sexta-feira, 9 de outubro de 2026
JORNAL DA TARDE
  • Login
No Result
View All Result
JORNAL DA TARDE
No Result
View All Result
Home MUNDO

Guerra no Irã expõe limites das Forças Armadas dos EUA

Alisson Sakamoto by Alisson Sakamoto
agosto 31, 2026
in MUNDO
A A

SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE)- A guerra no Irã, que completou seis meses na sexta-feira (28), expôs limites da maior máquina militar da história, a operada pelos Estados Unidos.

A dinâmica do conflito desafiou o planejamento militar americano: Washington não só despejou explosivos em mais de 13 mil ataques à teocracia, mas teve de se defender em bases no Oriente Médio e apoiar aliados regionais contra a retaliação iraniana.

O plano presumido de Donald Trump, com a ajuda de Israel, era encerrar rapidamente a guerra com a destruição do comando político e militar do Irã. O país persa foi duramente golpeado, mas uma estrutura horizontal de decisões permitiu que ataques retaliatórios fossem disparados já no primeiro dia da guerra.

E assim continuaram, com Teerã também travando o trânsito no estreito de Hormuz. Trump decidiu abandonar a política de ataques pontuais que vinha adotando desde julho em favor de renovada pressão econômica, segundo relatos, pela ineficácia e pelo alto custo.

O presidente negou haver problemas e ameaçou prender quem os divulgasse. Mas as dificuldades se acumularam. Na questão da munição, segundo a TV CBS e a agência Reuters, mísseis de longo alcance terra-terra como os do lançador ATACMS já foram exauridos. São munições caras, na casa de R$ 5 milhões cada uma.

Os números, claro, são secretos. Estimativas de institutos como o americano Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) apontam que talvez um quarto dos estimados 4.500 mísseis de cruzeiro Tomahawk foi gasto. Ele custa quase R$ 7 milhões a unidade.

Segundo o Exército, até julho foram derrubados 1.200 mísseis e drones iranianos no conflito, a maioria com baterias Patriot.

O Departamento de Defesa estima que o conflito já custou R$ 194 bilhões, e o secretário Pete Hegseth encaminhou um pedido de suplementação de R$ 346 bilhões para repor arsenais. É uma sangria mesmo para um país que prevê gastar com defesa nos próximos 12 meses R$ 7,7 trilhões, valor recorde.

Mesmo negando falta de munição, Trump invocou um mecanismo da Guerra Fria, a Lei de Produção de Defesa, em junho. Em julho, pediu a aceleração da fabricação de armas, e há duas semanas a gigante Raytheon ganhou R$ 118 bilhões para produzir Tomahawk mais rapidamente por sete anos.

Aliados sentiram o baque. A Ucrânia, que só recebia armamento americano por meio de europeus depois que Trump voltou ao poder em 2025, viu cair em dois terços a entrega de mísseis de interceptação e sofre com ataques renovados da Rússia.

Os EUA informaram ao Japão, por sua vez, que a entrega de 400 Tomahawk para reforçar sua posição contra a China, rival estratégica dos EUA, deverá ser atrasada.

É no Pacífico que o aperto militar americano fica evidente. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, a região está sem um grupo de porta-aviões americano durante um conflito -antes, isso ocorria eventualmente devido a questões de manutenção.

O problema está no Oriente Médio. O USS Gerald Ford, maior navio de guerra do mundo, já havia sido deslocado para atuar na ação que submeteu a Venezuela a Trump em janeiro.

De lá, migrou para reforçar o teatro da guerra. Mas uma série de problemas estruturais, que culminaram em banheiros inundados e um incêndio nas lavanderias, obrigou o navio a deixar a região. Ele estava no mar Vermelho e foi substituído.

Do outro lado da península Arábica, o grupo do USS Abraham Lincoln esticou sua presença no mar para quase nove meses, ante os usuais 90 dias, o que gerou uma crise pública, com famílias denunciando condições insalubres a bordo e até tentativas de suicídio.

