SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – A Paramount criticou duramente uma publicação feita pelo ator Mark Ruffalo nesta sexta-feira (21) no Instagram sobre a iminente aquisição da Warner Bros. Discovery pela empresa, avaliada em US$ 111 bilhões.
Na publicação, Ruffalo acusa os empresários David e Larry Ellison de “alimentarem algumas das forças mais destrutivas e desumanas do mundo” por meio da Oracle, empresa que entrou na disputa comercial através de seu cofundador, Larry Ellison.
Um porta-voz da empresa afirmou que a companhia se sente “incomodada quando estereótipos antissemitas são invocados supostamente para resolver uma disputa comercial. Palavras como ‘genocídio’ e ‘apartheid’, aplicadas a uma transação corporativa, não são apenas errada. São um exagero, e banalizam o sofrimento real que essas palavras pretendem descrever. Isso não merece uma resposta na mesma moeda e, para que fique claro, não toleramos preconceito de qualquer tipo, contra ninguém.”
A Paramount também classificou a publicação de Ruffalo como um obstáculo ao diálogo. A a empresa afirmou que o post “nos leva a um momento para acalmar os ânimos, não para aumentá-los. Preferimos construir algo a nos envolvermos ainda mais em tal retórica. Isso simplesmente expõe a verdadeira motivação de alguns que se opuseram a essa transação. Por outro lado, nosso compromisso com conteúdo de qualidade é equiparado ao nosso compromisso com a aceitação de todas as histórias, de todos os contadores de histórias, sem listas negras, sem exceções para ninguém.”
A publicação de Ruffalo começou com o compartilhamento de um vídeo antigo de Safra Catz, membro do conselho da Paramount, discutindo tecnologias que a Oracle, companhia americana referência em bancos de dados e servidores na nuvem, utilizou para auxiliar o exército israelense após os ataques terroristas do dia 7 de outubro de 2023.
No vídeo, gravado em um painel há alguns anos, Safra Catz, que é israelense, afirma: “há algumas coisas que fizemos que eu realmente não posso revelar para promover a agenda das forças armadas israelenses. Mas temos algumas tecnologias realmente assustadoras na Oracle e queríamos garantir que elas estivessem disponíveis para esse esforço. Digamos apenas isso, ok?”
Em uma publicação seguinte, fazendo referência ao vídeo, Ruffalo incentivou seus seguidores a “verem como ela se deleita com o que agora reconhecemos como um genocídio, construído sobre um sistema de opressão semelhante ao apartheid, alimentado pela Oracle”, questionando: “De uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. Que impulsiona algumas das forças mais destrutivas e desumanas do planeta. Por que Trump levou adiante essa fusão ilegal?”
A Oracle foi cofundada pelo bilionário Larry Ellison, pai de David Ellison, que comanda a Paramount e está à frente da tentativa de fusão com a Warner. Larry, junto com a firma de private equity RedBird Capital Partners, se comprometeu a garantir US$ 40 bilhões (R$ 217,39 bilhões) em dinheiro vivo para a oferta de compra.
A família Ellison é aliada do presidente dos EUA, Donald Trump. A oferta bilionária visa assumir o controle de um conjunto de ativos que inclui a Warner Bros. Pictures, a CNN e o serviço de streaming HBO Max.
Ruffalo foi uma das primeiras figuras de Hollywood a criticar publicamente a proposta de fusão. Além dele, doze estados americanos entraram com uma ação judicial coletiva para impedir a compra. Na ação, os estados alegam que a aquisição do lendário conglomerado de Hollywood, financiada com recursos petrolíferos do Oriente Médio, reduziria a concorrência na indústria cinematográfica e resultaria na perda de empregos.
Em resposta à ação, apresentada antes da publicação de Ruffalo, a Paramount pediu, em documentos judiciais de segunda-feira (17), que os estados opositores apresentem uma fiança de quase US$ 1,9 bilhão (R$ 9,9 bilhões) para cobrir eventuais perdas financeiras caso o acordo seja adiado.
Os opositores da operação na indústria do cinema afirmam que a empresa resultante cortaria postos de trabalho em Hollywood e reduziria o número de filmes produzidos a cada ano. Grupos de mídia também temem que a independência editorial da CNN fique sujeita a interferências.









