Luís Figo defendeu a saída de Gianni Infantino da presidência da FIFA após o fracasso do projeto que pretendia transferir parte das operações comerciais da entidade para uma empresa aberta ao capital privado.
Em artigo publicado pelo jornal britânico Daily Mail, o ex-jogador português acusou o dirigente de tentar promover mudanças profundas na administração do futebol mundial para beneficiar a si próprio e pessoas próximas.
Para Figo, a permanência do ítalo-suíço tornou-se incompatível com a recuperação da credibilidade da entidade.
“Poderia escrever 10 mil palavras sobre os problemas da FIFA. Mas a solução precisa apenas de três: Infantino deve sair”, afirmou.
Por que Luís Figo atacou Gianni Infantino?
As críticas estão relacionadas à proposta de criação da FIFA Forward Enterprise, conhecida pela sigla FFE. A subsidiária concentraria atividades comerciais ligadas às competições organizadas pela entidade, como direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos.
O plano previa a entrada de investidores externos e a possível venda de até 20% da empresa. A iniciativa poderia avaliar o novo negócio em cerca de US$ 20 bilhões e levantar aproximadamente US$ 4 bilhões para distribuição entre as 211 associações filiadas. A proposta acabou abandonada após forte resistência de confederações e dirigentes do futebol.
Figo questionou a falta de transparência na apresentação do projeto e afirmou que as federações não receberam explicações suficientes sobre os riscos envolvidos.
“Se era uma ideia tão boa, por que não contar aos membros quando todos estavam reunidos antes da final da Copa do Mundo?”, questionou.
Figo acusa presidente da FIFA de agir em benefício próprio
No artigo, o português sustentou que Infantino poderia assumir um cargo milionário na nova estrutura depois de deixar a presidência da FIFA. Segundo Figo, esse possível benefício deveria ter sido apresentado de forma clara às federações antes de qualquer votação.
O ex-jogador também criticou a possibilidade de investidores privados passarem a controlar parte das receitas comerciais das principais competições da entidade.
Para ele, a venda de uma participação significaria abrir mão de patrimônio pertencente ao futebol e reduzir a autonomia das futuras administrações da FIFA.
“O homem que tentaria forçar alterações tão significativas apenas para enriquecer a si mesmo e aos amigos é uma relíquia do passado da modalidade”, escreveu.
Projeto da FIFA provocou reação de confederações
A FIFA Forward Enterprise enfrentou oposição de entidades como UEFA e Concacaf. Dirigentes alegaram falta de consulta, transparência e garantias sobre a preservação do controle institucional das competições.
A UEFA chegou a ameaçar adotar medidas judiciais e passou a discutir a retirada do apoio à reeleição de Infantino em 2027. A proposta também abriu uma crise interna, com críticas de executivos da própria FIFA e a saída de aliados do presidente.
Infantino abandonou o projeto depois da reação contrária, mas o recuo não encerrou os questionamentos sobre sua liderança.
“Ainda é possível salvar o futebol”, afirma Luís Figo
Figo, que tentou concorrer à presidência da FIFA em 2015, declarou que os episódios recentes representam o ponto mais baixo que testemunhou durante sua trajetória no esporte.
O ex-capitão da seleção portuguesa afirmou que pode ser tarde para recuperar a dignidade pessoal de Infantino, mas não para proteger o futebol das consequências do modelo proposto.
Para ele, a solução passa pela mudança no comando da entidade e por uma administração baseada em transparência, responsabilidade e participação efetiva das federações.











