O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou em dúvida sua participação no debate presidencial da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), ao exigir que o senador Flávio Bolsonaro (PL) autorize a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Apesar da cobrança, as duas campanhas já assinaram as regras do encontro e confirmaram presença à emissora.
A declaração foi feita na terça-feira (20), durante um ato de campanha entre Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco. Lula afirmou que o adversário deveria apresentar um documento autorizando a abertura de seus dados antes de participar do confronto.
“Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou o presidente.
A fala levantou dúvidas sobre a realização do último encontro entre os candidatos antes do segundo turno, marcado para domingo (25). Até esta quarta-feira (21), porém, não havia confirmação de que Lula tivesse comunicado à Globo uma desistência.
Lula vai participar do debate da Globo?
Por enquanto, a participação dos dois candidatos continua confirmada.
Segundo informações divulgadas pela Exame, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro assinaram as atas com as regras do debate e comunicaram à emissora que concordavam com a dinâmica estabelecida.
A equipe de Lula já havia formalizado a participação anteriormente, enquanto a campanha de Flávio assinou o documento na segunda-feira (19).
A declaração feita pelo presidente na terça-feira, portanto, ocorreu depois da confirmação de presença.
Não há informação de que a Globo tenha estabelecido a abertura de sigilos como condição para participar do encontro.
Por que Lula está cobrando os sigilos de Flávio Bolsonaro?
O desafio começou no domingo (18), durante o primeiro debate do segundo turno, promovido pela Band.
Na ocasião, Lula e Flávio trocaram acusações sobre suspeitas de corrupção envolvendo pessoas próximas e familiares.
O presidente questionou o adversário sobre suas relações com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio, por sua vez, mencionou investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
Ao final do encontro, Lula propôs que ambos autorizassem a divulgação de seus dados financeiros e telefônicos para permitir a apuração das acusações.
“Todo mundo acusa todo mundo e não apura nada. Então, vamos apurar”, afirmou o petista.
Flávio rebateu a proposta e questionou a utilidade da abertura do sigilo telefônico do presidente.
“Ele propõe a quebra de sigilo telefônico quando ele não tem celular. Minhas contas estão sempre abertas, tudo o que é meu está declarado à Receita”, declarou o senador após o debate.
A resposta, entretanto, não representou uma autorização formal para a divulgação dos documentos.
Lula já apresentou o pedido à Justiça?
Sim. Na terça-feira (20), a campanha do presidente protocolou um requerimento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizando o acesso a seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos.
O pedido foi condicionado à adoção de medida equivalente por Flávio Bolsonaro.
A proposta também menciona familiares dos dois candidatos e empresas às quais estejam vinculados. A divulgação de dados de terceiros, porém, depende do consentimento dos respectivos titulares ou de uma decisão judicial fundamentada.
O ministro André Mendonça foi sorteado relator do requerimento no TSE.
A apresentação do documento não significa que os sigilos tenham sido efetivamente abertos. A Justiça Eleitoral ainda precisa analisar os limites legais da solicitação, já que a autorização voluntária de um candidato não obriga o tribunal a investigar ou publicar informações financeiras particulares.
Flávio Bolsonaro vai abrir seus sigilos?
Até o momento, o senador não apresentou uma autorização formal equivalente à de Lula.
Segundo reportagem do jornalista Túlio Amâncio, do SBT News, integrantes da campanha de Flávio afirmam que ele não pretende aceitar o desafio.
Os aliados consideram a proposta uma estratégia eleitoral para provocar desgaste na reta final da disputa presidencial.
“Lula não vai ter esse gostinho”, afirmou um integrante da equipe do senador ao jornalista.
A informação representa a avaliação de pessoas próximas à campanha, e não uma resposta oficial de Flávio ao TSE.
Que horas será o debate de Lula e Flávio na Globo?
O debate está marcado para sexta-feira (23), às 21h20, no horário de Brasília, logo após o Jornal Nacional.
O encontro será realizado nos estúdios da Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli.
A transmissão será feita ao vivo pela TV Globo, GloboNews e g1.
Como será o debate?
O confronto terá três etapas principais, além das considerações finais.
Na primeira, Lula e Flávio responderão a perguntas relacionadas às cinco regiões do Brasil, definidas por sorteio.
Na segunda, os candidatos escolherão seis entre dez temas apresentados pela produção. Entre os assuntos previstos estão o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ensino integral.
A terceira etapa será dedicada a perguntas de tema livre, permitindo que os candidatos escolham os assuntos que desejam discutir.
As regras também permitem que Lula e Flávio se movimentem livremente pelo estúdio durante suas intervenções. O documento estabelece que não haverá contato físico entre eles durante o debate, com exceção dos cumprimentos no início e no fim do programa.
As campanhas concordaram com essas condições antes da declaração de Lula sobre os sigilos. Até a última atualização, a Globo mantinha o debate previsto para sexta-feira, com os dois candidatos confirmados.










