SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O dólar opera em alta nesta quinta-feira (16), com investidores atentos ao anúncio de que os Estados Unidos irão impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A decisão foi divulgada na noite desta quarta-feira (15) e encerra a investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, iniciada em julho do ano passado. As tarifas entram em vigor em 22 de julho.
Segundo Fábio Astrauskas, economista e fundador da Siegen Consultoria, apesar do novo tarifaço, o comportamento da moeda americana segue mais dependente dos desdobramentos relacionados ao conflito envolvendo o Irã, especialmente das negociações e de eventuais acordos em torno do estreito de Hormuz, que continuam influenciando a percepção de risco nos mercados.
Às 16h03, o dólar avançava 0,41%, cotado a R$ 5,099. Já o Ibovespa recuava 1,25%, aos 173.807 pontos.
Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, um dos motivos pelos quais o Ibovespa evitou uma queda mais acentuada é o desempenho do setor financeiro, menos exposto ao comércio exterior e beneficiado pelas expectativas em torno da política monetária.
Na quarta-feira (15), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o volume de serviços caiu 0,4% em maio ante abril, após alta de 1,1% no mês anterior. O resultado reforça a percepção de que o Banco Central pode ter espaço para retomar os cortes na taxa básica de juros nas próximas reuniões.
No Brasil, a confirmação da tarifa adicional de 25% veio acompanhada de uma lista de exceções com cerca de 2.100 itens, entre eles carne, café, laranja, suco de laranja e partes para a fabricação de aeronaves, produtos relevantes para a pauta exportadora brasileira.
Para João Daronco, analista da Suno Research, a Bolsa não deve registrar um movimento muito intenso ao longo do dia, já que as grandes empresas tendem a ser pouco afetadas pela medida. Segundo ele, parte das companhias que poderiam sofrer impactos mais significativos foi contemplada pela lista de exclusões.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, diz que segmentos como os de roupas, calçados, etanol e determinados produtos industriais poderão enfrentar perda de competitividade, compressão de margens e necessidade de redirecionar a produção.
Nos EUA, a agenda econômica desta quinta-feira foi marcada pela divulgação de indicadores sobre consumo e mercado de trabalho. As vendas no varejo subiram 0,2% em junho, após alta de 1,0% em maio, dado revisado para cima, informou o Census Bureau, do Departamento de Comércio.
Também nesta quinta, o número de novos pedidos de auxílio-desemprego caiu em 8.000 na semana encerrada em 11 de julho, para 208.000, em dado com ajuste sazonal, indicando continuidade da estabilidade no mercado de trabalho americano.
Olívia diz que os investidores acompanham os indicadores do mercado imobiliário, discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e um pronunciamento do presidente Donald Trump previsto para as 22h (horário de Brasília).
A volatilidade no Oriente Médio e as ameaças de Trump de retomar ataques ao Irã continuam pressionando o mercado de petróleo. Na manhã desta quinta, o barril do Brent era negociado em torno de US$ 85, com alta de 1,09%.
Também nesta quinta, o Irã afirmou que o estreito de Hormuz é uma “linha vermelha” inviolável e advertiu que atacará infraestrutura americana na região do Golfo caso Trump cumpra a ameaça de bombardear instalações energéticas iranianas.
Na quarta-feira (15), os Estados Unidos realizaram a quinta noite consecutiva de bombardeios e restabeleceram um bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a Casa Branca, a ofensiva busca forçar a reabertura do estreito de Hormuz.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, um possível cessar-fogo da guerra é especialmente relevante para o Brasil, já que o governo sinalizou que, caso o barril de petróleo se estabilize próximo de US$ 80, medidas emergenciais de subsídio aos combustíveis poderão ser retiradas, o que pode ajudar a conter a inflação.
O mercado de juros futuros abriu a sessão com alta na curva, especialmente nos vencimentos mais longos. Às 14h08, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,900%, alta de 0,04 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 avançava para 14,445%, com elevação de 0,11 ponto percentual.
Segundo Gustavo Danilo Guimarães, especialista em renda fixa, o principal ponto de atenção do mercado agora é a resposta do governo brasileiro ao tarifaço. Guimarães afirma que uma eventual retaliação comercial ou a adoção de novas medidas de apoio aos setores mais afetados pode elevar os custos fiscais do governo.









