Estudo publicado na Acta Astronautica indica que viagem a Marte pode levar apenas 33 dias; proposta usa novas trajetórias baseadas em asteroides e pode reduzir custos, tempo de missão e exposição de astronautas à radiação
O astrônomo brasileiro Marcelo de Oliveira Souza afirma ter identificado um possível “atalho” que permitiria chegar a Marte em apenas 33 dias. O tempo é significativamente menor do que as estimativas atuais, que variam entre seis e nove meses só para a ida, podendo chegar a quase três anos em uma missão completa de ida e volta.
Os cálculos foram publicados na revista científica Acta Astronautica em abril e apresentam dois perfis de missão considerados viáveis, com janelas de lançamento em 2027, 2029 e 2031.
Segundo Souza, seria possível realizar a viagem completa em cerca de 153 dias, com 33 dias até Marte, 30 dias em órbita e 90 dias de retorno à Terra. Em outro cenário, a missão levaria 226 dias, sendo 56 dias de ida, 35 dias em órbita e 135 dias para o retorno.
As estimativas foram baseadas em estudos de asteroides cujas trajetórias passam próximas à Terra. O pesquisador, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), identificou um erro nos cálculos da órbita do asteroide 2001 CA21. A correção abriu novas possibilidades para trajetórias mais eficientes rumo a Marte.
O estudo pode ter impacto relevante no futuro da exploração espacial. Além de reduzir custos operacionais e logísticos, viagens mais curtas diminuiriam o tempo de exposição dos astronautas à radiação.
“Provavelmente, missões tripuladas a Marte devem acontecer nas próximas décadas”, afirmou Souza, em declaração divulgada pela UENF. “Pesquisas como a minha mostram que existem formas de tornar essas viagens mais rápidas, o que pode reduzir os riscos para os astronautas.”









