(FOLHAPRESS) – João Fonseca está nas quartas de final de Roland Garros. O carioca de 19 anos derrotou o norueguês Casper Ruud, 16º do mundo e duas vezes finalista do torneio, por 3 sets a 1 -7/5, 7/6, 5/7 e 6/2- neste domingo (31), na quadra Philippe-Chatrier, em 3h55 minutos de jogo, e tornou-se o primeiro brasileiro a alcançar essa fase desde Gustavo Kuerten, em 2004 (dois anos antes de Fonseca nascer). Guga assistiu ao jogo.
Foi, talvez, a vitória mais tranquila e segura de Fonseca desde o início do torneio. Ao contrário dos duelos contra Dino Prizmic e Novak Djokovic -nos quais perdeu os dois primeiros sets antes de virar-, o brasileiro entrou em quadra desde o início mais agressivo, mais sólido e mais consistente. Ruud aumentou o volume ao longo da partida, teve momentos de brilho e forçou situações tensas, mas não conseguiu superar um Fonseca que mostrou maturidade acima da idade.
“Ele é um jogador muito experiente e sabe jogar aqui. Tem duas finais, então foi difícil”, disse Fonseca sobre o adversário após o jogo. O brasileiro não se intimidou e impôs seu estilo desde o início. Questionado sobre as escolhas que faz em quadra -drop shots, forehands agressivos, variações de saque-, foi direto: “Só tento ser eu mesmo em quadra, tentar ser feliz, tentar ser o vencedor. Tento ser entretenimento.”
O jogo começou sob condições ideais para o tênis -21°C, céu parcialmente nublado- num contraste marcante com a semana anterior, quando a onda de calor que varreu a Europa pesou sobre jogadores e torcedores. Do lado de fora, o PSG celebrava a conquista da Liga dos Campeões, com fogos de artifício disparados do Parc des Princes -vizinho ao complexo de Roland Garros- ecoando pela Philippe-Chatrier durante o início da partida. O estádio, que encheu gradualmente com torcedores atrasados pelo caos nas ruas de Paris, terminou lotado.
Na arquibancada, um convidado especial: Gustavo Kuerten. Guga esteve presente no primeiro jogo de Fonseca em Roland Garros, quando o carioca disputou o torneio juvenil. “Foi a minha primeira vez aqui, meu primeiro jogo como junior. É um prazer tê-lo aqui. É um prazer vencer contra um adversário tão difícil na frente dele”, disse Fonseca.
No primeiro set, o brasileiro impôs seu ritmo desde cedo. Forehand e backhand funcionaram com consistência e potência. Aos 4/3, desperdiçou três break points num game duramente disputado -o mais tenso da parcial-, mas manteve a cabeça fria. A quebra veio mais tarde, no 12º game, e Fonseca fechou o set em 7/5.
O segundo set foi mais equilibrado. Ruud, que melhorou o primeiro serviço e passou a subir mais à rede, pressionou Fonseca em vários momentos. O brasileiro salvou break points importantes, mas também cometeu erros não forçados que surpreenderam pelo momento inoportuno. O set foi ao tie-break.
Num duelo dramático, com set balls para os dois lados, Fonseca fechou por 10/8 e abriu 2 sets a 0.
No terceiro set, Ruud reagiu. O norueguês elevou a intensidade enquanto Fonseca diminuiu ligeiramente o ritmo. Ruud fechou em 7/5 e recolocou o jogo em aberto.
Mas Fonseca não se abalou. No quarto set, voltou mais forte -recuperou a agressividade, quebrou o serviço de Ruud duas vezes e administrou a vantagem com frieza para fechar em 6/2.
Sobre o desgaste físico -sua primeira segunda semana em um Grand Slam-, Fonseca foi honesto. “Estou cansado. É sempre uma primeira vez para mim. É uma nova experiência. Mas está tudo bem.”
Nas quartas, provavelmente na terça-feira, o brasileiro enfrentará o tcheco Jakub Mensik, 27º do mundo e campeão do Masters 1000 de Miami em 2025, que eliminou o russo Andrey Rublev, 13º, em cinco sets neste domingo. Com o resultado, Fonseca torna-se apenas o segundo “teenager” brasileiro a alcançar as quartas de um Grand Slam na história -o primeiro foi Thomaz Koch, em 1963.
No final, se dirigindo em português para os brasileiros presentes, Fonseca afirmou: “O sonho não acabou”.






