Famílias que buscaram cartas psicografadas com a médium Máira Rocha acusam a advogada de usar informações disponíveis na internet para produzir supostas mensagens de pessoas mortas. As denúncias foram ao ar no Fantástico deste domingo (6).
Máira é conhecida como médium em Brasília e também trabalha no Ministério da Saúde. No início deste ano, criou a Casa da Caridade Inácio Daniel, que atende cerca de 5 mil pessoas por mês, com doações destinadas a ações sociais. A instituição também realiza cartas psicografadas, chamadas de cartas consoladoras.
Marina Escames procurou Máira após a morte do marido, Thiago, vítima de leucemia. Ela afirma ter recebido uma carta que continha informações publicadas anteriormente na internet, incluindo uma expressão usada pelo marido, uma tatuagem de âncora com seu nome e detalhes sobre chá de camomila durante o período de hospitalização.
O filho Nicolas encontrou semelhanças no perfil de Thiago. Segundo Marina, o bullying sofrido pelo caçula Matteo também apareceu na carta, mas o menino havia contado o episódio à própria médium ao entregar uma carta pessoal antes da sessão.
Outro caso envolveu Marcela Magalhães, cujo filho Henrique, de 18 anos, morreu em um acidente. Durante uma transmissão, Máira chamou o jovem de jogador de futebol. Marcela descobriu que o mesmo erro aparecia em uma reportagem sobre o acidente, que usava uma fotografia de Henrique com uniforme esportivo.
A carta também relacionou Henrique a João e Letícia, embora os três tenham morrido em situações diferentes. A imagem usada para estabelecer a ligação era uma montagem publicada por Marcela durante a pandemia.
Diva Mascarenhas Borges também encontrou inconsistências na carta recebida após a morte do pai. O texto trazia nomes usados em registros de seus irmãos adotivos, informações do inventário e uma data incorreta de aniversário. Ela procurou a Federação Espírita do Distrito Federal e soube de outras denúncias.
Especialistas ouvidos pelo Fantástico alertaram para a possibilidade de cruzamento de dados disponíveis na internet. O pesquisador Pedro Camilo afirmou que nomes, informações fornecidas previamente e prazos longos podem permitir a elaboração de um dossiê sobre mortos e familiares.
Marina relatou que precisava informar nome completo e CPF antes da psicografia. Marcela também apresentou documentos e comprovantes. O presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho, comparou o procedimento com o de Chico Xavier, que, segundo ele, não tinha acesso prévio a informações dos presentes.
Sete lideranças espíritas apresentaram notícia-crime contra Máira por estelionato, charlatanismo e crime previsto no ECA. Há ainda registros policiais contra ela em pelo menos cinco estados. Máira não aceitou gravar entrevista com o Fantástico.









