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Argentina que fez gesto racista revê família e fala em ameaças: 'Crueldade'

Redação by Redação
fevereiro 10, 2026
in BRASIL
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Mulher negou ter mentido sobre o caso, mas disse que não poderia dar detalhes do processo. “Há muita crueldade, eles querem me matar. Gostaria de contar tudo, mas não posso”, afirmou ao canal argentino Todo Noticias, no sábado, sem citar nenhum nome, nem falar quem estaria a ameaçando

SÃO PAULO, SP (UOL/ JT) – A advogada argentina Agostina Páez, 29, ré por injúria racial contra funcionários em um bar de Ipanema, na zona sul carioca, reencontrou familiares e voltou a falar que está sofrendo ameaças de morte.

Mulher negou ter mentido sobre o caso, mas disse que não poderia dar detalhes do processo. “Há muita crueldade, eles querem me matar. Gostaria de contar tudo, mas não posso”, afirmou ao canal argentino Todo Noticias, no sábado, sem citar nenhum nome, nem falar quem estaria a ameaçando.

Agostina diz não querer mais mostrar o rosto por viver uma situação de extrema exposição. “Não quero mais meu rosto em lugar nenhum, pelo menos aqui no Brasil. Existe uma campanha com minhas imagens. Estou em perigo, recebo ameaças o tempo todo. Não posso sair de lugar nenhum porque estou muito exposta”, declarou à emissora, conforme o Clarín.

Advogada reencontrou familiares que vieram visitá-la no Rio. Entre eles, a irmã de 16 anos, e o pai, Mariano Páez, que disse ter sentido medo pela vida da filha: “agora me sinto calmo por ela estar acompanhada.”

Os familiares ficarão no Rio com a advogada pelas próximas semanas. Ela deverá seguir com tornozeleira eletrônica, permanecer no mesmo endereço informado à justiça e está proibida de deixar o Brasil. “Vamos nos reunir com os advogados e possivelmente com o cônsul [argentino no RJ]. Meu desejo é que ela possa voltar ao país. Foi um gesto inconsciente, ela está muito arrependida”, declarou o pai.

Argentina reclamou do tratamento que recebeu após ter sido detida na última semana. Ela, que foi solta horas depois após a justiça determinar a revogação da prisão, disse que foram colocados “muitos obstáculos” no caminho dela durante o processo. “Me sinto muito desprotegida. Tem gente que me odeia”, apontou.

Na última semana, a argentina disse nas redes sociais que estava “desesperada” e “morta de medo” após ser notificada pela Justiça do Rio sobre sua prisão. A ordem de prisão preventiva (por tempo indeterminado) foi revogada pela Justiça de primeira instância na sexta-feira (6), horas após a argentina ter sido detida.

A reportagem tenta contato com a Polícia Civil do Rio de Janeiro para pedido de posicionamento sobre as declarações da advogada. O texto será atualizado em caso de retorno.

Agostina Páez foi flagrada praticando ofensas racistas na saída de um bar. O episódio ocorreu no dia 14 de janeiro, na zona sul carioca, mas ela só prestou depoimento três dias depois, quando teve o passaporte apreendido para não deixar o país.

Vítima, que não teve a identidade revelada, registrou boletim de ocorrência no mesmo dia das ofensas. Segundo a polícia, o homem, que é funcionário do bar, informou que Agostina teria lhe apontado o dedo e proferido ofensas de cunho racial ao chamá-lo de “negro” de forma pejorativa e discriminatória. Ele foi ouvido novamente pelas autoridades no dia 20.

Confusão foi iniciada após Agostina alegar suposto erro no pagamento de uma conta. Para sanar dúvidas, o gerente pediu a ela que aguardasse enquanto ele iria conferir as imagens das câmeras de segurança do estabelecimento para verificar o que ela havia consumido.

Durante o período de espera, argentina deu início aos xingamentos e ofensas discriminatórias. Parte da confusão foi registrada em vídeo e as imagens mostram a argentina imitando gestos de macaco e reproduzindo sons do animal para a vítima.

Ela também disse a palavra “mono”, expressão em espanhol para se referir a macaco de forma racista. A turista estava no bar acompanhada por duas amigas.

Em depoimento, Agostina negou que o gesto de imitar um macaco tenha sido com conotação discriminatória. “Ela alegou que os gestos corporais simulando o primata, o macaco, ela estava se portando às suas amigas em um tom de brincadeira, não à vítima [que é um homem negro]”, disse o delegado Diego Salarini.

Mulher afirmou que não sabia que seu comportamento era considerado crime no Brasil. No depoimento, ela também afirmou que foi provocada pelos funcionários do bar, que teriam feito “gestos obscenos” para ela e as amigas.

O MP havia denunciado a advogada na última terça-feira (3). Promotoria destacou que os relatos das vítimas foram corroborados por declarações de testemunhas. Além disso, imagens do circuito interno de monitoramento do bar e outros registros produzidos no momento dos fatos ajudaram a investigação. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro havia tornado a argentina ré na última semana e decretado a prisão preventiva -que foi revogada depois.

A Lei de Racismo, de 1989, engloba “os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. O crime ocorre quando há uma discriminação generalizada contra um coletivo de pessoas. Exemplo disso seria impedir um grupo de acessar um local em decorrência da sua raça, etnia ou religião.

O autor de crime de racismo pode ter uma punição de 1 a 5 anos de prisão. Trata-se de crime inafiançável e não prescreve. Ou seja: no caso de quem está sendo julgado, não é possível pagar fiança; para a vítima, não há prazo para denunciar.

Já a injúria racial consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem a fim de atacar a dignidade de alguém de forma individual. Um exemplo de injúria racial é xingar um negro de forma pejorativa utilizando uma palavra relacionada à raça.

Você pode procurar delegacias especializadas, como, por exemplo, o Decradi em São Paulo e o Geacri em Goiás, ou ainda fazer um boletim de ocorrência em qualquer delegacia física ou online.

Caso seja um flagrante, ligue para o 190. Por telefone você também pode ligar no Disque 100 ou no Disque Denúncia.

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