sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
JORNAL DA TARDE
  • Login
No Result
View All Result
JORNAL DA TARDE
No Result
View All Result
Home BRASIL

Gestão Tarcísio inicia experimento que divide alunos por rendimento escolar

Redação by Redação
fevereiro 6, 2026
in BRASIL
A A

Chamado de Projeto Voar, o experimento será feito nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). Assim, cada uma das séries terá a divisão das turmas feitas com base nas notas dos alunos.

ISABELA PALHARES
SÃO PAULO, SP ( JT) – O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) iniciou um experimento nas escolas estaduais de São Paulo, dividindo alunos de uma mesma série em diferentes turmas de acordo com o rendimento escolar.

Chamado de Projeto Voar, o experimento será feito nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). Assim, cada uma das séries terá a divisão das turmas feitas com base nas notas dos alunos.

Foram selecionadas 147 escolas estaduais para o projeto-piloto. Nessas unidades, os alunos serão divididos entre dois tipos de turmas: “padrão” e “adaptada”. Na primeira, foram alocados os alunos com baixa ou nenhuma defasagem de aprendizado, já na segunda estão os alunos com alta e média defasagem.

Pais e alunos dessas escolas, no entanto, afirmam não ter sido informados de que iriam participar do experimento e têm questionado o impacto dessa divisão na autoestima e até mesmo na trajetória escolar dos estudantes.

A Secretaria de Educação, comandada por Renato Feder, defende que a separação dos alunos por desempenho escolar tem o objetivo de acelerar a aprendizagem daqueles com maior dificuldade e, assim, reduzir as desigualdades educacionais nas escolas.

Apesar de a gestão Tarcísio apresentar o projeto como novidade, a política de separar turmas pelo desempenho já foi amplamente difundida no país, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, mas acabou abandonada na maioria das redes de ensino.

Especialistas e estudos apontam que a divisão pode reduzir a autoestima dos alunos com baixo rendimento, aumentar casos de indisciplina e até mesmo elevar a evasão escolar.

Em uma apresentação feita aos professores, a secretaria informou que o projeto será implementado e terá seus resultados avaliados pela Parceiros da Educação, uma organização da sociedade civil, e por um “time de educação de Harvard”.

Para medir os impactos do experimento, foram selecionadas ainda outras 95 escolas que serão usadas como “grupo de controle”. A secretaria informou que os resultados serão medidos por um ano e, caso não sejam positivos, o projeto poderá ser encerrado em 2027.
Os alunos foram separados de acordo com as notas que obtiveram em língua portuguesa e matemática no Saresp (avaliação estadual) em 2025. Assim, aqueles que tiveram desempenho considerado abaixo do básico para a série em que estão foram alocados nas turmas adaptadas.

Segundo os dados apresentados pela secretaria, das 1.437 turmas de 7º a 9º ano ofertadas nas escolas selecionadas para o projeto, 1.059 serão consideradas como adaptadas -74% do total. Ou seja, vão ser formadas para os alunos com rendimento abaixo do básico.

Daniel Barros, subsecretário pedagógico da Seduc, disse que o conteúdo ensinado nas duas turmas será o mesmo, a diferença será o ritmo das aulas. “O ritmo da turma adaptada será mais devagar.”
“Na turma adaptada, o professor vai explicar com mais calma, pode dar passos para trás no conteúdo e voltar em habilidades que deveriam ter sido aprendidas em séries anteriores. Na turma padrão, ele pode manter o ritmo esperado para aquela série ou até avançar com mais velocidade se os alunos estiverem acompanhando”, explicou.

Segundo Barros, o projeto foi pensado a partir de pesquisas que apontam a dificuldade de ensinar em turmas muito heterogêneas. “O professor mira no aluno médio e acaba não conseguindo ensinar adequadamente nenhum. Ele afasta o aluno que está defasado e desestimula aquele que está mais à frente.”

A Folha de S.Paulo conversou com professores de duas escolas selecionadas para o projeto. Eles dizem que só souberam da separação das turmas na sexta-feira (29), dois dias antes do início do ano letivo. A portaria que instituiu o projeto, inclusive, só foi publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (4), quando o ano letivo já havia começado e as turmas já haviam sido definidas.
Na apresentação, os professores receberam orientações sobre como atuar nas diferentes turmas e foram informados de que não poderiam deixar os alunos saberem da divisão.

