RIO DE JANEIRO, RJ (JORNAL DA TARDE) – Nada na vida de Lilia Cabral, 69, veio fácil. Com mais de 40 anos de carreira e prestes a estrear no Rio o monólogo “Rita Lee: Balada da Louca”, sucesso de público e crítica na passagem por São Paulo, ela precisou correr muito atrás para fazer o que queria: atuar. E sem apoio algum da família.
“Meus pais não aceitavam eu querer ser atriz, principalmente meu pai. Mudei-me para o Rio sozinha em 1984, sem família, sem apoio, e precisei ‘me fazer’ em todos os sentidos. Foi duro”, conta, em entrevista a O Globo. Mais do que sem apoio, Lilia foi praticamente boicotada pelo pai, que não queria nem vê-la.
“Eu voltava para São Paulo, mas ele me impedia de entrar na casa dele. Minha mãe ia até a minha madrinha para eu vê-la. Ele me punia. Quando você está no ringue, como faz para entender que não merece todos esses socos? Era injusto”, lembra.
A mãe de Lilia morreu quando a atriz tinha 29 anos. Sofreu a perda de suas raízes, mas não se sente culpada por não ter passado tempo com ela. “Ela era muito submissa. Tenho a consciência de que fiz tudo o que podia. E não mudaria minha vida. Sempre fui corajosa, mas sofri muito, e sozinha, para me libertar”.
Lilia teve sua única filha, Giulia Bertolli, aos 39 anos. Foi sua grande alegria e a oportunidade de exercer a maternidade da forma que achava correta, com erros e acertos. Mas sempre tentando o melhor.
“Ela me ensinou a ser mãe de verdade. Você lê um livro, o que adianta? Pensava: ‘Se eu errar, vou aprender de um jeito que nunca mais vai acontecer’. Mas soube escutá-la. Giulia tem uma postura destemida como atriz, um pouco diferente de mim. Ela está seguindo agora a carreira de roteirista. Não há nada que a censure.”









