Lauren Freires, uma jovem brasileira de 20 anos que vivia em Portugal havia cerca de oito meses e morava atualmente com a namorada e os sogros em Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, foi encontrada morta na manhã de terça-feira, 13 de outubro, no quarto onde dormia.
Segundo a versão da namorada, de 23 anos, Lauren cometeu suicídio. A investigação preliminar da Guarda Nacional Republicana (GNR) não encontrou indícios de crime.
No entanto, em entrevista ao jornal brasileiro R7, a família de Lauren contestou essa versão e afirmou suspeitar de homicídio. Os familiares também apresentaram provas de que o relacionamento do casal era conturbado.
Nesta quinta-feira, o Correio da Manhã revelou que a Polícia Judiciária (PJ) vai investigar o caso por determinação do Ministério Público (MP).
Discussões frequentes, ciúmes e mensagens suspeitas
Ao R7, a família de Lauren contou que a jovem, natural de Piracicaba, no interior de São Paulo, mudou-se para Portugal em fevereiro, em busca de oportunidades profissionais e da possibilidade de realizar seus objetivos.
O jornal brasileiro informou que os sogros já moravam em Portugal, mas que Lauren e a namorada foram viver em Viseu de forma “ilegal”.
Apesar das dificuldades enfrentadas durante a mudança, Lauren parecia determinada a regularizar sua situação no país e havia conseguido um emprego recentemente. Era uma jovem “cheia de sonhos”, garantiu sua mãe, Sandra, ao R7. No entanto, o relacionamento do casal era “conturbado” e, em Portugal, só “piorou”.
“Vigiava-a no trabalho, porque ela trabalhava até de madrugada. Espiava. Se a minha filha seguisse alguém no Instagram, ela ia lá e brigava. Brigava, brigava”, contou a brasileira, visivelmente emocionada.
No início da semana, as duas jovens teriam tido mais uma discussão. Lauren trancou-se no quarto, e a família só percebeu que ela estava morta no dia seguinte.
Durante a noite, horas antes de o corpo da jovem ser encontrado, a mãe de Lauren entrou em contato com a nora para pedir notícias da filha, já que ela não atendia às ligações. A namorada respondeu: “Deve ter adormecido de fones”.
Posteriormente, contou à sogra sobre a discussão e disse que Lauren havia se trancado no quarto. Quase meia hora depois, a jovem enviou mensagens de visualização única à sogra, afirmando que não era um “monstro”, mas que tomava decisões porque “não sabia o que fazer e entrou em desespero”. “Magoou sem querer”, dizia a mensagem divulgada pelo R7.
Em outro trecho da conversa, a jovem afirma que “nada do que aconteceu foi por maldade” e que simplesmente se perdeu por não saber como agir ou falar, demonstrando muito arrependimento.
As mensagens enigmáticas deixaram Sandra desconfiada, levando-a a suspeitar que a filha não tirou a própria vida ou que, caso tenha feito isso, teria sido pressionada a tomar essa decisão.
O R7 também divulgou um vídeo em que a namorada de Lauren aparece dizendo a uma amiga que as duas haviam decidido terminar o relacionamento devido a “muita agressão, muito xingamento”.
“Eu queria ficar com ela, ela disse que queria terminar comigo, que estava cansada”, admitiu.
Uma testemunha também contou ao jornal brasileiro que os vizinhos do casal em Portugal sabiam que o clima na casa onde ocorreu o episódio não era dos melhores.
“Sempre a discutir, uma a dormir num quarto, outra noutro. Mas eles não querem falar. Dizem que a Sofia [namorada de Lauren] fazia muitas cenas de ciúmes. As duas discutiam muito por causa dos ciúmes, por causa das amizades”, relatou.
A irmã da jovem encontrada morta também afirmou que Lauren tinha “uma mente muito forte” e que, no dia anterior à morte, foi trabalhar “tranquila” no restaurante onde trabalhava.
Apesar dos relatos da família, até o momento, os indícios conhecidos não apontam para a ocorrência de um crime.
Celulares foram periciados, mas nada de anormal foi encontrado
Segundo o Correio da Manhã, na manhã de quarta-feira, todas as pessoas que estavam na casa quando o corpo foi encontrado — a namorada, Sofia, os pais dela e o colega de trabalho de Lauren que arrombou a porta do quarto com um chute — prestaram depoimento no posto da GNR. Nada do que foi relatado levantou suspeitas entre os agentes.
Os celulares também passaram por perícia, mas nenhum elemento anormal foi encontrado.
O resultado da autópsia reforçou a hipótese de que não houve crime na morte de Lauren, uma vez que não foram identificadas marcas de defesa e todas as lesões seriam decorrentes do ato cometido pela própria jovem.
No entanto, ainda segundo o jornal português, a Polícia Judiciária (PJ) vai iniciar diligências para investigar a morte de Lauren, a pedido do Ministério Público (MP).
O corpo ainda não foi liberado, mas, quando isso acontecer, deverá ser levado para o Brasil. A família da jovem iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para custear o traslado e já teria conseguido reunir o valor necessário.
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