SÃO PAULO, SP (JORNAL DA TARDE) – O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, voltou a acusar nesta segunda-feira (19) os Estados Unidos de não fornecerem avisos antecipados de ataques russos com mísseis balísticos.
Desde a noite da véspera, ao menos dez instalações energéticas do país invadido por Vladimir Putin em 2022 foram alvejadas. Ao menos 500 mil pessoas ficaram sem energia, a maioria na região da capital, Kiev.
“Mais uma vez, a Rússia lançou um ataque com mísseis balísticos em ondas múltiplas ao longo da noite, e, mais uma vez, não houve alerta dos nossos parceiros”, escreveu Zelenski em suas redes.
No caso, os parceiros são os americanos, que desde o começo da guerra compartilham dados de seus satélites e outros sensores para instruir Kiev acerca de lançamentos de mísseis balísticos, movimentos de tropas e outras informações.
O problema havia começado na semana passada. No domingo, em uma entrevista à rede NBC, Zelenski havia agradecido o presidente Donald Trump por ter corrigido a questão, embora tenha dito que entendia como uma “mensagem” o apagão de dados e as falhas de cobertura da versão militar do sistema de satélites Starlink, que é coordenado pelos EUA.
O próprio Trump, numa postagem na noite de domingo, deixou claro que mensagem quis dar. “Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Eu estou no processo de negociar a paz e não quero que nada afaste, de forma tola, a Rússia para longe da mesa de barganha”, afirmou.
“Zelenski não dá importância a isso e, francamente com todo o dinheiro que a Europa está dando para ele, como se sabe… ele não quer acabar com essa guerra, e provavelmente nunca quis”, completou. Putin já usou esse raciocínio diversas vezes ao descrever o rival.
O americano quer que o ucraniano pare de atacar com drones e mísseis refinarias russas. Ele pode alegar que isso impede um acordo de paz, dada a disrupção no abastecimento de combustível no país de Putin, mas seu interesse primário é no diesel produzido pela Rússia.
Na semana retrasada, o americano fechou um acordo com Putin para a compra do derivado, visando a tentar baixar o preço do produto no mercado dos EUA, que vem em alta desde que Trump atacou o Irã em fevereiro.
O problema para Trump é que a impopularidade dessa inflação se tornou tóxica para as chances de seu Partido Republicano manter o controle sobre as duas Casas do Congresso dos EUA na eleição de meio de mandato, em novembro.
Ampliando o ultraje europeu e em Kiev, na sexta (16) o americano suspendeu a lei Graham, um conjunto de sanções duras afetando a Rússia e países que compram energia de Moscou.
“Quando o suprimento de mísseis para a defesa aérea ucraniana é bloqueado e a Rússia recebe alívio ou atraso em sanções, isso é, infelizmente, uma negação da realidade por parte de nossos parceiros”, afirmou Zelenski, que também se queixou de novos problemas de cobertura do Starshield, o Starlink militar.
Na semana passada, Trump havia negado ter cortado o fornecimento de informações. Nesta segunda, seu secretário de Estado, Marco Rubio, tergiversou: “Se isso aconteceu ontem à noite, eu não sei direito. Eu sei que há algumas noites houve um problema de software de alerta antecipado deles”.
Em visita ao Uzbequistão, Rubio disse que há a possibilidade de uma cúpula tripartite entre Trump, Putin e o líder chinês Xi Jinping sobre o conflito. “Tem havido conversas sobre um encontro. Eu não sei se elas foram finalizadas, mas o presidente [americano] foi claro. Ele quer que a guerra acabe”, disse.
Em campo, além dos ataques, a Rússia segue pressionando a linha de frente em Donetsk, a joia da coroa dos territórios que Moscou anexou ilegalmente em 2022 e ainda não controla totalmente.
No sábado (17), os russos anunciaram ter conquistado oito vilarejos vitais para a tomada de Kramatorsk, que serve de sede provisória do governo ucraniano na região desde que Donetsk, capital homônima da província, foi ocupada por separatistas pró-Moscou em 2014.
Kiev negou ter perdido o controle que os russos anunciaram, mas blogueiros militares e monitores dos dois lados indicam que houve o avanço das forças de Putin.








