Receitas dos anos 80 voltam repaginadas aos casamentos
O cardápio dos anos 80 está de volta ao menu dos casamentos com um toque repaginado. Estrogonofe, preparações com camarão, mesas de frios mais fartas, sabores com abacaxi e outras receitas referência das festas em família estão reaparecendo nos eventos, segundo observam os parceiros do iCasei, plataforma líder na América Latina em sites de casamento e listas de presentes virtuais.
Às vezes, as solicitações dessas receitas partem dos pais ou dos avós, que sustentam a lembrança de um prato que fazia parte das comemorações de outra época. Em muitos momentos, os próprios noivos fazem questão de incluir algo personalizado, que carregue uma história afetiva para o casal.
Para Tatiana Guimarães, parceira do iCasei e proprietária do Vicenza Buffet (VB Festas e Eventos), que atua no Rio de Janeiro, esse movimento reflete o comportamento atual dos noivos. “Algumas receitas que durante um período foram consideradas ‘antigas’ estão voltando justamente pelo lado afetivo. A diferença é que hoje elas chegam com uma apresentação mais contemporânea e, muitas vezes, com uma execução mais delicada”, comenta.
Para Xarbel Pimenta, também parceiro do iCasei, que atua há 12 anos com cerimoniais e outros 10 com buffet, essas r eceitas são muito solicitadas em cardápios de culturas regionais. “Geralmente, os pedidos são dos noivos, para relembrar a infância ou até mesmo para agradar aos pais”, aponta.
Sofisticação, comida reconhecível e variedade
Mas não é apenas o resgate afetivo que está em alta no momento. Os especialistas apontam que os noivos buscam cardápios sofisticados e, ao mesmo tempo, democráticos.
Eles querem comida bonita, claro, mas principalmente comida gostosa, que os convidados reconheçam e realmente tenham vontade de comer. Pratos com camarão, massas, carnes e acompanhamentos mais elaborados têm uma procura muito grande. Existe também uma preocupação cada vez maior em oferecer variedade e criar uma experiência gastronômica durante toda a festa Tatiana Guimarães
O serviço americano é um formato que segue muito forte nas decisões dos noivos pela praticidade, pois oferece variedade e dá liberdade ao convidado. No entanto, o VB Festas e Eventos nota um crescimento das ilhas gastronômicas e dos finger foods, opção ideal para casais que desejam uma festa mais dinâmica. Como solução, Tatiana costuma sugerir a mescla dos formatos: início com petiscos e entradas circulantes, seguido por um serviço principal e, por fim, uma estação temática ou lanche da madrugada.
“O casamento atual está menos preso a um único formato e isso deixa tudo muito mais pessoal. O cardápio deixa de ser apenas uma seleção de pratos e passa a contar um pouco da história daquela família”, reforça Tatiana.
Onde incluir as receitas afetivas?
Para Tatiana, a aplicação depende da proposta do prato: algumas receitas funcionam perfeitamente no cardápio principal, enquanto outras ganham muito mais força em uma ilha de comfort food ou no lanche final. “Gosto muito dessa ideia porque o convidado prova e, imediatamente, associa aquele sabor a alguma memória. Gastronomia em casamento também é afeto”, revela.
Receitas dos anos 80 voltam repaginadas aos casamentos
A sugestão de Xarbel é muito similar: “entram como ilhas ou empratadinhos nas entradas”. Segundo o profissional, o segredo do buffet é fazer uma releitura ou seguir à risca o passo a passo da receita, a depender do direcionamento do cliente.
O retorno da afetividade na cozinha
Em tempos de tantas opções culinárias e de um mundo cada vez mais agitado, as pausas e a volta ao passado estão sendo muito valorizadas. Ao resgatar as receitas das famílias dos anos 80, o buffet precisa, acima de tudo, manter sua essência. “É justamente esta fórmula que desperta a memória afetiva. O que fazemos é atualizar a execução e, principalmente, a apresentação”, pontua Tatiana.
A especialista defende uma preparação mais leve, um trabalho minucioso com as texturas, redução de excessos e o toque final na apresentação em louças, porções individuais ou pequenas montagens mais elegantes. “A ideia não é transformar tanto a receita a ponto de ela perder sua identidade. É fazer o convidado reconhecer aquele sabor de antigamente, mas perceber que ele está em um casamento atual”, finaliza.

Receitas dos anos 80
E o bem-casado?
Este é o clássico que nunca saiu de cena – e nem deverá sair. Ainda é a principal lembrancinha do enlace escolhida pelos casais. O que mudou bastante foi a apresentação: embalagens mais sofisticadas, cores seguindo a identidade visual do casamento, tecidos, laços, caixas e formas diferentes de montar a mesa. É uma tradição que conseguiu se atualizar sem perder o significado.