Ao fim, mesmo negando a crise, o Pentágono o removeu. O substituto foi o USS George Washington, o último remanescente no Pacífico. A manutenção de navios por tanto tempo em missão é complexa, e pode levar até um ano.

Com isso, estão em ação 2 dos 11 porta-aviões de propulsão nuclear dos EUA, com 4 em manutenção, 2 em treinamento, 2 no porto, e o Lincoln a caminho de casa com parada na Tailândia.

Segundo especialistas, os danos sofridos à sede da Quinta Frota no Bahrein agravaram a situação da Marinha. Com os bombardeios iranianos, parte da cadeia de suprimentos para navios na região foi levada para a base de Diego Garcia, a quase 4.000 km de lá, no Índico.

Nada disso indica que os EUA estejam enfraquecidos a ponto de serem dobrados por quaisquer adversários. O bloqueio naval ao Irã, com quase 20 embarcações, segue em vigor, por exemplo. Sua capacidade de deslocamento de recursos, apesar da crise naval, segue inigualável.

Mas a natureza assimétrica do conflito, como a Ucrânia mostrou à Rússia, sugere que o investimento em armas tecnológicas do pós-Guerra Fria pode não suportar a duração de atritos por muito tempo.

Não por acaso, os EUA estão acelerando projetos para multiplicar sua força de drones e para criar mísseis mais baratos e abundantes.

Guerra no Irã expõe limites das Forças Armadas dos EUA

Veja Também

Agente do ICE atira contra carro com criança de 5 anos em Nova York

Agente do ICE atira contra carro com criança de 5 anos em Nova York

outubro 9, 2026
Navanethem Pillay vence o Prêmio Nobel da Paz de 2026

Navanethem Pillay vence o Prêmio Nobel da Paz de 2026

outubro 9, 2026
Ataques ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, deixam três mortos

Ataques ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, deixam três mortos

outubro 9, 2026
Diarreia sexualmente transmissível aumenta nos EUA: do que se trata?

Diarreia sexualmente transmissível aumenta nos EUA: do que se trata?

outubro 9, 2026
Previous Post

Lula pede inelegibilidade de Flávio ao TSE por suposto abuso econômico na Festa de Barretos

Next Post

Os 8 celulares com os designs mais icônicos (e que deixaram saudades)

Related Posts

Agente do ICE atira contra carro com criança de 5 anos em Nova York
MUNDO

Agente do ICE atira contra carro com criança de 5 anos em Nova York

outubro 9, 2026
Navanethem Pillay vence o Prêmio Nobel da Paz de 2026
MUNDO

Navanethem Pillay vence o Prêmio Nobel da Paz de 2026

outubro 9, 2026
Ataques ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, deixam três mortos
MUNDO

Ataques ao aeroporto de Riad, na Arábia Saudita, deixam três mortos

outubro 9, 2026
Diarreia sexualmente transmissível aumenta nos EUA: do que se trata?
MUNDO

Diarreia sexualmente transmissível aumenta nos EUA: do que se trata?

outubro 9, 2026
Estados Unidos terão primeira execução pública por fuzilamento em 90 anos
MUNDO

Estados Unidos terão primeira execução pública por fuzilamento em 90 anos

outubro 9, 2026
Há 100% de chance de El Niño muito forte em novembro, diz agência dos EUA
MUNDO

Há 100% de chance de El Niño muito forte em novembro, diz agência dos EUA

outubro 8, 2026
Next Post
Os 8 celulares com os designs mais icônicos (e que deixaram saudades)

Os 8 celulares com os designs mais icônicos (e que deixaram saudades)

JORNAL DA TARDE

contato@jornaldatarde.com

  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA
  • Sobre
  • Expediente
  • Política Editorial
  • Política de Correções
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

No Result
View All Result
  • BRASIL
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTES
  • FAMA
  • LIFESTYLE
  • MUNDO
  • NEWS
  • POLÍTICA
  • TECNOLOGIA

© 2025 Jornal da Tarde - Notícias do Brasil e do mundo - ISSN: 1516-294X - contato@jornaldatarde.com

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In
Este site usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso de cookies.