GUILHERME W. ALMEIDA E MATHEUS DOS SANTOS
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – Produtos do grupo Magalu passarão, a partir desta quarta-feira (2), a ser vendidos pelo Mercado Livre. O acordo anunciado pelas empresas prevê a comercialização de 27 mil itens do Magazine Luiza (móveis e eletrodomésticos), KaBum! (games e produtos de informática) e Época Cosméticos (cosméticos e perfumaria) pelo marketplace argentino.
Segundo a Magalu, o objetivo do acordo é somar os clientes das plataformas e ampliar as vendas da marca no curto prazo. A companhia afirma ter cerca de 50 milhões de cadastros na própria base de dados. Já o Mercado Livre diz ter fechado o segundo trimestre de 2026 com 89,3 milhões de compradores únicos ativos, 26% a mais do que no mesmo período de 2025. Por volta das 13h40, as ações do Magalu subiam 22,51%, a R$ 5,66. Na máxima do dia, os papéis da varejista chegaram a R$ 5,75, alta de 24,46%.
A assessoria do Mercado Livre informou que não haverá destaque para itens Magalu no site. “O algoritmo de busca funciona sob critérios estritamente técnicos e objetivos para priorizar a experiência do usuário final. O ranqueamento e o destaque são orgânicos, definidos por fatores como competitividade de preço, velocidade de entrega e qualidade do atendimento, e isso se aplica também ao Magalu”, diz o marketplace.
Além da venda, o grupo brasileiro fará a entrega dos produtos por meio da empresa de logística Magalog. O acordo selado entre as plataformas é, segundo a Magalu, semelhante a outros feitos com Amazon, AliExpress, Americanas, Itaú Shopping e Livelo.
Para Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, a operação amplia o alcance dos produtos do Magazine Luiza “sem exigir o mesmo investimento que seria necessário, por exemplo, para levar esse tráfego aos canais próprios da companhia”.
“Investidores enxergaram a parceria como um novo canal de crescimento para o Magalu, especialmente em um momento ainda desafiador para o varejo, com juros elevados e consumo mais dependente de crédito”.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, também ressalta o impacto positivo da parceria. “Para uma empresa (Magalu) que registrou prejuízo no segundo trimestre e continua bastante sensível ao custo financeiro, qualquer iniciativa capaz de aumentar receita e diluir custos fixos tende a ser bem recebida”.
Outros concorrentes têm parcerias parecidas. Desde o ano passado, a Casas Bahia vende produtos no Mercado Livre.
Há a indicação de extensão da parceria no futuro, com o uso de lojas físicas da Magalu para retirada e devolução de produtos vendidos no Mercado Livre, inclusive por outros parceiros.
O Mercado Livre afirma não haver previsão de benefícios para clientes que comprarem com cartões Magalu ou tiverem conta MagaluPay.









