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Execução do iraniano Erfan Soltani é adiada em meio a sérias preocupações

Redação by Redação
janeiro 15, 2026
in MUNDO
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Condenado à morte por participar de protestos contra o regime, jovem de 26 anos teve a execução suspensa sem nova data definida, enquanto ONGs alertam para julgamento sumário, isolamento da família e risco iminente de violações graves de direitos humanos.

A execução de Erfan Soltani, jovem iraniano condenado à morte após participar de protestos contra o regime do Irã, foi suspensa temporariamente, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira por uma organização de direitos humanos. A decisão ocorre em meio à crescente pressão internacional e a denúncias de julgamentos sumários contra manifestantes.

De acordo com a Hengaw Organization for Human Rights, que cita familiares do jovem de 26 anos, a ordem de execução comunicada à família e marcada para esta quarta-feira não foi cumprida e teve a aplicação adiada por tempo indeterminado. A entidade afirmou que seguirá divulgando atualizações verificadas sempre que novas informações forem confirmadas, apesar das dificuldades impostas pelo bloqueio da internet e pelas severas restrições de comunicação no país.

A Hengaw ressaltou que a interrupção dos serviços de internet no Irã impede o acompanhamento em tempo real do caso e dificulta a confirmação independente dos desdobramentos. Ainda assim, classificou o adiamento como um alívio momentâneo diante do risco iminente à vida do manifestante.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter sido informado por “fontes confiáveis” de que os planos de execução de manifestantes no Irã teriam sido interrompidos, apesar de sinais contraditórios emitidos por autoridades em Teerã.

Erfan Soltani foi detido na noite de 8 de janeiro, em sua residência, na cidade de Karaj, sob a acusação de envolvimento nos protestos contra o governo iraniano. Dias depois, segundo a Hengaw, familiares foram informados de que a execução ocorreria nesta quarta-feira, sem explicações adicionais.

Na terça-feira, um parente de Soltani declarou à BBC que a sentença de morte foi proferida em um processo considerado extremamente rápido, concluído em apenas dois dias. A irmã do jovem, que é advogada, tentou intervir no caso, mas foi informada de que não havia recursos possíveis. “Ele é apenas alguém que se opôs à situação atual do Irã e agora recebeu uma sentença de morte por expressar sua opinião”, afirmou um representante da Hengaw.

O adiamento ocorre em um contexto de endurecimento da repressão estatal. Na terça-feira, o Ministério Público de Teerã informou que um número não especificado de manifestantes será julgado por “moharebeh”, expressão em persa para “guerra contra Deus”, uma das acusações mais graves no país e que pode resultar em pena de morte.

Segundo a Iran Human Rights, o Irã ocupa a segunda posição mundial em número de execuções, atrás apenas da China. Em 2025, ao menos 1.500 pessoas foram executadas no país. Durante a onda de protestos entre 2022 e 2023, 12 manifestantes foram mortos após condenações capitais, além de outras 12 pessoas executadas por acusações de espionagem para Israel após o conflito entre os dois países.

A Iran Human Rights elevou para 734 o número de mortes confirmadas nos protestos atuais, mas admite que o total real pode chegar a milhares. A entidade também estima que mais de 10 mil pessoas tenham sido presas desde o início das manifestações, em 28 de dezembro.

A Human Rights Watch denunciou uma escalada da repressão no Irã e pediu que a comunidade internacional pressione Teerã a respeitar os direitos humanos e a cooperar com investigações das Nações Unidas. A organização alertou que o bloqueio da internet dificulta a apuração de execuções ilegais e outras violações cometidas durante a repressão.

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