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Trump não descarta explodir ogiva nuclear em teste

Redação by Redação
outubro 31, 2025
in MUNDO
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Presidente foi questionado porque não deixou claro se a retomada de ensaios que ordenou incluía a bomba em si; EUA divulgam alerta de perigo de navegação que sugere teste com míssil desarmado no Pacífico em 5 ou 6 de novembro

SÃO PAULO, SP (CBS NEWS) – O presidente Donald Trump não descartou que a retomada dos testes com armas nucleares dos Estados Unidos inclua a detonação subterrânea de uma ogiva atômica, algo que o país parou de fazer há 33 anos.

Falando a jornalistas no Air Force One nesta sexta-feira (31), o americano voltou a jogar na confusão, dois dias após ter dito que iria retomar testes com essas armas de destruição em massa em resposta aos recentes ensaios de novos armamentos russos e ao crescimento do arsenal chinês.

Como não ficou claro se ele falava em testar mísseis desarmados, por exemplo, ele foi questionado se seu anúncio na visita à Coreia do Sul incluía a explosão de um artefato nuclear. “Você vai descobrir logo, mas nós vamos ter que fazer algum teste”, disse, com a usual imprecisão.

“Outros países fazem. Se eles estão fazendo, nós vamos fazer, OK?”, completou. O mais recente teste nuclear conhecido de uma das nove potências atômicas do mundo ocorreu em 2017, na Coreia do Norte.

Os testes feitos pela Rússia, anunciados com pompa pelo presidente Vladimir Putin, foram de duas novas armas capazes de transportar ogivas atômicas que são movidas por reatores nucleares miniaturizados, o que lhes dá autonomia quase ilimitada.

São elas o torpedo autônomo Poseidon e o míssil de cruzeiro Burevestnik.

Como não foram apresentadas imagens ou dados dos testes, especialistas no setor receberam o sucesso dos ensaios com ceticismo, mas bem mais moderado do que quando Putin anunciou que as produziria, no famoso discurso das “armas invencíveis” de 2018.

Após os anúncios de Putin, Trump retomou o tema. O Kremlin reagiu dizendo o óbvio, que não havia explodido nenhuma bomba, mas voltou a dizer que o faria se os EUA o fizessem, dando início a uma marcha da insensatez retórica, agora reforçada pelo americano novamente.

“É difícil saber o que ele [Trump] quer dizer. Como de costume, é incerto, exagerado e errado”, afirmou no X o dinamarquês Hans Kristensen, um dos mais reconhecidos especialistas em armas nucleares, da FAS (Federação dos Cientistas Americanos).

“Espero que fique apenas em alguns testes de Minuteman”, escreveu por sua vez o russo Pavel Podvig, pesquisador do centro da ONU que estuda questões de desarmamento, em referência ao míssil padrão para lançamento de silos terrestres dos EUA.

Ele pode estar certo. Nesta sexta, os americanos emitiram um alerta de perigo à navegação na região do campo de testes Ronald Reagan, no oceano Pacífico.

É lá que caem os mísseis Minuteman-3 lançados em testes da base de Vandenberg, na Califórnia. A previsão é de bloqueio da região a navios nos dias 5 e 6 de novembro.

Além da Rússia, a China também se queixou de Trump na quinta (9). O americano fizera seu primeiro anúncio na véspera, publicando em rede social a informação pouco antes de se encontrar com o líder Xi Jinping no porto sul-coreano de Busan.

O Pentágono já expressou mais de uma vez preocupação com o crescimento do arsenal chinês, que mais que dobrou nos últimos anos, chegando segundo a FAS a 600 ogivas. Ainda é pálido ante as 5.459 russas e as 5.177 americanas, espólio da Guerra Fria, mas está aumentando.

Os americanos também dizem temer a aliança existente entre Moscou, Pequim e Pyongyang, a potência com menor arsenal, cerca de 50 bombas, em uma hipotética guerra coordenada contra Washington.

A preocupação com a ligeireza com que o tema da proliferação e dos riscos nucleares voltou ao noticiário nos últimos anos, mas acentuou-se com as ameaças nucleares de Putin depois de invadir a Ucrânia, a tensão na península coreana e com a volta de Trump ao poder. O assunto chegou a best-sellers (“Guerra Nuclear – Um cenário) e ao cinema (“Casa de Diamante”).

A associação japonesa dos sobreviventes da bomba de Hiroshima, a primeira arma do tipo usada em guerra, em 1945, enviou carta pedindo ao americano para não fazer testes.

Os EUA realizaram seu último teste de arma nuclear em 1992. A União Soviética promoveu a última detonação em 1990, o Reino Unido em 1991, França e China, em 1996, e o Paquistão em 1998. Já os belicosos norte-coreanos explodiram seis bombas entre 2006 e 2017.

Existe um tratado banindo os testes nucleares completamente, de 1996, assinado por EUA, Rússia e China, mas ele não está valendo porque vários países, incluindo essas potências, ainda não o ratificaram.

Trump não descarta explodir ogiva nuclear em teste

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