O presidente Lula (PT) disse nesta segunda-feira (5) que carrega na campanha o desgaste causado pela crise de imagem do STF (Supremo Tribunal Federal). Também afirmou que seu adversário na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é “a cara do sistema”.
“Ele [Flávio Bolsonaro] é a cara do sistema. Nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso. Só tem um candidato que é antissistema, que somos nós. Não tem outro. E estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias”, disse o presidente da República.
O chefe do governo voltou a defender uma reforma no Judiciário. Além disso, disse que ministros da Suprema Corte não estão acima da lei. “Quando você chega numa situação em que a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave”, afirmou.
Lula deu as declarações em reunião com aliados realizada em Brasília. Foi a primeira atividade de campanha do petista após terminar o primeiro turno da eleição presidencial em segundo lugar, atrás de Flávio Bolsonaro.
Petistas dizem acreditar que o presidente da República sofreu desgaste político por causa da crise desencadeada pelo escândalo do Banco Master no STF. Lula não é citado no caso, mas foi próximo de ministros do Supremo ao longo de quase todo o atual mandato.
A análise entre petistas é que essa proximidade fez com que o eleitor associasse Lula ao caso Master. Além disso, o desgaste do STF deu força aos ataques feitos pela direita bolsonarista ao tribunal há anos.
Lula reconheceu publicamente que o público ao qual ele pode recorrer para tentar aumentar sua votação no segundo turno é limitado.
O petista mencionou o grande avanço que teve entre o primeiro e o segundo turno na eleição presidencial de 1989 e, depois, ressalvou: “Naquele tempo também tinha mais público para a gente disputar. O público está menor. Hoje, os chamados neutros estão menores”.
Além disso, o chefe do governo pregou contra a abstenção recorde na votação deste ano. A ausência do eleitorado historicamente prejudica mais os resultados de Lula do que os de adversários. O motivo é que os setores mais pobres da sociedade, onde o apoio ao petista é maior, são justamente os que têm mais chances de não comparecer às eleições.
“Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via”, questionou Lula.










