Um novo golpe da “falsa central bancária” tem usado dados pessoais, falsas identidades e situações de emergência para convencer clientes a movimentarem o próprio dinheiro e entregá-lo aos criminosos. Em um dos casos, um advogado do Paraná teve um prejuízo de aproximadamente R$ 600 mil, perdeu o dinheiro que estava na conta, teve o cheque especial utilizado e ainda sofreu a contratação de um financiamento em seu nome, segundo revelado pelo G1.
A fraude não depende de invasão de computador ou quebra de senha. O principal recurso dos criminosos é manipular a vítima para que ela mesma realize as operações. A abordagem pode começar por mensagem ou ligação aparentemente legítima. O golpista pode saber o nome do cliente, usar a foto do gerente e até utilizar um número de telefone associado ao profissional.
Em seguida, cria uma situação urgente, como uma compra ou transferência suspeita, ou afirma que a conta foi invadida. O objetivo é provocar medo e impedir que a vítima tenha tempo para desconfiar. Um especialista ouvido pelo Fantástico definiu a estratégia como uma espécie de “hackeamento da mente”.
Golpistas usam autoridade e urgência
A técnica combina principalmente dois gatilhos: autoridade e urgência. O criminoso pode se apresentar como gerente, funcionário da auditoria ou especialista em segurança e afirmar que existe um problema que precisa ser solucionado imediatamente.
Um dos argumentos usados é dizer que a conta será “totalmente zerada” caso a vítima não faça determinada operação em poucos minutos. Assim, a pessoa acredita que está seguindo instruções para proteger seu patrimônio, quando, na realidade, está ajudando o criminoso a movimentá-lo.
No caso do advogado paranaense, a abordagem começou com uma mensagem que parecia ter sido enviada pela gerente. A suposta funcionária perguntou se ele reconhecia um pagamento e enviou um comprovante com seu CPF e o valor da operação. Depois, informou que um especialista de segurança entraria em contato.
O contato seguinte era feito pelo próprio golpista. Durante a ligação, ele orientou a vítima a acessar códigos e realizar operações no aplicativo para supostamente cancelar transações suspeitas. “Começa a te envolver psicologicamente”, relatou o advogado.
Dados pessoais tornam a fraude convincente
Os criminosos podem ter acesso a nomes, CPFs, informações bancárias e outros dados. A tecnologia também pode tornar as abordagens mais convincentes, inclusive com a reprodução de vozes por inteligência artificial. Segundo um especialista, já houve relatos de vítimas que acreditaram estar conversando com o próprio gerente.
A fraude pode envolver quadrilhas divididas em funções. Alguns integrantes abordam as vítimas, enquanto outros obtêm dados, criam páginas falsas ou movimentam os valores roubados. Há ainda grupos de diferentes estados e pessoas que atuam fora do Brasil.
Após uma transferência, o dinheiro pode passar rapidamente por diversas contas para dificultar o rastreamento e a recuperação. Por isso, a rapidez para avisar o banco é importante.
Como evitar o golpe
A recomendação é desconfiar de contatos que criem urgência e peçam operações para proteger a conta. Bancos não solicitam transferências para supostamente cancelar transações ou proteger valores.
Senhas, tokens e códigos de segurança também não devem ser informados durante ligações recebidas. A orientação é interromper o contato e procurar o banco por canais oficiais, como o aplicativo ou o telefone indicado no cartão. A Febraban mantém um portal com informações sobre golpes e prevenção.








