Passageiros denunciam que morte foi tratada como “causa natural” e que medidas só vieram dias depois; tripulação teria feito churrasco enquanto casos aumentavam, levantando críticas sobre falhas na gestão do surto a bordo do cruzeiro
Passageiros do cruzeiro MV Hondius denunciaram falhas na condução do surto a bordo após a primeira morte registrada na embarcação. Segundo relatos, a tripulação chegou a organizar um “grande churrasco” logo depois do anúncio do óbito, que foi inicialmente atribuído a “causas naturais”.
Um dos passageiros, que já deixou o navio, afirmou que medidas como distanciamento social só começaram a ser adotadas dias depois. “Se tivéssemos podido nos isolar nas cabines e usar máscaras, acho que esse problema poderia ter sido minimizado”, disse, em entrevista à imprensa espanhola.
Outros passageiros confirmaram a versão. “Fizeram um churrasco no navio, como se nada tivesse acontecido”, relataram turistas franceses.
Um vídeo divulgado mostra o momento em que o capitão, Jan Dobrogowski, informa a morte de um passageiro holandês, sem mencionar qualquer risco de contágio. Na ocasião, o médico a bordo afirmou que a doença não era transmissível e que o navio estava seguro.
No entanto, novos casos começaram a surgir nos dias seguintes, levantando críticas sobre a demora na adoção de medidas preventivas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o surto de hantavírus no navio já provocou três mortes e há outros casos suspeitos. A entidade considera, por enquanto, baixo o risco para a população mundial.
O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, com destino às Ilhas Canárias, na Espanha, em uma rota que incluía paradas na Antártida, Ilhas Malvinas e Geórgia do Sul. A bordo estavam 149 pessoas, de 23 nacionalidades.
O primeiro caso foi de um turista holandês de 70 anos, que apresentou sintomas como febre, dor de cabeça e diarreia leve no dia 6 de abril. Ele morreu no navio no dia 11 e é considerado o paciente zero.
O corpo foi desembarcado 13 dias depois na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul. A esposa dele, de 69 anos, também apresentou sintomas, foi transferida para Joanesburgo, na África do Sul, e morreu no dia seguinte. A infecção por hantavírus foi confirmada posteriormente.
Em 2 de maio, um passageiro alemão também morreu após apresentar sintomas. Um turista suíço, que desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo.
Mais três casos suspeitos foram retirados do navio em Cabo Verde, incluindo dois tripulantes com sintomas e um passageiro assintomático que teve contato com infectados. Eles foram transferidos em voos médicos.
O hantavírus é transmitido por roedores infectados, que eliminam o vírus por meio da urina, fezes e saliva.






