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PF suspeita de crime financeiro e avança sobre resort ligado a Toffoli com quebras de sigilo

Redação by Redação
março 9, 2026
in POLÍTICA
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A PF não pode investigar Toffoli por suspeitas de crimes comuns sem a autorização do Supremo. A apuração é de responsabilidade do próprio tribunal, com atuação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da polícia

(CBS NEWS) – A PF (Polícia Federal) suspeita de crimes financeiros em fundos ligados ao resort Tayayá, do qual uma empresa da família do ministro Dias Toffoli foi sócia, e pretende avançar nas investigações com análises de quebras de sigilo e identificação de eventuais irregularidades.

O integrante do STF (Supremo Tribunal Federal) não é investigado pela PF, mas há expectativa na corporação de que transações relacionadas a ele e à sua família apareçam entre os dados coletados.

As quebras de sigilo envolvem fundos que têm conexão com o Banco Master e tiveram relações, mesmo que indiretas, com o Tayayá. A polícia deve requisitar ainda RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre transações financeiras atípicas ou suspeitas.

O principal desses fundos sob suspeita é o Arleen, que pertence à teia usada pelo Master em fraudes investigadas por autoridades. Uma empresa da família de Toffoli, a Maridt, vendeu sua participação no Tayayá em 2021 ao fundo.

A conexão entre o resort e a teia fraudulenta de fundos de Vorcaro por meio do Arleen foi revelada pela Folha de S. Paulo.

O próprio ministro afirmou, mais tarde, ser um dos sócios da Maridt e ter recebido rendimentos pela venda das cotas da empresa para o Arleen, o que provocou uma crise que levou ao afastamento da relatoria do inquérito do Master.

Como a PF apura crimes financeiros nas investigações relacionadas ao Master, integrantes da corporação veem como inevitável a necessidade dessas quebras de sigilo que, por consequência, chegarão a transações ligadas a Toffoli.

Procurado no final da manhã deste domingo (8) por meio da assessoria do Supremo via mensagem de WhatsApp e questionado se gostaria de comentar as investigações, o ministro Dias Toffoli não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O cotista do Arleen é o fundo Leal, que por sua vez tem como cotista o advogado e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado nas investigações como operador do dono do Master. Zettel foi preso na última quarta-feira (4), assim como Vorcaro, na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Caso entenda que há suspeitas de irregularidades e necessidade de investigar Toffoli por alguma movimentação de recursos, a Polícia Federal terá que enviar um documento apontando os achados ao atual relator dos inquéritos no Supremo, o ministro André Mendonça.

A PF não pode investigar Toffoli por suspeitas de crimes comuns sem a autorização do Supremo. A apuração é de responsabilidade do próprio tribunal, com atuação da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da polícia.

O caso Master começou a tramitar no STF sob a relatoria de Toffoli no fim do ano passado, quando a defesa de Vocaro protocolou um pedido para levar a investigação à corte -até então, as apurações tramitavam na primeira instância da Justiça Federal. O ministro decidiu que as diligências e medidas relacionadas à investigação deveriam ser supervisionadas por ele.

Toffoli, porém, passou a sofrer pressão para se afastar do caso. Em fevereiro, a PF entregou um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, com informações que apontavam suspeitas de eventuais irregularidades nas relações de Toffoli com o Master.

O documento, que era uma Informação de Polícia Judiciária, poderia levar não apenas a uma análise sobre a imparcialidade ou suspeição do ministro para conduzir os inquéritos do caso, mas também a uma investigação contra ele.

No fim, a peça foi autuada por Fachin como um pedido de suspeição, mas acabou arquivada após Toffoli decidir deixar a relatoria do caso, que foi sorteada para Mendonça. Na ocasião, Toffoli admitiu que era um dos sócios da Maridt e que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do banqueiro Daniel Vorcaro.

Até então, o que se sabia é que a empresa era de dois irmãos do ministro. Como a companhia é uma sociedade fechada, os irmãos não são obrigados a divulgar toda a relação de sócios nem o tamanho da participação de cada um no negócio.

Toffoli argumentou que, como sua empresa já havia deixado a sociedade no resort meses antes de estourar o caso da compra do Master pelo BRB e de ser designado relator no STF, não havia impedimentos para conduzir as investigações.

O Arleen Fundo de Investimentos teve, até 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável pelo resort em Ribeirão Claro (PR), que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.

A conexão com o caso Master aconteceu por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da suposta teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro.

O Arleen e todos os demais fundos da teia tiveram como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A PF vê a situação de Toffoli de maneira divergente à do ministro Dias Toffoli. O jornal O Globo mostrou que, em 17 de novembro de 2025, data da prisão de Vorcaro, o ministro do STF trocou ao menos nove mensagens com o empresário. Os horários das trocas coincidem com imagens do bloco de notas do ex-banqueiro, no qual estão escritas mensagens que indicam se tratar de um processo para evitar salvar o Banco Master e interferir num processo contra Vorcaro na Justiça.

A Folha de S. Paulo confirmou que houve ligações e trocas de mensagens entre eles, mas não o teor delas. Para a PF, o conteúdo analisado até o momento não enseja investigações sobre a conduta de Moraes.

Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo em 9 de dezembro, o Banco Master contratou, no início de 2024, o escritório de familiares de Moraes, por R$ 3,6 milhões mensais, para auxiliar na defesa dos interesses da instituição por três anos.

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