A australiana Joanna Wietrzyk, recordista mundial da categoria feminina do Hyrox, tornou-se o centro de uma polêmica internacional depois de sofrer um episódio de incontinência fecal durante uma competição em Pequim, na China, continuar na disputa e terminar como vencedora.
O caso aconteceu no sábado (12) e ganhou repercussão depois que imagens da atleta, com fezes visíveis nas pernas enquanto realizava diferentes etapas da prova, começaram a circular nas redes sociais chinesas e posteriormente em outros países. Wietrzyk completou a competição em 1h01min23s.
A controvérsia, porém, foi além da decisão da atleta de seguir competindo. Outros participantes utilizavam o mesmo percurso e equipamentos, o que gerou questionamentos sobre higiene, segurança e a atuação dos fiscais responsáveis pela prova.
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Organização admite erro
Nesta terça-feira (15), o cofundador do Hyrox, Moritz Fürste, reconheceu publicamente que a organização deveria ter interrompido a participação de Wietrzyk assim que percebeu a situação.
“Hyrox cometeu um erro ao não reagir imediatamente durante a prova”, afirmou Fürste em uma declaração publicada nas redes sociais.
O dirigente, ex-campeão olímpico de hóquei sobre a grama pela Alemanha, pediu desculpas a todos os envolvidos, direta ou indiretamente, e informou que procedimentos internos e o regulamento foram alterados após o episódio.
Segundo a organização, houve uma falha na aplicação dos protocolos entre competições de elite e eventos com participação em massa, o que criou dúvidas sobre como os fiscais deveriam agir diante de uma situação desse tipo.
Hyrox muda regra após caso
O regulamento passou a prever expressamente que um diretor de prova poderá retirar um competidor por razões médicas quando sangue, vômito, urina ou fezes representarem risco de saúde ou de contaminação para o próprio atleta ou para os demais participantes.
Antes da mudança, as regras já estabeleciam punições para atitudes como cuspir ou eliminar secreções nasais no percurso. A ausência de uma previsão clara para um episódio de incontinência fecal foi apontada nas redes sociais como uma contradição do regulamento.
O Hyrox China afirmou que as áreas atingidas foram higienizadas depois da prova, equipamentos foram retirados e partes do piso seriam substituídas como medida de segurança.
Equipamentos são compartilhados pelos competidores
O Hyrox combina corrida com uma sequência de exercícios funcionais. Os atletas percorrem trechos correndo e passam por estações que incluem movimentos como empurrar trenós com peso, burpees, remo e avanços carregando sacos de areia.
Grande parte dos equipamentos e do espaço é compartilhada entre os competidores, um dos principais motivos para a repercussão do episódio. Críticos argumentaram que a continuidade de Wietrzyk poderia expor outros participantes a material biológico.
A discussão ganhou força principalmente na China, onde vídeos e imagens do episódio foram amplamente compartilhados em plataformas como Weibo, Douyin e Xiaohongshu.
Atleta disse que ‘uma vitória é uma vitória’
Após a competição, Wietrzyk publicou uma mensagem nas redes sociais na qual indicou que não se arrependia de ter completado a prova.
Em uma publicação posteriormente apagada, a australiana escreveu: “Uma vitória é uma vitória”, além de agradecer pelo apoio recebido.
A reação nas redes sociais foi dividida. Enquanto algumas pessoas elogiaram a determinação da atleta em chegar até o fim, outras criticaram a decisão de continuar utilizando o percurso e os equipamentos compartilhados.
Também houve ataques pessoais e ameaças contra Wietrzyk. O Hyrox condenou as mensagens abusivas dirigidas à atleta e afirmou que a responsabilidade pela gestão da situação cabia à organização da prova.
Incontinência pode acontecer em esportes de resistência
Embora o episódio tenha provocado forte repercussão, problemas gastrointestinais não são desconhecidos entre atletas submetidos a esforços físicos extremos.
Especialistas ouvidos pela imprensa australiana destacaram que exercícios intensos podem acelerar o funcionamento intestinal e provocar urgência para evacuar, especialmente em provas longas ou de alta intensidade.
O caso de Pequim, no entanto, colocou a discussão em outro patamar por envolver uma competição disputada em ambiente fechado, com estações e equipamentos usados sucessivamente por diferentes atletas.
Criado em Hamburgo, na Alemanha, em 2017, o Hyrox cresceu rapidamente nos últimos anos e se tornou uma competição internacional que mistura corrida e exercícios funcionais em um formato padronizado.












