de administração, quando d’Ormale ainda presidia a instituição.
Ele respondeu que não havia compreendido que a operação incluiria objetos tão íntimos. A fundação também informou que a saída dele de La Madrague estava programada e que sua permanência no imóvel representaria um risco jurídico, já que Bardot havia doado a propriedade à entidade em 1992.