Inclusive, as escolas foram orientadas a utilizar uma “lógica aleatória” para nomear as turmas e, assim, evitar que os alunos soubessem em qual tipo estão alocados. Elas não devem, por exemplo, nomear a turma A como sendo a padrão.

“Não podemos utilizar a lógica de colocar a turma A como sendo a melhor e a B ou C como sendo as de menor proficiência, como já foi feito no passado. Nossa recomendação é que vocês variem as nomenclaturas entre os anos e séries para evitar o risco de discriminação e rotulação”, disse Mauro Romano, na apresentação aos professores. Ele é quem está à frente do projeto na Seduc.

Os professores, no entanto, relatam que os alunos perceberam a diferença entre as turmas e passaram a questionar a divisão. Em uma das escolas, a mãe de uma aluna chegou a questionar a direção sobre o motivo de sua filha ter sido alocada na turma adaptada.

Para os professores, que pediram para não ser identificados por medo de represália, a separação das turmas não seria necessária caso tivessem autonomia para conduzir as aulas. Eles lembram que a gestão Tarcísio determinou o uso de slides e plataformas nas escolas e exige que todos os professores cumpram o cronograma independentemente do ritmo de aprendizado dos alunos.

Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, diz que a divisão dos estudantes por proficiência revela um efeito cruel da política de padronização curricular adotada pela atual gestão.

“A secretaria optou e exigiu essa padronização curricular, o que pode levar a um currículo inatingível para muitos alunos. Ao restringir a autonomia dos professores na elaboração das aulas, na adaptação aos alunos reais e aos seus níveis de aprendizado, a padronização pode gerar frustração e sensação de fracasso”, disse.
Para ele, a divisão mantém a lógica do currículo padronizado em vez de dar mais autonomia para que os professores possam personalizar suas aulas.

“Em vez de criar um ambiente de competição e avaliação, é crucial promover a colaboração e a interação entre os alunos, reconhecendo que o convívio com colegas de diferentes níveis de aprendizado pode ser um fator positivo. A proposta de segregação, portanto, parece contraditória, pois se propõe a eliminar a estigmatização e a rotulação, ao mesmo tempo em que as reforça.”
Barros nega que o projeto possa gerar mais estigmatização aos alunos. “Os estudantes mais defasados já estão estigmatizados, eles já sofrem por não acompanhar a turma. Eles voltam a ter autoestima quando aprendem e é isso o que a gente espera com esse projeto, por isso, vamos testar.”

Questionado sobre a falta de comunicação e consentimento das famílias para o experimento, Barros disse que as escolas e a rede de ensino têm autonomia pedagógica para definir a divisão das turmas conforme avaliarem ser melhor.

“O agrupamento dos estudantes é uma prerrogativa pedagógica da escola. Inclusive, diversas escolas já fazem isso sem falar com ninguém, porque essa é uma decisão pedagógica”, disse.

Gestão Tarcísio inicia experimento que divide alunos por rendimento escolar

Veja Também

Família encontra mais de 50 escorpiões em casa no interior de SP

fevereiro 6, 2026

Correntes contribuíram para acidente em perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, diz ANP

fevereiro 6, 2026

Carnaval 2026: cruzeiros devem atrair 40 mil pessoas no Brasil

fevereiro 6, 2026

Homem é preso após jogar cachorro de rua em córrego em Pato Branco (PR)

fevereiro 6, 2026
Previous Post

Rússia acusa Ucrânia de atentado a tiros contra vice-chefe da inteligência militar

Related Posts

BRASIL

Família encontra mais de 50 escorpiões em casa no interior de SP

fevereiro 6, 2026
BRASIL

Correntes contribuíram para acidente em perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, diz ANP

fevereiro 6, 2026
BRASIL

Carnaval 2026: cruzeiros devem atrair 40 mil pessoas no Brasil

fevereiro 6, 2026
BRASIL

Homem é preso após jogar cachorro de rua em córrego em Pato Branco (PR)

fevereiro 6, 2026
BRASIL

Homem é baleado em briga de trânsito na marginal Tietê (SP)

fevereiro 6, 2026
BRASIL

Vereador avança com carro contra indígena em bloqueio de via no Pará

fevereiro 6, 2026
JORNAL DA TARDE

contato@jornaldatarde.com

  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo

No Result
View All Result
  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.