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	<title>Diogo Assinger &#8211; JORNAL DA TARDE</title>
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	<description>Notícias do Brasil e do Mundo. No portal JORNAL DA TARDE você fica sabendo em primeira mão de notícias sobre tudo o que acontece no Brasil e no mundo. Informação relevante em primeiro ...</description>
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		<title>Diogo Assinger: A técnica mata ou salva? O estrangulamento policial após o caso  George Floyd</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Diogo Assinger]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2025 21:07:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Diogo Assinger No mês de junho de 2025, o Brasil foi abalado pela trágica morte do jovem Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, em Curitiba, vítima de estrangulamento e agressões físicas aplicadas por seguranças privados após a suposta tentativa de furto de um chocolate em um supermercado. O caso, que culminou no indiciamento [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Diogo Assinger</strong></p>
<p>No mês de junho de 2025, o Brasil foi abalado pela trágica morte do jovem Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, em Curitiba, vítima de estrangulamento e agressões físicas aplicadas por seguranças privados após a suposta tentativa de furto de um chocolate em um supermercado. O caso, que culminou no<br />
indiciamento de quatro pessoas, reacendeu o debate sobre o uso de técnicas de estrangulamento por forças de segurança, sejam públicas ou privadas. Nesse contexto, é pertinente revisitar o emblemático caso de <a href="https://gazetamercantil.com/estrangulamento-policial-por-diogo-assinger" target="_blank" rel="noopener">George Floyd</a>, cuja morte em 2020, sob o joelho de um policial em Minneapolis, desencadeou uma onda global de protestos e reformas legislativas sobre o uso da força policial, especialmente os<br />
estrangulamentos. Este artigo analisa criticamente tais reformas nos Estados Unidos, discute os impactos da proibição dessas técnicas e propõe reflexões sobre sua regulamentação no Brasil e no mundo.</p>
<p>Em 25 de maio de 2020, o mundo assistiu, estarrecido, à morte de George Floyd sob o joelho de um policial em Minneapolis. As imagens do episódio, amplamente divulgadas, desencadearam protestos em todos os estados norte americanos e acenderam uma urgente discussão sobre os limites do uso da força<br />
por agentes da lei. Tais protestos intensificaram o movimento Black Lives Matter e deram origem a uma onda de reformas legislativas que ficou conhecida como “Police Reform Wave of 2020”. Entre as medidas de resposta imediata, destacou se a proibição ou restrição dos chamados chokeholds — técnicas de<br />
estrangulamento utilizadas em abordagens policiais.</p>
<p>Nos meses que se seguiram, uma série de estados americanos aprovou leis que limitaram drasticamente o uso dessas técnicas, criando um marco legislativo na relação entre o Estado e o controle físico de seus cidadãos. No entanto, especialistas e agentes da lei têm se perguntado:<strong> a proibição do estrangulamento </strong><strong>realmente protege vidas ou, ironicamente, apenas retira do policial um meio</strong><br />
<strong>menos letal, tornando mais próximo o uso da força letal?</strong></p>
<h2>O cerco legislativo aos estrangulamentos (chokeholds)</h2>
<p>A comoção social e <a class="wpil_keyword_link" title="política" href="https://gazetamercantil.com/politica" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="2215" target="_blank" rel="noopener">política</a> levou a uma resposta legislativa veloz. Entre junho e julho de 2020, ao menos cinco estados aprovaram leis que proibiram ou restringiram fortemente o uso dos estrangulamentos por policiais.</p>
<h4>Minnesota: onde tudo começou</h4>
