As disputas patrimoniais envolvendo Ana Hickmann e Alexandre Correa reacenderam o debate sobre como empresários e pessoas de alto patrimônio podem proteger seus bens em momentos de crise financeira. Especialista explica por que planejamento e reestruturação podem fazer a diferença.
Casos envolvendo Ana Hickmann e o ex-marido, Alexandre Correa, que ganharam repercussão nacional por disputas relacionadas a dívidas e patrimônio, ajudaram a colocar em evidência um tema que há anos movimenta os bastidores do mundo empresarial. Situações semelhantes também já envolveram outros empresários e personalidades, mostrando que patrimônio elevado e negócios de sucesso não significam imunidade a crises financeiras. Em muitos desses episódios, o desafio não está apenas em reorganizar as contas, mas também em proteger os bens construídos ao longo de décadas.
A preocupação encontra respaldo nos números. Segundo levantamento da Serasa Experian, o Brasil alcançou a marca de 8,9 milhões de empresas inadimplentes, que acumulam mais de R$ 212 bilhões em dívidas. O cenário reflete os efeitos do crédito mais caro, dos juros elevados e das dificuldades enfrentadas por companhias de diferentes portes para manter o fluxo de caixa.
A advogada especialista em Direito Bancário Dra. Tatiane Garcia afirma que proteger o patrimônio começa antes da crise e passa por estratégias de reestruturação financeira, revisão contratual e planejamento para preservar empresas, famílias e ativos.
Para a advogada especialista em Direito Bancário Dra. Tatiane Garcia (OAB/SP 224.365), sócia-fundadora do escritório Tatiane Garcia Advogados Associados, um dos maiores equívocos é acreditar que a crise financeira representa, necessariamente, o fracasso de um negócio.
“O empresário precisa compreender que a dívida corporativa não representa um desvio de caráter ou um fracasso pessoal, mas um problema técnico de engenharia financeira que exige auditoria contratual criteriosa”
Segundo a especialista, muitas empresas adiam a adoção de medidas preventivas por receio do impacto que uma renegociação possa causar à imagem da companhia. Enquanto isso, contratos deixam de ser revisados, encargos continuam sendo cobrados e a exposição ao sistema financeiro aumenta, elevando o risco de execuções e bloqueios patrimoniais.
Antes de recorrer a soluções mais drásticas, como a recuperação judicial, diversas empresas optam por revisar contratos bancários, reavaliar garantias e renegociar operações financeiras. A estratégia busca reorganizar o passivo e recuperar a previsibilidade das contas.
“Trabalhar na reestruturação do passivo não é um ato de fraqueza, mas a decisão mais responsável que um gestor pode tomar para resgatar sua governança e proteger o patrimônio familiar”
Para Dra. Tatiane Garcia, demonstrar capacidade operacional e apresentar uma estratégia consistente de reorganização financeira também pode favorecer negociações com instituições financeiras e ampliar as possibilidades de acordos de longo prazo.
“Demonstramos aos credores que a preservação da atividade empresarial e do fluxo de caixa é infinitamente mais rentável para o sistema do que a execução congelante de ativos”
Na avaliação da especialista, preservar a atividade empresarial significa também proteger empregos, fornecedores e a continuidade dos negócios. Ela afirma que a separação entre os bens da empresa e o patrimônio da pessoa física deve fazer parte do planejamento de qualquer organização, especialmente em períodos de maior instabilidade econômica.
“A consolidação de uma estratégia técnica e consciente permite ao empresário atravessar o período de turbulência, resgatando a governança da sua operação e a estabilidade do seu lar”






