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Vi gente com cabeça explodida, diz à Folha brasileiro que testemunhou atentado em Sydney

Redação by Redação
dezembro 14, 2025
in MUNDO
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Estudante de gastronomia e nascido no interior do Rio de Janeiro, ele mora na Austrália há pouco mais de um ano e, como de costume aos finais de semana, pegou dois trens para chegar à praia de Bondi, uma das mais famosas e movimentadas do país. Em cerca de uma hora, chegou ao local, que “estava cheio, porque estava fazendo bastante calor”.

GABRIEL BARNABÉ
SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O brasileiro Daniel Silva Gonçalves, 19, estava na praia de Bondi, em Sydney, no momento em que terroristas iniciaram o ataque que matou ao menos 11 pessoas neste domingo (14). “Eu escutei dois barulhos. Todo mundo pensou que eram fogos [de artifício], mas eu sei identificar o barulho de tiro”, afirmou Daniel à Folha.

Estudante de gastronomia e nascido no interior do Rio de Janeiro, ele mora na Austrália há pouco mais de um ano e, como de costume aos finais de semana, pegou dois trens para chegar à praia de Bondi, uma das mais famosas e movimentadas do país. Em cerca de uma hora, chegou ao local, que “estava cheio, porque estava fazendo bastante calor”.

Ao chegar à praia, Daniel disse ter visto muitas pessoas e uma feira cultural. Ele se sentou, junto com uma amiga brasileira, próximo a uma roda de samba conduzida por conterrâneos. “A gente escuta português em todo lugar aqui. Tem muito brasileiro na praia.”

Quando começou a sequência de tiros, segundo Daniel, todos saíram correndo na mesma direção, da saída da praia. Ele estava há cerca de cem metros da ponte em que dois atiradores foram mais tarde rendidos. Ao ouvir os barulhos, ele conta ter visto os homens de longe.

“Essa ponte fica perto do ‘changing room’, onde tem um banheiro para trocar de roupa e o pessoal toma banho.” Em cerca de um minuto, conta Daniel, viaturas de polícia já estavam no local, que é constantemente patrulhado. Após cerca de cinco minutos, diz, já havia algo em torno de 15 viaturas perto de onde ele esteva e, minutos depois, um helicóptero começou a sobrevoar o local.

No meio do caminho, ele conta ter visto muitas pessoas chorando, baleadas e jogadas ao chão. “Foi muito triste. Eu vi criança chorando, gente com a cabeça baleada, com a cabeça explodida.”

O ataque foi classificado de “ato terrorista devastator” pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese. Daniel conta que, em cerca de 30 minutos, quando ainda estava na região da praia, já tinha visto publicações nas redes sociais que alertavam sobre o que acabara de acontecer.

Com a fuga em massa e o isolamento policial, ele relata ter sido impossível solicitar carro por aplicativo e, por isso, decidiu ir embora a pé com sua amiga. Ambos tentaram embarcar nos ônibus que passavam pela praia, mas não conseguiram.

Daniel chegou em casa cerca de três horas após o atentado na praia. “Pareceu um filme de terror”, afirma.

A polícia disse que duas pessoas foram detidas e, segundo a mídia local, um dos atiradores morreu. Pelo menos dois criminosos participaram da ação, mas as autoridades policiais investigam se um terceiro atirador esteve envolvido no atentado.

Albanese saudou, em seu discurso, aqueles que “põem suas vidas em perigo” para manter os australianos em segurança. Ele estendeu suas condolências às vítimas e familiares e destacou o rápido trabalho da polícia local.

“Este é um ataque direcionado contra judeus australianos no primeiro dia de Hanukkah, que deveria ser um dia de alegria, uma celebração da fé. Um ato de maldade, antissemitismo e terrorismo que assola o coração de nossa nação”, afirmou o premiê.

Daniel diz sentir que, na Austrália, todos são bem-vindos. Ele relata já ter visto discussões e “manifestação para todo lado” sobre a guerra entre Israel e Hamas. Também afirma, no entanto, que nunca se sentiu inseguro ou presenciou algo próximo do atentado deste domingo. “Os australianos são bem inclusivos para todo mundo.”

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