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Entidades europeias veem riscos geopolítico, ambiental e comercial se Flávio Bolsonaro vencer

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
outubro 6, 2026
in ECONOMIA
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Alcolumbre cita dinheiro para

(JORNAL DA TARDE) – O jornal alemão Die Zeit gastou 11 linhas para dar a ficha corrida do ex-presidente Jair Bolsonaro na abertura de uma reportagem publicada nesta segunda-feira (5). A intenção era perguntar como, mesmo assim, os brasileiros quase elegeram seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno das eleições nacionais no domingo (4).

O desempenho de “Bolsonaro Jr.”, como foi chamado por um colunista do britânico The Guardian, surpreendeu boa parte da imprensa europeia, apesar de a disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já ter sido descrita como apertada na semana passada. A avalanche alcançada pela direita brasileira começa a suscitar projeções de como seria um novo governo da família Bolsonaro em relação à Europa.

O prognóstico, do ponto de vista europeu, não é bom. A esperada aproximação com os EUA de Donald Trump significará o afastamento do país da União Europeia. Lula 3 não tinha o prestígio dos primeiros mandatos, principalmente pela posição adotada sobre a Guerra da Ucrânia, mas era lembrado pela queda do desmatamento na Amazônia e pelo empenho em fechar o acordo UE-Mercosul.

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Em uma das tantas análises de risco ambiental feitas a partir da perspectiva de uma mudança de governo no Brasil, o site Carbon Brief mostrou que a gestão petista manteve de pé 20 mil km² de floresta quando comparada ao ritmo estimado se Bolsonaro pai tivesse continuado no poder em 2022.

Para a Fundação Plant-for-the-Planet, de Berlim, “um novo governo Bolsonaro acarretaria um risco maior de enfraquecer os órgãos de proteção florestal”. Outras possíveis consequências incluem o provável “veto a novas áreas protegidas ou territórios indígenas, o aumento de incentivos ao desmatamento ilegal por meio de anistias e um possível afastamento da cooperação internacional em matéria de proteção florestal”.

A manutenção do TFFF (Fundo de Florestas Para Sempre), lançado pelo governo Lula antes da COP30, em Belém, mas que ainda não atingiu nível de suporte suficiente, é uma preocupação em especial.

Flávio Bolsonaro é descrito como um negacionista, como o pai, aumentando, segundo especialistas, a probabilidade de savanização do bioma, o que teria efeitos drásticos na regulação do clima. É um dos chamados pontos de não retorno: o momento em que a floresta não conseguirá mais se recuperar.

A preocupação de contornos existenciais é generalizada na Europa. Em editorial publicado antes da eleição, o Guardian escreveu que uma vitória do senador teria consequências planetárias. “A democracia provavelmente seria sua primeira vítima, a nível local. Mas o clima certamente seria outra, com consequências para todos nós.”

O tópico ambiental também é um receio instalado pelos próprios europeus no acordo UE-Mercosul. Para conseguir encaminhá-lo no bloco, a despeito da forte oposição de seus grandes produtores agrícolas, como França, Irlanda e Polônia, a Comissão Europeia embutiu uma série de condicionantes ao pacto comercial.

Em tese, para equalizar as práticas de produção nos dois lados do Atlântico. Na prática, para tentar satisfazer os ruralistas europeus, que detêm um poder de lobby na política interna do continente curiosamente muito semelhante ao de seus pares brasileiros.

As cláusulas inseridas vão da proteção da área de floresta na Amazônia ao veto a pesticidas e hormônios nas criações, passando por salvaguardas sociais. Foi um desses itens que provocou o atual atrito entre Brasília e Bruxelas: a importação de carne brasileira foi suspensa pelo bloco por não atender a um protocolo sobre uso excessivo de antibióticos.

Do lado europeu, é baixa a expectativa de que a resolução deste e de outros assuntos relacionados ao acordo ocorra em um eventual governo Flávio Bolsonaro. Pelo contrário, o negacionismo climático do senador traria mais obstáculos para a negociação, caso não adote uma atitude mais pragmática se alcançar o poder.

O acordo, que fez as exportações agrícolas da Argentina, sem restrição sanitária, saltarem 21% nos quatro primeiros meses de vigência, ainda precisa ser ratificado no Parlamento Europeu em 2027. Se a tarefa já seria complicada com a oposição interna, com um projetado Brasil desmatador ficaria praticamente impossível.

Uma eventual falência do acordo não interessa a Bruxelas, que vem se esforçando para assegurar alternativas de comércio que contornem a administração Trump, protecionista e politicamente inconstante. A UE vem celebrando diversos pactos nesse sentido, inclusive um inédito convite de membro associado feito ao Canadá.

O retrospecto do governo do pai, como listado pelo Die Zeit, também não ajuda. Em seus quatro anos no poder, as relações entre Brasil e países como Alemanha, por exemplo, foram rebaixadas ao mínimo possível, segundo diplomatas ouvidos pela reportagem.

Não menos importante, haverá preocupação também com o Estado de direito, campo em que Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, será um peso constante. Ainda que a ascensão da ultradireita seja uma realidade na Europa, o argumento entrará em campo se e quando necessário.

Presidente do TSE avalia que houve “exageros” no processo que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão. Kassio Nunes Marques pretende analisar o pedido de revisão criminal depois das eleições e considera até conceder uma liminar

Folhapress | 02:45 – 06/10/2026

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