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Em dez anos, internações no SUS por fimose crescem 81% entre adolescentes

Redação by Redação
setembro 29, 2025
in BRASIL
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As internações por fimose, parafimose e prepúcio redundante entre adolescentes no SUS cresceram mais de 80% em dez anos, com destaque para a faixa de 10 a 14 anos. Especialistas apontam falta de acompanhamento médico e baixa procura de meninos por consultas como fatores decisivos

( JT) – As internações no SUS (Sistema Único de Saúde) devido à fimose, parafimose e prepúcio reduntante aumentaram 81,58% em dez anos entre os adolescentes de 10 a 19 anos.

Em 2015, foram registradas 10,6 mil internações, enquanto em 2024 esse número saltou para 19,3 mil casos, segundo levantamento feito pela SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) a partir de dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS. No total, de 2015 a 2024, foram mais de 130,7 mil internações relacionadas a essas condições.

O maior aumento ocorreu na faixa etária de 10 a 14 anos, que registrou alta de 87,7%. Já entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o crescimento foi de 70%.
Fimose é a condição em que o prepúcio, a pele que recobre a cabeça do pênis, não pode ser totalmente retraída para expor a glande.

Outros problemas relacionados ao prepúcio incluem a parafimose, urgência médica em que a pele, ao ser puxada para trás, fica presa e estrangula a glande, podendo levar a edema, dor intensa e necrose se não tratada rapidamente.

Já o prepúcio redundante é o excesso de pele sobre a cabeça do pênis, mas que não impede a retração completa para expor a glande, como ocorre na fimose, mas pode causar infecções.

O urologista Átila Rondon, do departamento de urologia do adolescente da SBU, afirma que a condição pode se resolver sozinha até os 3 anos, mas após essa idade é necessário tratamento com pomada ou cirurgia.

“A presença da fimose impede a limpeza adequada. Isso pode provocar acúmulo de sujeira, dificultando a higiene e aumentando o risco de infecções urinárias e, a longo prazo, até câncer de pênis”, diz.

O Brasil registra, em média, 580 amputações anuais por câncer de pênis, segundo dados da SBU obtidos junto ao Ministério da Saúde. Entre 2015 e 2024, mais de 22,2 mil internações pela doença foram registradas no país.

A diferença no acompanhamento médico entre meninos e meninas pode estar diretamente relacionada ao diagnóstico tardio da fimose e ao aumento de internações em adolescentes, já que os meninos tendem a procurar menos os serviços de saúde durante essa fase, recebendo menos orientações e acompanhamento especializado.

Dados do Ministério da Saúde de 2022 mostram que meninas de 12 a 19 anos vão ao médico quase 2,5 vezes mais do que os meninos. Quando se compara a ida de meninas ao ginecologista com a de meninos ao urologista, a diferença chega a ser 18 vezes maior.

Especialistas afirmam que a ida ao consultório médico oferece uma oportunidade importante para esclarecer dúvidas sobre ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), início da vida sexual, prevenção de gravidez, vacinação contra o HPV, diagnóstico precoce de tumor no testículo, entre outros temas.

Rondon afirma que a pouca conscientização de famílias também contribui para o crescimento da condição, além de problemas no sistema de saúde.

“Quem cuida da criança nem sempre se atenta ao problema a ponto de procurar o médico no momento correto. As dificuldades no sistema de saúde, como filas para cirurgias, acabam atrasando o tratamento necessário, resultando em procedimentos realizados tardiamente na adolescência, quando o processo é mais complexo”, diz

No cuidado inicial, a recomendação é que o prepúcio seja exposto de forma suave e não forçada durante o banho, para estimular a abertura gradual da pele sem causar machucados.

Se, após os 3 anos, a glande não puder ser exposta, é necessário avaliação médica e recomendação do uso de pomadas. Na adolescência, o tratamento costuma ser cirúrgico.

A cirurgia, conhecida como postectomia, é realizada em ambiente hospitalar com anestesia, dura de 30 minutos a uma hora e exige uma recuperação de aproximadamente uma semana.

“Na infância, a recuperação é mais tranquila porque ainda não há ação ativa da testosterona, que provoca ereções e pode dificultar o pós-operatório. Na adolescência, a cirurgia costuma ser mais complexa, porque o órgão é maior, há mais risco de sangramento e as ereções espontâneas no pós-operatório causam maior desconforto, exigindo cuidados adicionais”, explica Rondon.

O médico afirma que retirar o prepúcio não afeta a sensibilidade ou a vida sexual do paciente, citando estudos que mostram satisfação semelhante entre operados e não operados. Alguns pacientes adultos relatam apenas incômodo temporário após a cirurgia devido à maior exposição da glande.

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