<p>Foi em Minnesota, palco da morte de George Floyd, que a reforma começou. O estado modificou seu estatuto criminal (Minnesota Statute § 609.06) por meio do Minnesota Police Accountability Act of 2020. Desde então, a utilização de estrangulamentos por agentes da lei passou a ser permitida apenas quando há justificativa legal para o uso da força letal. A <a class="wpil_keyword_link" title="nova" href="https://novacosmopolitan.com" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="2216" target="_blank" rel="noopener">nova</a> legislação define chokehold como qualquer pressão aplicada no pescoço, garganta ou traqueia que dificulte a respiração ou reduza o fluxo de sangue ao cérebro.</p>
<h4>Califórnia: resposta célere e abrangente</h4>
<p>A Califórnia também reagiu com agilidade. Em 2020, a Assembly Bill 1196 proibiu o uso das chamadas carotid restraints — técnicas que comprimem as artérias carótidas. Já em 2021, a AB 490 expandiu essa vedação para qualquer método que restrinja a respiração de maneira semelhante, mesmo que não se<br />
enquadre tecnicamente como restrição carótida. Ambas foram incorporadas ao Código do Governo da Califórnia § 7286.5.</p>
<h4>Nova York: tipificação penal severa</h4>
<p>Nova York adotou uma abordagem mais dura. Com a Eric Garner Anti Chokehold Act (em homenagem a outra vítima de violência policial), o uso de estrangulamentos por agentes passou a ser crime específico: o de “estrangulamento agravado”. De acordo com o Código Penal do Estado (§ 121.13a), o policial que causar lesão grave ou morte ao utilizar essas técnicas pode ser penalmente responsabilizado.</p>
<h4>Colorado: vedação absoluta</h4>
<p>O Colorado também agiu de forma firme. Através do Senate Bill 20-217, aprovado em junho de 2020, o estado incluiu no Código Penal § 18-1-707(2.5) a proibição expressa ao uso de estrangulamentos por policiais. A norma define a técnica de forma ampla, abrangendo qualquer pressão no pescoço que dificulte a respiração ou o fluxo sanguíneo cerebral.</p>
<h4>Connecticut: exceção para casos extremos</h4>
<p>Em Connecticut, a proibição veio com ressalvas. A Public Act No. 20-1 permite o uso de estrangulamentos apenas quando o policial está autorizado a empregar força letal. Ou seja, quando a vida do <a class="wpil_keyword_link" title="agente" href="https://majormodelbrasil.com" data-wpil-keyword-link="linked" data-wpil-monitor-id="2214" target="_blank" rel="noopener">agente</a> ou de terceiros está em risco iminente.</p>
<h3>Técnica letal ou opção menos gravosa?</h3>
<p>Embora pareça natural vedar o uso de uma técnica que pode causar a morte, a questão é mais complexa. A proibição generalizada retira do policial uma ferramenta menos letal intermediária, restringindo o leque de opções, que variam entre controle físico de baixo risco (instrumentos menos letais) e a utilização de<br />
armas de fogo &#8211; um salto perigoso na escala da força.</p>
<p>A comunidade especializada em artes marciais é uníssona ao afirmar que o estrangulamento, quando bem executado, pode ser seguro e eficaz, tanto no contexto <a title="Stabile dá cargos no Corinthians a ligados a Andrés e Duílio e gera incômodo" href="https://cbsbrasil.com/stabile-da-cargos-no-corinthians-a-ligados-a-andres-e-duilio-e-gera-incomodo" target="_blank" rel="noopener" data-wpil-monitor-id="80444">esportivo</a> quanto em intervenções policiais. No Jiu-Jitsu e no Judô, a perda temporária de consciência é controlada e raramente causa lesões, o que justifica a permissão do estrangulamento em competições oficiais — inclusive em categorias<br />
infantis, no caso do Jiu-Jitsu.</p>
<p>O problema surge quando há falta de preparo técnico dos agentes. Casos fatais envolvendo chokeholds, como o de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/George_Floyd" target="_blank" rel="noopener">George Floyd</a>, geralmente não envolvem policiais treinados em artes de agarramento, mas sim profissionais com força física, porém sem o domínio técnico necessário, o que leva à aplicação prolongada ou incorreta da manobra.</p>
<h3>Fisiologia do estrangulamento</h3>
