Em declarações aos jornalistas, no seu Air Force One, Trump afirmou ter realizado um “teste de QI”, no Centro Médico de Walter Reed, desafiando duas representantes democratas a fazerem o mesmo teste
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparentemente se vangloriou dos resultados que teve em um teste de demência, confundindo-o com um teste de Quociente de Inteligência (QI).
Em declarações aos jornalistas, no seu Air Force One, esta segunda-feira (28), Trump, de 79 anos, afirmou ter realizado um “teste de QI”, no Centro Médico de Walter Reed, desafiando duas representantes democratas (Jasmine Crockett, de 44 anos, e Alexandria Ocasio-Cortez, de 36 anos) a fazerem o mesmo teste.
“Eles têm Jasmine Crockett, uma pessoa de baixo QI. AOC [apelido de Alexandria Ocasio-Cortez] também tem baixo QI. Dêem a ela um teste de QI, vejam de se ela passa, por exemplo, os exames que eu decidi fazer em Walter Reed”, disse o presidente norte-americano.
E acrescentou: “São muito difíceis. São, de certa forma, testes de aptidão, mas são testes cognitivos. Deixem a AOC desafiar Trump”.
“As primeiras perguntas são fáceis: um tigre, um elefante, uma girafa, vocês sabem. Quando chegam à quinta ou à sexta, e depois quando chegam à 10.ª, à 20.ª, à 25.ª… Elas não conseguiam nem chegar perto de responder a qualquer uma dessas perguntas.”
O teste a que Trump se refere aparenta ser a Avaliação Cognitiva de Montreal, “uma avaliação de 10 minutos concebida para identificar sinais de demência ou Alzheimer”, segundo a revista The New Republic.
Presume-se que em 2020 Trump, na época, com 74 anos, tenha realizado o mesmo teste, mas sabe-se que dois anos antes em 2018 foi sujeito a esta avaliação, tendo um resultado perfeito: acertou em todas as 30 questões.
O teste foi criado pelo neurologista canadense, o Doutor Ziad Nasreddine, e é suposto ter uma duração de dez minutos. A avaliação inclui desenhar um relógio, copiar a imagem de um cubo e identificar imagens de animais.
“É do gênero, você diz: Pessoa, mulher, homem, câmera, televisão”, explicou o presidente em uma entrevista à Fox News, em 2018, onde também se gabou dos seus resultados no teste. “E eles te dizem: ‘Pode repetir tudo?’. E eu respondo: ‘Sim. É pessoa, mulher, homem, câmêra, televisão'”.
“Eles dizem que nunca ninguém acerta na ordem, que na verdade não é assim tão fácil. Mas foi fácil para mim. E não é uma questão fácil”, disse Trump.
Apesar das afirmações de Trump, e da sua realização ao presidente dos Estados Unidos, esta avaliação é, na verdade, bastante controversa no mundo acadêmico da medicina.
É uma barra muito muito baixa para alguém que tem no bolso os códigos nucleares, e, de certeza, que não é nada que valha a pena alguém se vangloriar”, disse Jonathan Reiner, professor e cardiologista da Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde George Washington, ao Washington Post o ano passado.
Trump não especificou se realizou efetivamente o teste, mas sabe-se que o presidente esteve no Centro Médico de Walter Reed este mês para uma consulta de rotina. Durante a visita, fez uma série de exames e “avaliações preventivas de saúde”, segundo relatou o médico da Casa Branca.
Na conversa com jornalistas esta segunda-feira, o presidente norte-americano revelou ainda que fez uma ressonância magnética quando esteve na unidade de saúde, sem revelar o porquê do exame. Segundo Trump, os seus resultados foram “perfeitos”.






