SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Fifa aprovou, na noite da última terça-feira (28), uma reforma no Regulamento de Governança que permite jogadoras afegãs representem o Afeganistão em competições oficiais internacionais. A medida dribla a proibição da federação local – nesta quarta-feira (29) sob o controle do governo fundamentalista Talibã.
A nova determinação, costurada em coordenação com a Confederação Asiática de Futebol (AFC), reconhece o grupo Afghan Women United (Mulheres Afegãs Unidas, em tradução livre) como apto a representar a nação de origem. A equipe é formada por atletas que vivem atualmente na diáspora, em condição de exílio.
A alteração permite que a Fifa registre seleções nacionais em “circunstâncias excepcionais”, mesmo quando a federação local do país não puder ou não quiser fazê-lo. O objetivo visa proteger atletas de situações políticas fora de seu controle, “garantindo os princípios de universalidade e não discriminação”.
Entre as atletas e especialistas em direitos humanos, entende-se que houve morosidade da Fifa em apresentar uma resolução para o caso. A entidade, por sua vez, entende que a questão exigia um esforço em diferentes frentes e que não tinha uma solução simples a ser apresentada.
Para Khalida Popal, ex-capitã e ativista que lidera a luta pelo reconhecimento da equipe, o anúncio em Vancouver, no Canadá, foi um marco.
Embora a mudança tenha efeito imediato, haverá um período de transição administrativa de até dois anos. O time já tem um acampamento de treinamento agendado para junho de 2026, na Nova Zelândia, onde enfrentará as Ilhas Cook.
Desde agosto de 2021, quando voltou ao poder, o Talibã impôs uma proibição total à prática de esportes por mulheres e meninas, incluindo o futebol. À época, a restrição provocou uma série de protestos em Cabul e outras cidades do país.