<p>Existem duas formas principais de estrangulamento:</p>
<ul>
<li><strong>Restrição carótida:</strong> Pressiona os dois lados do pescoço, comprimindo as artérias carótidas. Pode levar à inconsciência em 4 a 10 segundos e à morte cerebral em 2 a 3 minutos.</li>
<li><strong>Obstrução das vias aéreas:</strong> Obstrui a traqueia ou as vias aéreas, impedindoa entrada de ar. A asfixia pode levar à morte em 3 a 5 minutos, dependendo da resistência da vítima e da força empregada.</li>
</ul>
<p>Ambas são potencialmente letais se mal aplicadas, razão pela qual foram banidas ou limitadas. Contudo, se aplicadas por um profissional treinado, podem resultar em controle eficaz sem danos permanentes.</p>
<h3>Um paradoxo jurídico</h3>
<p>A legislação norte-americana criou um paradoxo intrigante: enquanto civis ainda podem usar estrangulamentos em legítima defesa, os próprios policiais — cuja missão é proteger — estão legalmente impedidos de fazê-lo, mesmo em confrontos físicos onde o uso de força letal ainda não se justifica.<br />
Esse vácuo operacional pode gerar consequências indesejadas: policiais, sem opções intermediárias eficazes, acabam recorrendo mais cedo à arma de fogo. Nesse cenário, o banimento da técnica pode, ironicamente, aumentar o risco de mortes em intervenções.</p>
<h3>Um caminho possível: regulamentar, não proibir</h3>
<p>A experiência acumulada por profissionais das artes marciais e da segurança pública sugere uma solução mais equilibrada: regulamentar o uso dos estrangulamentos, associando seu emprego à capacitação técnica certificada.</p>
<p>Tal como acontece com armas não letais, como o TASER, a aplicação das técnicas de estrangulamento poderia ser permitida apenas a policiais treinados e habilitados. Ao invés de bani-la por completo, a técnica poderia ser valorizada como uma ferramenta de controle eficaz e menos letal, desde que empregada com perícia e responsabilidade.</p>
<p>A regulamentação e o treinamento adequados servem para proteger ambos os lados. Os policiais estão resguardados ao aplicar uma técnica de acordo com o treinamento estabelecido e as diretrizes oficiais. Ao mesmo tempo, os cidadãos estão protegidos contra o uso indevido da técnica, já que ela só pode ser aplicada por agentes qualificados. Isso reduz significativamente o risco de danos aos civis, bem como a probabilidade de erros trágicos ou consequências legais para os profissionais da segurança pública.</p>
<p>A morte de George Floyd expôs falhas profundas na relação entre polícia, força e justiça. A resposta legislativa foi rápida, mas, talvez, rápida demais. O amadurecimento legislativo exige tempo e reflexão — atributos raramente compatíveis com pressões midiáticas. Leis criadas sob forte comoção tendem a<br />
falhas técnicas.</p>
<p>O debate sobre o uso dos estrangulamentos (chokeholds) está longe determinar. Resta saber se a proibição irrestrita trará mais segurança para todos — ou se, na tentativa de evitar uma tragédia, outras poderão ser causadas.</p>
<h4>Sobre o Autor: Diogo Assinger</h4>
<p><img decoding="async" class="wp-image-882398 alignleft" src="https://gazetamercantil.com/wp-content/uploads/2025/09/Diogo-Assinger.jpeg" alt="Diogo Assinger" width="142" height="142" /></p>
<p><a href="https://cbsbrasil.com/diogo-assinger-a-tecnica-mata-ou-salva" target="_blank" rel="noopener">Diogo Assinger</a> é Policial Federal e Advogado, sendo Instrutor de Defesa Pessoal da Polícia Federal, faixa preta de Judô, instrutor de Jiu-Jitsu, ex-atleta de Wrestling estilo livre, graduado em Muay-Thai e outros. Ainda, é membro da International Association of Directors of Law Enforcement Standards and Training – IADLEST e da ASIS International, sendo ex-servidor da Justiça Federal Especializada. Atualmente cursa MBA em Gestão de Segurança Pública pela Universidade de Brasília &#8211; UnB. Atua e escreve na área de artes marciais, defesa pessoal, atividade policial e Direito.</p>
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