BRASÍLIA, DF (JORNAL DA TARDE) – O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), anunciou que não será candidato à Presidência da República nas eleições de outubro. Segundo ele, o partido não terá um representante na corrida ao Planalto em 2026.
Ele deu as declarações em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo publicada na quarta-feira (8). A informação também foi confirmada à Folha.
Como mostrou a Folha, o PSDB cogitou lançar Aécio para a Presidência após o desgaste da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pela revelação de conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em que ele pediu dinheiro para um filme sobre seu pai.
A disputa de 2014 foi o último momento de grande destaque político de Aécio, quando acabou o segundo turno com 48,36% dos votos, contra 51,64% de Dilma Rousseff (PT), que foi reeleita. Posteriormente ele foi alvejado por denúncias em desdobramentos da Operação Lava Jato, junto com os principais líderes do seu partido, que começou a minguar desde então.
Na entrevista, Aécio também disse que seu partido não deve apoiar Flávio ou o atual presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno, permanecendo neutro. O deputado afirmou que “estamos prestes a assistir a eleição mais fratricida da história recente do Brasil”.
“Qualquer um que vença as eleições, infelizmente, nós vamos ter que nos preparar para mais quatro anos de um país dividido ao meio, porque essa divisão interessa aos dois extremos, eles se alimentam dela”, declarou.
Aécio Neves afirmou que ainda não decidiu sobre uma candidatura ao Senado, onde teve mandato de 2011 a 2019. Disse que se trata de uma “possibilidade”, mas que sua prioridade atualmente é “construir um partido para o Brasil e entregar isso a uma nova geração”.
“Não tomei uma decisão. Meu mantra é que política é a arte de administrar o tempo. Estou conversando muito em Minas, indo para lá nesta semana e novamente tem algumas possibilidades.”
Na mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada há três semanas, o tucano marcou apenas 2% das intenções de voto. Lula tinha 41%, e Flávio Bolsonaro, 31%. Aécio se destacou em marca negativa: teve uma das maiores taxas de rejeição do levantamento, com 23%.
O PSDB lançou candidatos em todas as disputas presidenciais de 1989 até 2018. Venceu duas delas, em 1994 e 1998, com Fernando Henrique Cardoso, e chegou ao segundo turno contra petistas quatro vezes, de 2002 a 2014.
Posteriormente, perdeu espaço político com a ascensão do bolsonarismo, que assumiu a condição de principal rival do PT. Na eleição de 2022, pela primeira vez os tucanos firmaram aliança para apoiar outro candidato no primeiro turno, com Simone Tebet, então no MDB. Também naquele ano, perderam a eleição estadual em São Paulo, depois de uma sequência de sete vitórias.
Em maio, em entrevista ao programa Frente a Frente, da Folha e do UOL, Aécio já havia indicado que havia muitos entraves para eventual candidatura do partido. “Se você me perguntar se esse projeto é viável, eu tenho muitas dúvidas.”
O PSDB chegou a cogitar também o lançamento do ex-ministro Ciro Gomes à Presidência, mas ele preferiu disputar o Governo do Ceará pelo partido.







