A Apple entrou com uma ação judicial contra a OpenAI nesta sexta-feira (10), acusando a empresa de inteligência artificial de obter informações confidenciais por meio de ex-funcionários da fabricante do iPhone contratados pela startup.
O processo amplia a tensão entre as duas companhias, que haviam anunciado uma parceria em 2024 para integrar o ChatGPT aos produtos da Apple. Desde então, a relação entre as empresas teria se deteriorado.
A ação foi protocolada em um tribunal federal de San José, na Califórnia. No documento, a Apple afirma que a OpenAI adotou uma estratégia para extrair dados sigilosos da companhia.
Em nota, um porta-voz da OpenAI declarou que a empresa “não tem interesse em informações confidenciais de outras companhias” e afirmou que as acusações ainda estão sendo analisadas.
Além da OpenAI, o processo cita dois ex-executivos da Apple. Um deles é Tang Tan, cofundador da startup io Products ao lado de Jony Ive, ex-chefe de design da fabricante do iPhone.
A io Products foi comprada pela OpenAI em maio de 2025 por US$ 6,5 bilhões. A aquisição faz parte da estratégia de expansão da criadora do ChatGPT, que pretende lançar até 2027 uma linha de dispositivos voltados à inteligência artificial.
Segundo a Apple, Tang Tan teria levado documentos internos ao deixar a empresa, em 2024. Atualmente responsável pelo desenvolvimento de produtos físicos na OpenAI, ele também seria acusado de tentar obter informações adicionais durante processos seletivos com funcionários da Apple interessados em trabalhar na companhia de IA.
Outro ex-funcionário citado é Chang Liu. A Apple afirma que ele manteve dispositivos corporativos após sair da empresa, em 2026, e continuou acessando a rede interna da companhia.
No processo, a Apple reconhece que mais de 400 ex-funcionários da empresa trabalham atualmente na OpenAI e que, por isso, alguns deles podem ter conhecimento de informações protegidas.
“Não é surpreendente que alguns tenham acesso a dados confidenciais. Mas a OpenAI decidiu explorar essas informações”, sustenta a empresa.
A fabricante do iPhone afirma que os fatos identificados até agora representam apenas “a ponta do iceberg” e diz ter uma visão limitada do que ocorre dentro da OpenAI.
Para a Apple, as supostas práticas estariam ligadas aos planos da companhia de IA de entrar no mercado de dispositivos físicos, segmento no qual ainda não tinha experiência consolidada.
A empresa pede que a Justiça impeça a OpenAI de utilizar informações confidenciais obtidas por meio de funcionários atuais ou antigos. Também solicita indenização por danos, mas não especifica o valor.
O processo surge em um momento estratégico para a OpenAI, que se prepara para uma possível abertura de capital. Avaliada em cerca de US$ 852 bilhões, a empresa aposta no desenvolvimento de produtos eletrônicos como uma de suas principais frentes de crescimento.










