Companhia aérea anunciou na sexta (20) que saiu do Chapter 11 (recuperação judicial); empresa prevê receber US$ 200 milhões de investimentos da American Airlines e da United Airlines
SÃO PAULO, SP () – O CEO da Azul, John Rodgerson, disse nesta segunda-feira (23) que a companhia aérea terá um acordo de codeshare (compartilhamento de voos) com a American Airlines, que se comprometeu a fazer um investimento de US$ 100 milhões na empresa brasileira.
O aporte faz parte do processo de saída da Azul do Chapter 11 (equivalente à recuperação judicial). O acordo de codeshare precisará de aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), segundo Rodgerson.
A Azul informou na sexta-feira (20) que concluiu a recuperação judicial nos Estados Unidos, iniciada em maio de 2025 para tentar reorganizar dívidas.
O codeshare se refere a um trato entre empresas para ampliar a malha de voos e conexões, oferecendo trechos alcançados apenas pela parceira.
A companhia aérea brasileira também receberá US$ 100 milhões da United Airlines. Atualmente, a Azul já possui um acordo de codeshare com a United.
Com os investimentos das empresas americanas, a United e a American Airlines passarão a deter 8% das ações da Azul, cada.
Durante entrevista a jornalistas, Rodgerson disse também que a Azul descarta retomar as negociações de fusão com a Gol.
“Quando você acumula um monte de dívida, a fusão pode ser benéfica como uma saída diferente. Ao entrar [no Chapter 11], não há necessidade, a gente não precisa. No nosso balanço, saímos muito menos alavancada do que nossos concorrentes saíram [da recuperação judicial]. Então eu não vejo isso [fusão] como alguma coisa que está na mente”, disse a jornalistas.
Ainda segundo Rodgerson, a Azul está olhando para linhas de financiamento do governo, como o FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil). “O que eu diria é que tem FNAC, tem linhas do governo que, sim, nós vamos olhar e, se o custo de capital for melhor do que outras oportunidades, sim, nós vamos fazer [contratar o financiamento].”
Na semana passada, a companhia aprovou uma emissão bilionária de novos papéis para financiar a reestruturação da companhia, com a saída da recuperação judicial. A operação, aprovada pelo conselho de administração, resultou na captação de R$ 4,99 bilhões em recursos novos para a Azul.
Os recursos serão utilizados para quitar o principal do financiamento DIP (debtor-in-possession), modalidade de crédito concedida a empresas no processo de recuperação judicial.
Com o aumento de capital, o capital social da Azul passou a R$ 21,76 bilhões, dividido em 54,73 trilhões de ações.
No dia seguinte ao anúncio da aprovação da oferta pública de ações, os papéis da empresa na Bolsa despencaram mais de 36%.
“Eu acho que agora vai ser mais estável, porque tudo terminou sexta-feira passada. Então, a gente vai ter habilidade para comunicar melhor com o mercado, tudo que vai acontecer aqui para frente, mas pelo menos nós terminamos o processo”, disse Rodgerson.
Azul terá acordo de compartilhamento de voos com American Airlines e descarta fusão com Gol
Fonte: Gazeta Mercantil – Economia






