ADRIELLY SOUZA
SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O amor nem sempre acontece à primeira vista. Às vezes, ele chega com medo, marcas de um passado difícil e necessidades que exigem paciência. Foi assim com Belinha, cachorra adotada por Sabrina Sato e o marido, Nicolas Prattes.
Resgatada após ser atropelada, ela chegou à família com as quatro patas quebradas e precisou passar por um longo processo de recuperação. A convivência, que não começou com uma conexão imediata entre a apresentadora e o animal, acabou se transformando em uma relação de afeto.
A experiência pessoal ajuda Sabrina a entender o que está em jogo em Dog House Brasil, reality que estreou na última quinta-feira (8) no GNT e no Globoplay. Na atração, ela acompanha encontros entre cães resgatados e famílias interessadas em adotar, em uma tentativa de encontrar lares compatíveis com a personalidade e as necessidades de cada animal.
“Além de amar sem formar esse preconceito sobre o cachorro, você tem que estar disposto a amar alguém sabendo da história dela. É um relacionamento que tem que ser construído”, afirma Sabrina à Folha de S.Paulo. “No fim, quem adota também é adotado”, resume a apresentadora, que tem vários animais resgatados em casa.
Para ela, o programa não se limita a mostrar a formação de novos vínculos entre humanos e cachorros. A atração também propõe que o público reveja os critérios usados na hora de escolher um animal, como a preferência por filhotes, por determinadas características físicas ou por cães de raça.
“Você vê muita gente falar: ‘Ah, eu quero um cachorro tal’, e não sabe nada sobre a personalidade do cachorro”, diz. Sabrina defende que a adoção exige disposição para conhecer o animal, respeitar seu tempo e compreender que ele pode carregar traumas e experiências difíceis. “É o cachorro que dá match, é o cachorro que escolhe.”
A apresentadora conta que a chegada de Belinha foi um exemplo de como a relação pode se desenvolver aos poucos. Quando soube da história da cachorra, ela achou que a adoção seria uma experiência positiva para a família. Mas, ao encontrá-la pessoalmente, não sentiu uma conexão imediata.
Com o tempo, porém, a cachorra conquistou todos os integrantes da casa. Hoje, segundo Sabrina, é uma das mais agitadas da família, corre pela casa e apronta apesar das limitações que enfrentou durante a recuperação.
A adoção dos animais aconteceu em um período especialmente significativo para a família. Sabrina conta que a filha, Zoe, pedia um irmão enquanto ela tentava engravidar havia dois anos. Nesse intervalo, a casa foi ganhando novos cachorros. Pouco antes de a apresentadora contar à filha que estava grávida, a menina disse que já não queria mais um irmão, pois tinha os animais como companhia.
A presença de crianças nas famílias que participam de Dog House Brasil é outro aspecto que chamou a atenção da apresentadora. Na avaliação dela, os pequenos tendem a se preocupar menos com a idade ou a aparência dos animais e demonstram interesse principalmente em encontrar um companheiro.
“Os mais velhos são mais difíceis de serem adotados. Todo mundo quer filhote”, diz Sabrina. Ela também questiona a preferência por cães com menos misturas de raças e lembra que a adoção de vira-latas faz parte de uma realidade comum no Brasil.
O episódio de estreia trouxe histórias de famílias que encontraram nos animais uma nova possibilidade de afeto. Miguel e a mãe, Erika, conheceram a cadelinha Estrela, rebatizada de Preta, que passou a fazer parte da vida dos dois após a perda do avô do menino. Já Olivia, uma menina com síndrome de Down, realizou o sonho de ter um cachorro com o apoio dos pais.
Com dez episódios, Dog House Brasil vai ao ar às quintas-feiras, às 21h45, no GNT e no Globoplay. A proposta é acompanhar o processo de aproximação entre os cães e os possíveis tutores até que se forme uma relação capaz de seguir para além das câmeras.









