SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, defendeu nesta terça-feira (4) o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que, segundo ele, cometeram crime de responsabilidade. Ele citou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, e lembrou que, se eleito, terá a prerrogativa de fazer quatro indicações que “respeitem a Constituição”.
O filho de Jair Bolsonaro (PL) afirmou que há ministros que têm participação político-partidária e que julgam casos nos quais deveriam se considerar suspeitos. “Infelizmente, em função da inércia do Senado, nós chegamos a essa situação em que um ministro do tribunal, por exemplo o Alexandre de Moraes, pode tomar medidas inconstitucionais com praticamente um seguro de que nada aconteceria contra ele”, disse.
Flávio afirmou que é preciso falar sobre esse assunto “sem medinho” e disse que o pai foi julgado por seus inimigos, citando Moraes, “inimigo público e declarado”, Dino, “até ontem ministro da Justiça de Lula”, e Zanin, “até ontem advogado do Lula”.
A fala ocorreu durante sabatina do site O Antagonista e da empresa G4, na Vila Olímpia, em São Paulo, que contou também com a participação dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Segundo os organizadores, o presidente Lula (PT) não aceitou o convite.
Flávio afirmou ainda que o impeachment de ministros depende do Senado e que seu grupo político terá maioria no Congresso após as eleições de outubro.
“Essa esculhambação que virou o país hoje precisa de alguém de pulso firme, sim. Vamos ter maioria no Congresso Nacional, uma maioria para fazer o presidente do Senado e termos quórum, inclusive, para alterar a Constituição.”
O senador também admitiu que vive uma “novela” na escolha de sua vice -o nome pode ser escolhido até o dia 15 de agosto, prazo máximo para o registro da candidatura. Flávio enfrenta dificuldades para atrair partidos do centrão para a sua coligação, que precisa ser definida até esta quarta (5).
O PP e o Republicanos já anunciaram que manterão neutralidade, o que impediu a pretensão do presidenciável de indicar para a vice Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ou a senadora Tereza Cristina (PP).
Nesta terça, Flávio fez longos elogios a Daniella, disse que “é público” que “gostaria muito” que ela ocupasse a posição, e afirmou que deixou isso claro nas tratativas com o Republicanos. O senador, que tinha confirmado presença no evento, acabou participando apenas por videoconferência, mas Daniella compareceu.
Ele afirmou que, a despeito de os caciques partidários estarem “com algumas preocupações”, os grandes quadros das legendas apoiarão o seu projeto.
Na sabatina, Flávio também acusou a Polícia Federal de tentar interferir para atrapalhar as investigações que atingem o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
O senador fez muitas menções positivas ao governo do pai, ao mesmo tempo que se posicionou como alguém diferente dele, seguindo estratégia adotada há meses pela pré-campanha.
Na frente dos empresários, prometeu responsabilidade fiscal e corte de despesas e corrigiu uma fala anterior sua, quando prometeu que daria celular de graça para mulheres. Disse que, na verdade, se referia a um programa de cartão de crédito com “cashback”, o que permitiria a restituição de valores e a troca por produtos.
“Vamos pegar a Caixa e vai ser o Bradesco ou o Itaú das favelas, que vai ser exatamente para que as pessoas mais humildes possam ter uma esteira de serviços ao seu alcance.”
Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticou nesta terça seus adversários por imbróglios envolvendo parentes. Ele também defendeu a pena de morte em alguns casos, como o de serial killers e estupradores reiterados.
Sem citar nomes, Zema criticou políticos que levaram parentes para trabalhar em seus governos, caso do adversário Ronaldo Caiado. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o goiano deixou ao menos dez parentes em cargos comissionados no estado que governou até o fim de março. Zema tem batido nessa tecla contra o adversário, que divide com ele a intenção de compor a terceira via.
O candidato também falou em políticos “chantageados porque têm alguém da família envolvido nisso e naquilo”. Os dois principais nomes nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, têm imbróglios de familiares.
No caso de Lula, a PF (Polícia Federal) pediu na segunda (3) a abertura de uma terceira frente de investigação contra o filho do presidente, para apurar suspeitas de tráfico de influência.
“Temos visto aí hoje um presidente enfraquecido, que fica cedendo a pressões porque tem pessoas da família envolvidas em escândalos”, afirmou.
Já Flávio Bolsonaro precisou responder por ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Banqueiro bandido que mora em Belo Horizonte nunca me procurou”, afirmou Zema, em referência a Vorcaro.
Ele também disse que o fato de não ter “rabo preso” é o que o credibiliza para ser aquele que mais critica o STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou que existem “frutas podres” na corte. Zema não citou os ministros nominalmente, mas fez referência direta a Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
“Todos sabem quem são esses três [ministros]. O que a esposa fez um contrato de R$129 milhões, o que fez uma transação de R$ 35 milhões do Tayayá e o outro que faz congressos patrocinados pelo banqueiro bandido. E todos os três pegando carona nos jatinhos do banqueiro bandido. Isso é uma vergonha para o Brasil”, afirmou.
Zema também defendeu na sabatina a pena de morte para assassinos em série e estupradores reiterados.
Sobre a chapa para a eleição, ele disse que seu vice deve ser anunciado na quarta-feira (5) e que provavelmente a composição será pura, com outro nome do partido Novo.
Na economia, o mineiro propôs quatro frentes. A primeira, afirmou, é a privatização. “Não tem vaca sagrada. Não tem o que não privatizar”, afirmou. Ele defendeu também uma reforma administrativa, uma nova reforma da previdência e a revisão de programas sociais.
Segundo a ser sabatinado, Caiado comentou a notícia de que um ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, tomou um empréstimo da empresária Roberta Luchsinger, que é investigada pela Polícia Federal.
De acordo com Caiado, a notícia demonstra que o escândalo se aproximou da “antessala do rei”. “É algo que mostra ainda mais o envolvimento do governo com escândalos e com corrupção. Um envolvimento direto”, afirmou.
Ele também criticou Flávio Bolsonaro e falou da dificuldade do senador em conseguir coligações, indicando que o cenário eleitoral é favorável a um nome que quebre com o que chamou de polarização entre o presidente Lula e a família Bolsonaro.
“Vocês já me viram em rachadinha? Vocês já me viram em mensalão?”, questionou, fazendo referência a escândalos que envolveram Flávio Bolsonaro e governos do PT.
Já Renan Santos disse que o escândalo do Banco Master mostrou que a elite se satisfazia com dinheiro e prazer sexual e que “a família Bolsonaro e o lulismo são duas faces da mesma moeda”.
O presidente do Missão voltou a afirmar que o criminoso que reagir a uma abordagem policial será morto e a falar sobre seu projeto de “desfavelização”, que envolveria realocação em alguns casos, construção de prédios e participação da iniciativa privada por meio de PPPs.
Disse ainda que irá disciplinar as emendas parlamentares e afirmou que o centrão é um problema “tão grande ou maior do que a esquerda”. Prometeu tirar, de maneira “democrática e republicana”, os poderes do Supremo Tribunal Federal, que considera excessivos, e disse que é favorável ao impeachment de seus ministros.
Também voltou a defender a revisão da dosimetria das penas de Bolsonaro e dos manifestantes golpistas do 8 de janeiro. “Cometeu crime vai ser punido, mas com julgamento justo.”







