Zelensky disse que a delegação ucraniana para as negociações já está nos Estados Unidos para “continuar o diálogo com base nos pontos de Genebra”, que foram definidos na última semana
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que considera “viável” alcançar “nos próximos dias” um acordo para um “fim digno” da guerra com a Rússia.
“Os norte-americanos estão mostrando uma abordagem construtiva e é possível que nos próximos dias sejam concretizados os passos para determinar como pôr um fim digno à guerra” afirmou Zelensky, no seu habitual discurso ao fim de cada dia.
Zelensky destacou que a delegação ucraniana para as negociações já está nos Estados Unidos para “continuar o diálogo com base nos pontos de Genebra”, em uma referência às discussões que decorreram no fim de semana passado na cidade suíça e que também envolveram os aliados europeus de Kyiv.
“A diplomacia continua ativa (…). A delegação ucraniana tem as diretrizes necessárias e espero que os representantes trabalhem de acordo com as claras prioridades ucranianas”, afirmou.
Um responsável governamental dos Estados Unidos, citado pela agência noticiosa France-Presse (AFP), indicou entretanto que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o enviado especial do Presidente Donald Trump, Steve Witkoff, vão se encontrar neste domingo com a delegação ucraniana na Florida.
Estarão acompanhados por Jared Kushner, genro do Presidente Trump.
Estes contatos surgem após a apresentação por Donald Trump, nos últimos dias, de um plano para pôr fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
A proposta inicial de Washington, composta por 28 pontos, previa a cedência de territórios à Rússia, a redução de efetivos do exército da Ucrânia e a consagração da neutralidade ucraniana na sua Constituição, entre outros aspectos que são rejeitados por Kyiv.
No mesmo discurso, Zelensky também falou sobre o ataque russo “em grande escala” da noite passada com drones e mísseis que visou as infraestruturas elétricas ucranianas. “A Rússia não muda de tática e continua tentando infligir este tipo de dor à Ucrânia antes do inverno”, lamentou o chefe de Estado ucraniano.
No entanto, salientou Zelensky, o país está reagindo. “O importante é que estamos respondendo (…). Foram abatidos 19 mísseis, incluindo balísticos. Quase 560 drones também foram neutralizados, incluindo quase 300 Shahed (de fabricação iraniana). Infelizmente, nem todos foram abatidos. Trabalhar para reforçar as defesas antiaéreas é a prioridade número um”, frisou.
Nesse sentido, o líder ucraniano voltou a pedir a colaboração dos aliados, porque “nenhum país pode enfrentar isto sozinho”.
O objetivo é, prosseguiu, “aumentar a qualidade da nossa defesa antiaérea” e, para isso, “contamos com o apoio dos nossos parceiros”.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada em 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).






