Uma segunda etapa descartada de um foguete Falcon 9, da SpaceX, deve ter atingido a Lua na manhã desta quarta-feira (5). A estrutura, com cerca de quatro toneladas, estava viajando a aproximadamente 8,7 mil km/h e pode ter aberto uma nova cratera na superfície lunar, segundo a Reuters.
A colisão não representou risco para a Terra. Como o impacto não foi observado diretamente, os cientistas ainda aguardam imagens da região para confirmar o ponto atingido e identificar as alterações provocadas no terreno.
Quando a parte do foguete da SpaceX pode ter atingido a Lua?
O impacto estava previsto para ocorrer por volta das 3h35, no horário de Brasília, equivalente a 6h35 no Tempo Universal Coordenado.
A trajetória indicava que a estrutura atingiria uma área próxima à cratera Einstein, em uma região de difícil observação a partir da Terra. Por isso, não houve confirmação imediata da colisão.
Sondas que orbitam a Lua poderão fotografar o local e comparar as novas imagens com registros anteriores da superfície.
Qual pode ser o tamanho da nova cratera na Lua?
Pesquisadores estimam que o choque possa ter formado uma cratera com aproximadamente 40 metros de diâmetro.
O tamanho exato dependerá de fatores como a composição do solo lunar, a massa da estrutura, a velocidade e o ângulo do impacto.
A análise das imagens também poderá revelar a profundidade da cratera e a quantidade de poeira e fragmentos lançados acima da superfície.
De qual missão era a parte do foguete Falcon 9?
A estrutura corresponde à segunda etapa de um Falcon 9 lançado em 15 de janeiro de 2025. A missão, chamada Ghost Riders in the Sky, transportou dois módulos lunares: o Blue Ghost, da empresa norte-americana Firefly Aerospace, e o Resilience, da companhia japonesa ispace.
Depois de colocar as cargas nas trajetórias previstas, a segunda etapa permaneceu no espaço. Por causa do percurso adotado na missão lunar, a estrutura não retornou à atmosfera terrestre e passou a seguir uma órbita descontrolada.
Por que a colisão com a Lua não pôde ser evitada?
Ao longo dos meses, a trajetória da etapa foi modificada pela influência gravitacional da Terra, da Lua e do Sol, além dos efeitos da atividade solar.
Como a estrutura já não tinha combustível nem sistemas ativos de controle, não era possível realizar manobras para alterar sua rota e impedir o impacto, informou a Reuters.
Impacto pode ajudar em estudos sobre a superfície lunar
Apesar de acidental, a colisão poderá fornecer informações úteis aos pesquisadores. Como a origem, a massa, a velocidade e a trajetória do objeto são conhecidas, será possível comparar esses dados com as características da cratera formada.
A análise poderá ajudar os cientistas a compreender como o solo lunar reage a impactos de alta velocidade e como a poeira e os fragmentos se espalham após uma colisão.
Outros equipamentos já atingiram a Lua?
Esta não foi a primeira vez que uma estrutura espacial atingiu a Lua.
Em 2022, uma parte de foguete, associada por pesquisadores a uma missão chinesa, caiu no satélite natural e deixou duas crateras próximas uma da outra.
Outros impactos, planejados ou acidentais, também ocorreram ao longo da história da exploração espacial. Em algumas missões, equipamentos foram lançados intencionalmente contra a superfície para permitir estudos sobre a composição e o comportamento do solo lunar.








